Presidente americano autoriza entrada de até 300 mil toneladas de carne moída sem cobrança de tarifas mais altas

Priorize VEJA no Google

O presidente Trump liberou a importação de até 300 mil toneladas de carne moída por 90 dias, sem tarifas extras, para combater a disparada dos preços e a escassez de gado nos EUA. A medida cria uma oportunidade para o Brasil, maior exportador, mas expõe a contradição da política protecionista americana, ao precisar de produtos estrangeiros para reduzir a inflação.

Este resumo foi útil?

Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação da Editora Abril.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta sexta-feira, 21, uma medida para tentar conter a alta do preço da carne bovina no país.

A administração americana permitirá, durante os próximos 90 dias, a importação de até 300 mil toneladas de carne moída sem a incidência das tarifas mais elevadas previstas pelo sistema americano de cotas.

Trump afirmou em uma publicação nas redes sociais que existe um compromisso de que a carne importada seja vendida aos consumidores americanos 25% abaixo dos preços atuais de mercado.

A medida ocorre em meio à disparada dos preços da carne bovina nos Estados Unidos e à menor oferta de gado do país em décadas.

Segundo dados do Departamento de Agricultura americano (USDA), o rebanho americano começou 2026 com cerca de 86,2 milhões de bovinos e bezerros, o menor nível desde os anos 1950.

O preço da carne moída chegou a US$ 6,89 por libra em julho, alta de 10% em relação ao mesmo mês do ano passado.

A decisão cria uma oportunidade para grandes exportadores de carne bovina, entre eles o Brasil, mas também expõe uma contradição da política comercial de Trump.

Depois de elevar tarifas para proteger a produção americana, o governo agora precisa abrir espaço para produtos estrangeiros para tentar reduzir a inflação.

O Brasil é o maior exportador mundial de carne bovina e tem capacidade para responder rapidamente a mudanças na demanda internacional.

A decisão americana, porém, não significa automaticamente que as 300 mil toneladas serão destinadas ao Brasil. Os Estados Unidos mantêm regras sanitárias e comerciais específicas para seus fornecedores, e a quantidade que cada país poderá enviar dependerá das condições de acesso ao mercado.

Ainda assim, a medida é relevante para frigoríficos brasileiros porque amplia a possibilidade de participação em um mercado que está enfrentando uma escassez estrutural de gado.

O movimento também pode aumentar a disputa internacional pela carne brasileira. Se os Estados Unidos ampliarem suas compras, exportadores de outros países poderão redirecionar cargas para mercados atualmente abastecidos pelo Brasil.

Isso pode afetar preços internacionais e mudar a rentabilidade das exportações brasileiras.

A origem da crise está no tamanho do rebanho.

Anos de seca e condições financeiras ruins levaram pecuaristas americanos a reduzir seus rebanhos.

Reconstruir essa oferta não é uma tarefa rápida: mesmo que os produtores comecem imediatamente a reter fêmeas e aumentar a criação, são necessários aproximadamente dois anos para que o aumento do rebanho se transforme em maior oferta de carne.

É justamente essa defasagem que torna a importação a alternativa mais rápida para aumentar a oferta disponível aos consumidores.

O problema também chegou aos frigoríficos.