Mal das pernas, partido tenta galvanizar a base antes das eleições de meio de mandato, em novembro, mas evento no Texas periga 'flopar'

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O Partido Republicano inicia uma convenção atípica em Dallas, batizada de “Trump-a-Palooza”, centrada em Donald Trump para as eleições de meio de mandato. Apesar de o presidente ser a atração principal, a ausência de muitos candidatos e a menor expectativa de público indicam uma possível cautela republicana em se associar a ele.

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Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação da Editora Abril.

O Partido Republicano inicia nesta quarta-feira, 9, em Dallas, no Texas, uma convenção incomum para as eleições de meio de mandato nos Estados Unidos. Batizado de “Trumpapalooza”, o evento de dois dias no American Airlines Center colocará o presidente Donald Trump no centro da estratégia republicana para o pleito de novembro, em um momento de baixa aprovação do governo e disputa acirrada pelo Congresso.

Trump será a principal atração nas duas noites. Ele fará o discurso principal nesta quarta e voltará ao palco na quinta-feira, depois do vice-presidente J.D. Vance, para encerrar a programação. Mais de 100 palestrantes devem participar das 12 horas de atividades, incluindo candidatos, membros do governo e líderes do Congresso. Ao anunciar a convenção em junho, o republicano prometeu que realizaria “um evento verdadeiramente histórico”.

Os discursos abordarão temas como cortes de impostos, segurança na fronteira e combate a supostas fraudes, além de ataques aos democratas. A impopular guerra com o Irã não aparece na programação divulgada.

O evento é encarado por analistas como uma tentativa, não sem um quê de desespero, para galvanizar a base do Partido Republicano a comparecer às urnas em novembro, quando o país votar para renovar a Câmara inteira e 35 das 100 cadeiras do Senado, além de dezenas de governadores e um sem-número de cargos estaduais de alto nível. Atualmente, a sigla de Trump controla ambas as casas legislativas, mas pesquisas indicam que pode perder a confortável maioria no Congresso.

Plantadas bem no meio de cada mandato presidencial, as midterms, como são chamadas, quase sempre impõem derrotas ao mandatário em exercício — alvo fácil de todo tipo de insatisfação popular, que há de sobra para Trump. O presidente americano amarga 33% de aprovação, segundo pesquisa do jornal Financial Times, enquanto a desaprovação na casa dos 65%, a pior de seus dois mandatos, o coloca apenas 1% abaixo de Richard Nixon, que sofreu impeachment em função do escândalo de Watergate, e o aproxima de George W. Bush, que bateu o recorde de descontentamento (71%) no auge da guerra do Iraque e da crise financeira de 2008.

Há queda na aprovação até mesmo entre os republicanos. Atualmente, 72% dos partidários classificam de maneira positiva a gestão — menor índice da série histórica feita pelo Financial Times. Antes, o índice era de 74%. Entre os fatores para queda na avaliação do atual governo estão os rumos da economia e os impasses na guerra com Irã. Estes são os problemas que mais afetaram a percepção do americano junto ao chefe do Poder Executivo.

Menos da metade dos republicanos que disputam eleições, porém, aparece na programação de Dallas. Nomes relevantes como os senadores Tommy Tuberville, John Cornyn e Mike Rounds não devem participar. A ausência dos candidatos alimenta a percepção de que, para alguns correligionários, a associação com Trump pode representar mais um risco do que uma vantagem, em meio à queda da popularidade do ocupante do Salão Oval.

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A primeira-dama Melania Trump também não comparecerá à convenção, enquanto o líder da maioria no Senado, John Thune, estará em Dallas, mas não subirá ao palco, instigando ainda mais especulações sobre sua falta de alinhamento com o presidente.

Essa falta de adesão também se reflete no tamanho esperado do público. A convenção em Dallas deve reunir cerca de 20 mil pessoas, menos da metade dos 50 mil participantes da reunião republicana em Milwaukee, em 2024, realizada após Trump sobreviver a uma tentativa de assassinato. 

Olivia Wales, porta-voz da Casa Branca, por sua vez, descreveu Trump como “o líder inequívoco e o motivador incomparável do Partido Republicano, comprometido em manter as maiorias republicanas no Congresso”. Segundo ela, o presidente irá “estabelecer um forte contraste entre sua agenda de bom senso” e o que chamou de “democratas radicais” no Congresso.