O presidente dos EUA, Donald Trump exaltou nesta quinta-feira a “amizade realmente grande” que construiu com Xi Jinping, enquanto o líder chinês iniciava sua aguardada visita aos Estados Unidos. Em declarações iniciais na Casa Branca, os dois destacaram a coo…
O presidente dos EUA, Donald Trump, recebeu nesta quinta-feira seu colega chinês, Xi Jinping, na Casa Branca, para uma reunião bilateral suntuosa e cheia de simbolismo, mas com pouca substância. Não vazaram sinais de que o encontro a portas fechadas tenha produzido avanços em questões espinhosas como inteligência artificial, comércio, Taiwan e a guerra com o Irã.
Na questão comercial, a principal resolução aparentemente foi anunciada na véspera, com a prorrogação até 10 de janeiro da trégua na guerra tarifária aberta no ano passado pelo governo Trump. A moratória na aplicação das tarifas e retaliações venceria em 10 de novembro.
Dependência dos EUA de terras raras da China pesa na relação entre Trump e XiHá sinais de que Trump enjaulou os falcões da linha-dura contra a ChinaTrump busca vitória comercial em cúpula com Xi em Washington
Os dois líderes trocaram opiniões sobre questões globais e regionais, como o Oriente Médio, a guerra na Ucrânia e as relações com a Península Coreana, de acordo com o comunicado oficial do governo chinês sobre o encontro. Xi e Trump também confirmaram apoio mútuo à realização de reuniões regionais nas próximas semanas, segundo o comunicado.
Xi afirmou que os dois líderes decidiram construir uma “relação estratégica, construtiva e estável entre a China e os EUA para beneficiar não apenas os povos chinês e americano, mas também o mundo todo”, diz o comunicado.
Como gesto de boa vontade, Xi ofereceu aos EUA um casal de pandas, que será enviado em breve ao zoológico de Atlanta.
“Desde a minha primeira eleição em 2016, o presidente Xi e eu forjamos uma amizade, uma amizade verdadeiramente grandiosa, na verdade, construída sobre o respeito mútuo e os interesses vitais do nosso povo”, disse Trump.
Taiwan. Esperava-se que o status de Taiwan — que a China considera parte de seu território — levasse tensão ao encontro. De acordo com a agência oficial chinesa Xinhua, Xi pressionou os EUA a se oporem à “independência de Taiwan”. A Casa Branca não comentou imediatamente o conteúdo dos debates.
Após visita à China em maio, Trump afirmou que estava retendo um pacote de armas para Taiwan de cerca de US$ 14 bilhões e o classificou como uma “ótima moeda de troca”.
Aliados dos EUA na Ásia têm receio de que Trump seja tentado a suavizar o apoio de Washington a Taipé em troca de ganhos econômicos. Mas não houve comentário relevante, por parte da Casa Branca, que levasse a crer em qualquer alteração na ambiguidade estratégica de Washington sobre o tema.
Guerra no Irã. A cúpula entre os dois líderes ocorreu pouco depois de Trump ter defendido veementemente o uso da força militar em discurso na ONU, na terça-feira, no qual sugeriu que poderia “aniquilar” o Irã. Mas ele adotou um tom notavelmente diferente com Xi, ontem, refletindo um equilíbrio de poder que se deslocou para o líder chinês após guerra comercial que terminou em redução das tarifas inicialmente impostas pelos EUA.
Segundo a emissora estatal chinesa China Central Television (CCTV), Trump argumentou que a China, que é muito mais dependente do petróleo do Golfo do que os EUA, tem muitos incentivos para usar a influência sobre Teerã para ajudar a forçar o fim do conflito.
De acordo com a CCTV, Xi, no entanto, afirmou que a China apoia o retorno dos EUA e do Irã ao acordo provisório, de curta duração, firmado em junho.
Inteligência artificial. “Vamos discutir questões prementes relacionadas à segurança, tecnologia e ‘superinteligência’”, disse Trump, usando seu nome alternativo para inteligência artificial.
“A superinteligência será um grande tema de discussão, mas quero deixá-la exatamente como está”, escreveu Trump em sua plataforma Truth Social, antes de se fechar para a reunião com Xi . “Essa também é a posição da China”, acrescentou.
“Queremos que isso [a IA] permaneça exatamente como está”, disse Trump a repórteres antes do encontro com o chinês.
Por seu lado, Xi disse que ambos os países devem “garantir que o desenvolvimento da IA esteja sempre sob controle humano”. Analistas afirmam que a intensa competição entre as duas potências na área de IA provavelmente limitará o escopo de qualquer acordo, que vá além de aspectos simbólicos.
Investimentos. Nesta quinta-feira, em declarações um pouco mais incisivas, Xi disse que os interesses dos dois países estão profundamente interligados e que a competição entre eles deve ser “saudável”.
“As empresas americanas são bem-vindas na China”, afirmou, acrescentando que espera que “as empresas chinesas sejam tratadas de forma justa nos EUA”.
Empresários dos dois países têm se queixado nos últimos anos de discriminação dos governos americano e chinês — o que inclui dificuldade de vistos, assédios judicial e fiscal, e regras protecionistas abusivas.




0 Comentário(s)
Deixe seu comentário