O avanço houthi sobre o Mar Vermelho mostra como um Irã mais fraco pode tornar a guerra mais cara
Depois de quase quatro anos em que as linhas de frente no Iêmen permaneceram praticamente congeladas, os rebeldes houthis, apoiados pelo Irã, voltaram a avançar. Em poucos dias, tomaram portos e trechos da costa do Mar Vermelho, além da ilha de Perim, plantada no Estreito de Bab el-Mandeb – a rota que, pelo Canal de Suez, liga o Oceano Índico ao Mediterrâneo e vinha servindo de alternativa de escoamento de petróleo ante o fechamento intermitente do Estreito de Ormuz. De suas novas posições, os houthis podem ameaçar as rotas que atravessam Bab el-Mandeb com armas mais simples e baratas do que as que usavam quando atacavam navios a centenas de quilômetros de distância.
Os houthis têm ambições próprias e não obedecem mecanicamente ao Irã. Mas foram armados por Teerã e integram a rede de milícias mobilizadas pelos aiatolás para multiplicar os pontos de pressão sobre seus adversários. É isso que torna o teatro iemenita parte da guerra em curso entre os EUA e o Irã. A ofensiva ocorre justamente quando os americanos começam a obter resultados no outro grande gargalo petrolífero da região. Nos últimos dias, cerca de 10 milhões de barris de petróleo voltaram a atravessar o Estreito de Ormuz diariamente, o maior volume desde julho. Ao mesmo tempo, as exportações iranianas haviam despencado.



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