A ministra Estela Aranha, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), determinou na noite de sexta-feira (28) a quebra do sigilo dos dados cadastrais do Instagram do novo presidente da Acadêmicos de Niterói, Hugo Júnior. A decisão atende a um pedido do partido Missão, que move uma ação contra a escola de samba para apurar a suposta prática de propaganda antecipada para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante o carnaval. A medida busca permitir que ele seja formalmente not

A ministra Estela Aranha, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), determinou na noite de sexta-feira (28) a quebra do sigilo dos dados cadastrais do Instagram do novo presidente da Acadêmicos de Niterói, Hugo Júnior. A decisão atende a um pedido do partido Missão, que move uma ação contra a escola de samba para apurar a suposta prática de propaganda antecipada para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante o carnaval. A medida busca permitir que ele seja formalmente notificado em nome da agremiação.

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Como informamos no blog nesta segunda-feira, um outro processo semelhante, de autoria do partido Novo, está travado no tribunal desde fevereiro porque nenhum representante legal da escola foi encontrado para que a citação formal fosse feita. Por isso, o Missão alegou que as diligências de localização física da pessoa jurídica da agremiação “foram esgotadas”.

Relatora do caso, Estela Aranha acolheu o pedido e determinou que a rede social forneça “todos os dados cadastrais vinculados à conta”, incluindo eventuais transações financeiras que contenham informações sobre o endereço de Hugo Júnior.

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Sem a citação formal, o processo não pode prosseguir, uma vez que o prazo para apresentar defesa só começa a contar a partir dessa notificação oficial. Caso a situação permaneça, também há a possibilidade da escola de samba ser citada por edital. As outras partes da ação — o presidente Lula e o Partido dos Trabalhadores (PT) — já foram devidamente notificadas.

O desfile da Acadêmicos de Niterói ocorreu no dia 15 de fevereiro, e Lula compareceu na Marquês de Sapucaí para acompanhar. A primeira-dama, Janja, foi convidada para desfilar, mas desistiu após as pressões da oposição e a resistência de aliados. O enredo contou a trajetória de Lula a partir da infância até chegar à Presidência da República.

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A última de uma série de diligências na ação protocolada pelo Novo ocorreu no dia 12 de agosto. Em fevereiro e julho, foram feitas duas tentativas de citação pelos Correios, que devolveu as correspondências.

Diante dessa situação, um oficial de justiça do Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) foi designado para realizar buscas em quatro endereços fornecidos pelo partido. A Carta de Ordem foi enviada pela própria ministra Estela Aranha.

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De acordo com a ação, o samba-enredo “extrapola os limites de uma homenagem” ao associar a trajetória do petista com elementos de cunho eleitoral. Assim como o Missão, o Novo chegou a entrar com uma liminar para proibir o desfile, o que foi rejeitado por unanimidade pelos ministros do TSE, que apontaram censura prévia.

No dia 3 de agosto, o oficial Lucas Ferreira Costa compareceu na Cidade do Samba Joãosinho Trinta, no bairro do Santo Cristo, destinado aos barracões das escolas de samba do Grupo Especial. Mas não havia ninguém da Acadêmicos de Niterói para ser citado. Como a escola foi rebaixada para a Série Ouro, o galpão rotativo agora é ocupado pela União de Maricá.

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O servidor informa que, no mesmo dia, se dirigiu ao Fluminense Atlético Clube, no Centro de Niterói, onde segundo a própria escola informou à Liga Independente das Escolas de Samba do Rio (Liesa) fica a nova quadra. Mas o local estava fechado. Segundo relatos da vizinhança, o local não funciona às segundas-feiras.

No mesmo dia, o oficial foi a um terceiro local apontado no mandado: um endereço no bairro de Itaipu, também em Niterói, que consta no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica como sede da agremiação. O oficial de justiça afirma que o prédio está desocupado e com placas de “aluga-se”.

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“Buscando mais informações com a vizinhança, fui informado de que a escola utilizava a quadra do grupo de carnaval chamado ‘Bloco Sossego’, situado na localidade Largo da Batalha, em Pendotiba, Niterói, onde, por volta das 16h, não localizei barracão de escola de samba ou imóvel assemelhado que pudesse identificar a agremiação a ser citada”, contou Costa.

Ele retornou ao Fluminense Atlético Clube no dia seguinte e, “devidamente identificado e autorizado”, localizou apenas um depósito de instrumentos de percussão no fundo do imóvel. No local, um homem que se identificou como “Demétrius” disse ser o mestre de bateria da escola, mas ressaltou “que não representa legalmente a referida agremiação, não exerce atividades administrativas e tampouco compõe seu quadro de dirigentes”.

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