Declaração contrasta com ataques recentes à confiança no sistema; baixa aprovação e economia pressionam desempenho republicano
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4.nov.2026 à 1h27 Atualizado: 4.nov.2026 às 2h21
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta terça-feira (3) que aceitará o resultado das eleições de meio de mandato, em meio às projeções de uma derrota expressiva de seu Partido Republicano no Congresso. Em entrevista ao jornal The New York Times, o americano também sinalizou disposição para negociar com os democratas, que avançavam na disputa pelo controle do Legislativo.
"Estou absolutamente disposto a aceitar esses resultados", afirmou. "Vamos trabalhar com os democratas e esperamos poder trabalhar com eles. Provavelmente chegaremos a algum acordo."
A declaração contrasta com o discurso adotado pelo presidente ao longo da campanha, quando questionou a confiabilidade do sistema eleitoral e condicionou o reconhecimento de uma eventual derrota à lisura da votação.
O tom conciliador também veio depois de Trump tentar se distanciar do desempenho republicano nas urnas. Em publicação na rede Truth Social, o presidente atribuiu parte do resultado à ausência de seu nome nas cédulas. "Se eu estivesse, teríamos vencido de lavada", escreveu.
Nas últimas semanas, porém, o próprio Trump havia pedido repetidamente que seus apoiadores votassem nos candidatos republicanos como se ele estivesse concorrendo. O presidente percorreu diferentes estados em comícios e transformou a eleição em um teste de sua popularidade.
Trump chegou às urnas com a aprovação próxima do menor nível de seus dois mandatos. Pesquisa Reuters/Ipsos divulgada na segunda-feira (2) mostrou que apenas 32% dos americanos aprovavam seu governo, em meio à insatisfação com o custo de vida e a condução da economia.
Na véspera da votação, o republicano já havia reconhecido a possibilidade de derrota. Durante um evento diante do Memorial de Lincoln, em Washington, lembrou que o partido do presidente costuma perder cadeiras nas eleições de meio de mandato.
"Normalmente, seja quem for o presidente, republicano ou democrata, bom ou ruim, por alguma razão, o partido do presidente não vence as eleições de meio de mandato. Mas nós nos esforçamos muito", afirmou.
Trump também reconheceu que a guerra contra o Irã pode ter contribuído para a derrota de seu partido nas eleições de meio de mandato.
Em entrevista por telefone à Fox News, na noite de terça-feira (3), o presidente afirmou que o conflito teve impacto sobre o resultado eleitoral, mas defendeu sua atuação militar. "Acho que parte disso se deveu ao Irã, mas, ao mesmo tempo, as pessoas entenderam a importância do que fiz em relação ao país", disse.
A guerra já aparecia nas pesquisas como um dos motivos de insatisfação dos americanos com o governo. Levantamento do Pew Research Center divulgado em outubro mostrou que 65% da população desaprovava a condução do conflito por Trump.
No Truth, porém, ele pareceu elevar o tom da disputa após parecer reconhecer os resultados em entrevistas a jornalistas.
Em uma sequência de publicações nas redes sociais em que atacou aliados, criticou a imprensa conservadora e tentou se distanciar do resultado das urnas.
Trump também direcionou críticas ao governador do Texas, Greg Abbott, a quem acusou de ter se tornado um "RINO", sigla usada por conservadores para se referir pejorativamente a republicanos considerados insuficientemente fiéis ao partido. Segundo o presidente, Abbott não teria perdido se tivesse mantido sua postura política anterior.




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