Democratas estão apreensivos com a possibilidade do envio de tropas; declarações de autoridades do governo são contraditórias
Compartilhar matériaFaltando menos de dois meses para as eleições de Meio de Mandato (Midterms) deste ano, os democratas estão cada vez mais apreensivos com a possibilidade de o presidente americano Donald Trump enviar agentes federais de imigração ou tropas para os locais de votação.
As declarações da administração Trump sobre essa possibilidade têm sido contraditórias.
Embora alguns, como o chefe do Estado-Maior Conjunto, General Dan Caine, tenham praticamente descartado a ideia de um destacamento nos locais de votação nas eleições de Meio de Mandato, outros deixaram em aberto a possibilidade de tropas ou agentes estarem presentes nas seções eleitorais sob circunstâncias específicas ou de emergência, apesar das leis federais que proíbem tal atividade.
"A integridade das eleições é de suma importância", disse o diretor do FBI, Kash Patel, durante uma audiência nesta terça-feira (15), na qual ele se recusou a descartar o envio de agentes sob seu comando para os locais de votação ou a reconhecer que tal ato seria ilegal.
"Este FBI não se furtará a esse esforço", afirmou.
O próprio Trump não assumiu um compromisso claro sobre o assunto. Mas, embora não tenha declarado explicitamente que tomaria essa medida, várias de suas ações e comentários anteriores preocuparam aqueles que acreditam que ele poderia exceder sua autoridade, ou que a ameaça implícita poderia ser suficiente para afastar as pessoas das urnas.
"Se houver alguém na administração insensato o suficiente para ordenar a presença deles lá, isso será interrompido imediatamente", disse David Becker, diretor executivo da organização sem fins lucrativos Center for Election Innovation & Research (Centro de Inovação e Pesquisa Eleitoral).
"Os estados estão preparados; eles recorrerão à justiça", disse ele.
"Mas pode ser que haja membros da administração, e talvez até o próprio presidente, que queiram incutir em alguns eleitores o medo de que isso aconteça, levando-os a decidir por conta própria não comparecer, em vez de ter de passar pelo transtorno de tentar impedir fisicamente o voto deles", afirmou Becker.
Aqui está o que autoridades de alto escalão da administração ou das forças armadas disseram sobre a possibilidade de enviar tropas ou agentes federais para os locais de votação:
As preocupações com o envio de autoridades de imigração para os locais de votação decorrem, em parte, da decisão do Secretário de Segurança Interna, Markwayne Mullin, tomada no início deste ano, de enviar agentes do ICE (Serviço de Imigração e Alfândega) para aeroportos durante uma paralisação do governo.
Embora as autoridades de imigração já tivessem presença e aplicassem as leis de imigração nos aeroportos há muito tempo, o envio em larga escala de agentes do ICE para ajudar na segurança e na organização das filas foi uma novidade.
Isso também gerou preocupação sobre a possibilidade de os locais de votação serem os próximos alvos, especialmente dada a campanha mais ampla do governo contra o que ele alega — sem apresentar provas — ser uma fraude eleitoral generalizada cometida por imigrantes em situação irregular no país.
"Tudo isso faz parte da forma como o presidente tenta conceber um plano muito maior: se não é possível manter o poder por meio de eleições democráticas, então altera-se o funcionamento das eleições democráticas", disse à CNN, em março, o governador de Maryland, Wes Moore, um democrata.
Questionado por repórteres na semana passada se agentes do ICE poderiam ser enviados a locais de votação em novembro, Mullin não descartou essa possibilidade, indicando que ela poderia ocorrer em circunstâncias específicas.
"A única razão pela qual estaríamos em locais de votação seria se houvesse uma ameaça a esse local ou se estivéssemos cumprindo um mandado contra alguém que estivéssemos rastreando ativamente", disse Mullin. Ele acrescentou mais tarde: "Se estivermos cumprindo um mandado, estaremos onde precisarmos estar."
No entanto, a lei federal proíbe o envio de "quaisquer tropas ou homens armados" a "qualquer local onde se realize uma eleição geral ou especial". Há exceções previstas para casos em que essas pessoas estejam exercendo o direito de voto.
"Espero que alguém no gabinete dele o tenha informado sobre a seção 592 do título 18 do Código dos EUA", disse Becker.
"Isso é ilegal, e qualquer pessoa que ordene tal ação estará cometendo um crime federal", afirmou.
Um porta-voz do Departamento de Segurança Interna afirmou na sexta-feira que o ICE "não está planejando operações voltadas para locais de votação". No entanto, o porta-voz acrescentou que certos agentes, "se solicitados" pelas autoridades locais, poderiam estar prontos para "responder rapidamente a um incidente, caso necessário".




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