Donald Trump , Binyamin Netanyahu e Vladimir Putin são homens drasticamente diferentes, mas têm uma coisa importante em comum: cada um acredita ser a pessoa mais inteligente em qualquer sala em que entra. Leia mais (07/23/2026 - 04h00)

Editorialista de política internacional do New York Times desde 1995, foi ganhador do prêmio Pulitzer em três oportunidades

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Donald Trump, Binyamin Netanyahu e Vladimir Putin são homens drasticamente diferentes, mas têm uma coisa importante em comum: cada um acredita ser a pessoa mais inteligente em qualquer sala em que entra.

Infelizmente, porém, como todos cometeram o erro mais estúpido que um líder pode cometer —cercar-se de bajuladores—, todos tropeçaram em guerras sem saída das quais só podem se livrar hoje engolindo um banquete de sapos.

Fique atento. Não há nada mais perigoso do que um líder imprudente diante de um prato de sapos: às vezes, seu instinto é dobrar a aposta em uma estratégia perdedora.

Comecemos pelo primeiro-ministro israelense. O sinal de que Bibi perdeu o rumo —e levou consigo a liderança da famosa agência de inteligência israelense, o Mossad— se reflete em duas decisões absolutamente insanas que ele tomou: a primeira é que Israel poderia derrubar o regime de Teerã com um grande golpe aéreo, e a segunda era que poderia escolher o novo líder do Irã.

O Mossad é muito bom em caçar e matar os inimigos de Israel, em grande parte porque é muito habilidoso em recrutar cidadãos descontentes no Líbano, no Irã, na Cisjordânia e em outras partes do mundo árabe —ou seja, pessoas que odeiam seus regimes e estão dispostas a trabalhar com Tel Aviv para derrubá-los.

O problema é que esses mesmos agentes, motivados por ressentimento ou dinheiro, tendem a exagerar o quão fraco é seu regime e o quão fácil seria derrubá-lo.

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Eles querem que Israel faça o trabalho sujo por eles. O resultado é que um ingênuo como Trump, que não conhece história nenhuma, presume que, como o Mossad é bom em assassinar pessoas, é igualmente bom em prever o que acontecerá na manhã seguinte à morte delas.

Isso explica por que, após a reunião na Casa Branca em fevereiro, quando Netanyahu e o então diretor do Mossad, David Barnea, essencialmente argumentaram que, se Israel e os Estados Unidos assassinassem os principais líderes do Irã, o regime cairia e pessoas moderadas assumiriam, Trump não os expulsou da sala às gargalhadas.

O presidente aparentemente presumiu que, como o Mossad tinha superpoderes de assassinato, também tinha superpoderes analíticos e, portanto, o Irã cairia em seu colo da mesma forma que a Venezuela quando os EUA capturaram seu ditador, Nicolás Maduro.

Como meus colegas Maggie Haberman e Jonathan Swan relataram em seu livro imperdível, "Regime Change", o diretor da CIA, John Ratcliffe, usou uma palavra para descrever os cenários de mudança de regime no Irã de Netanyahu: "farsescos". Trump, confiante de que sabia mais, ignorou-o e aos outros —e vem pagando o preço desde então.