Ignaz Semmelweis, obstetra húngaro do século XIX, revolucionou a medicina ao relacionar a lavagem das mãos com a queda drástica da mortalidade por infecções. Em um contexto dominado pela crença em “ares ruins” e miasmas, sua proposta simples enfrentou forte resistência, mas tornou-se um marco na história da prevenção de infecções. Quem foi Semmelweis e... The post Um médico do século XIX salvou milhares de vidas ao obrigar médicos a lavar as mãos antes dos p

Em um contexto dominado pela crença em “ares ruins” e miasmas, sua proposta simples enfrentou forte resistência

Um médico do século XIX salvou milhares de vidas ao obrigar médicos a lavar as mãos antes dos partos Whastapp Facebook Linkedin Twitter COMPARTILHAR

Ignaz Semmelweis, obstetra húngaro do século XIX, revolucionou a medicina ao relacionar a lavagem das mãos com a queda drástica da mortalidade por infecções.

Em um contexto dominado pela crença em “ares ruins” e miasmas, sua proposta simples enfrentou forte resistência, mas tornou-se um marco na história da prevenção de infecções.

Semmelweis trabalhava em uma maternidade em Viena, que possuía duas clínicas com taxas de mortalidade muito diferentes. Na clínica atendida por médicos e estudantes, a febre puerperal matava muitas mulheres; na das parteiras, o número de óbitos era bem menor.

Intrigado com essa discrepância, ele passou a observar rotinas, horários e procedimentos. Percebeu que as mulheres eram internadas em condições semelhantes, mas a prática diária dos profissionais diferia de forma decisiva.

Quand Ignace Semmelweis a demandé aux médecins de son service de se laver les mains avant un examen, il a découvert que le taux de mortalité passait de 18% à 1,3%. Malgré l’efficacité de cette technique, elle a été rejetée par la communauté médicale pendant plusieurs années. pic.twitter.com/YzkrRmZPzT

Estudantes e médicos realizavam autópsias pela manhã e, em seguida, examinavam gestantes sem higienizar adequadamente as mãos. Após a morte de um colega por infecção semelhante à febre puerperal, Semmelweis suspeitou da transferência de “partículas cadavéricas”.

Sem conhecer ainda a teoria dos germes, ele introduziu a lavagem das mãos com solução clorada antes do atendimento às parturientes. A simples mudança de rotina serviu como um experimento clínico de grande impacto.

Após a adoção sistemática da solução clorada, a mortalidade por febre puerperal caiu de valores de dois dígitos para cerca de 1%. Mesmo sem explicação microbiológica, os números mostravam que algo invisível estava sendo interrompido.

Hoje se sabe que a higienização elimina ou reduz microrganismos presentes na pele dos profissionais de saúde. Esse controle de agentes infecciosos é pilar essencial da prevenção de infecções hospitalares.

In 1847, Ignaz Semmelweis discovered that doctors washing their hands before delivering babies dramatically reduced maternal mortality from childbed fever.The mortality rate in his ward dropped from 18% to 1%.The medical establishment rejected the finding.His evidence was… pic.twitter.com/5oJ1GewCIB

A aceitação foi lenta, pois significava admitir que médicos contribuíam para mortes evitáveis. Semmelweis demorou a publicar seus dados, usou linguagem técnica e confrontou colegas, o que agravou resistências pessoais e institucionais.

Com Pasteur e Lister, a teoria microbiana deu base científica às observações de Semmelweis. Décadas depois, sua contribuição foi reconhecida, inspirando campanhas globais de higiene das mãos, especialmente em cenários de epidemias e pandemias.

Atualmente, organismos internacionais definem técnicas padronizadas para reduzir a transmissão de patógenos em hospitais, clínicas e também na comunidade. Essas orientações combinam água e sabão com preparações alcoólicas em momentos específicos.

Entre as boas práticas básicas de higienização das mãos, destacam-se:

Retirar anéis, pulseiras e relógios antes de higienizar.

Molhar as mãos, aplicar sabonete ou antisséptico e friccionar toda a superfície.

Esfregar palmas, dorso, entre os dedos e unhas por tempo suficiente.

Enxaguar bem, secar com material limpo e usar álcool quando indicado.