A tecnologia furtiva revolucionou a aviação militar, tornando alguns dos caças e bombardeiros mais avançados do mundo extremamente difíceis de detetar. No entanto, essa vantagem poderá estar prestes a ser posta em causa. A...
18 Jul 2026 · High Tech 16 Comentários
A tecnologia furtiva revolucionou a aviação militar, tornando alguns dos caças e bombardeiros mais avançados do mundo extremamente difíceis de detetar. No entanto, essa vantagem poderá estar prestes a ser posta em causa. A IA desmascara um dos mais poderosos trunfos das grandes potências.
Durante décadas, os aviões furtivos foram vistos como uma das maiores vantagens tecnológicas da aviação militar. Modelos como o F-22 Raptor, o F-35 Lightning II ou o bombardeiro B-2 Spirit foram concebidos para reduzir ao máximo a probabilidade de serem detetados pelos radares inimigos, permitindo-lhes operar em zonas altamente protegidas com um risco muito menor de interceção.
Mas essa vantagem poderá começar a diminuir. Um grupo de investigadores apresentou um novo sistema de radar que promete detetar aeronaves furtivas recorrendo a técnicas muito diferentes das utilizadas pelos radares convencionais.
Ao contrário da ideia que muitas pessoas têm, um avião stealth não é invisível. O objetivo passa por reduzir ao mínimo a quantidade de ondas que são refletidas para a antena emissora.
Para conseguir isso, estas aeronaves combinam várias soluções. A própria fuselagem é desenhada com ângulos específicos para desviar as ondas de radar, são utilizados materiais capazes de absorver parte dessa energia e os motores são concebidos para reduzir a assinatura térmica.
Até o armamento é normalmente transportado em compartimentos internos, evitando suportes externos que aumentariam a presença no radar.
O resultado é uma aeronave cuja assinatura que aparece no radar pode ser dezenas ou centenas de vezes inferior à de um caça convencional, tornando muito mais difícil a sua deteção.
A maioria dos radares militares utiliza as bandas X, C e Ku, que recorrem a comprimentos de onda relativamente curtos.
Estas frequências oferecem uma elevada precisão na deteção e acompanhamento de alvos, sendo ideais para sistemas de controlo de tiro e orientação de mísseis. No entanto, foi precisamente para minimizar a reflexão destas frequências que os aviões furtivos foram concebidos.
Por essa razão, os sistemas de defesa aérea modernos recorrem cada vez mais a uma abordagem multisensor, combinando radares que operam em diferentes bandas de frequência com sensores infravermelhos, sistemas passivos e até informação proveniente de satélites, aumentando assim a probabilidade de detetar aeronaves de baixa assinatura radar.
Segundo os investigadores, o novo sistema utiliza uma abordagem completamente diferente da dos radares tradicionais.
Em vez de depender apenas da intensidade do sinal refletido, analisa alterações extremamente subtis provocadas pela passagem da aeronave através do espaço aéreo. Para isso, combina novas técnicas de processamento digital de sinal, algoritmos avançados e inteligência artificial.
Esta combinação permite distinguir padrões que anteriormente ficavam escondidos no chamado "ruído" do radar. Na prática, mesmo que o avião reflita muito pouca energia, o sistema consegue identificar pequenas perturbações suficientes para indicar a presença da aeronave.
É precisamente nesse pequeno sinal de retorno que reside a inovação. Através da Inteligência Artificial, o novo radar consegue analisar os ínfimos detalhes do eco refletido, reconstruir uma imagem do alvo e detetar aeronaves furtivas que passariam despercebidas aos sistemas convencionais.
Um dos grandes trunfos desta tecnologia é a inteligência artificial. Em vez de analisar apenas o sinal refletido, o sistema interpreta grandes volumes de dados em tempo real, aprendendo a diferenciar aves, fenómenos atmosféricos, interferências, drones e vários tipos de aeronaves.
Desta forma, consegue reduzir significativamente os falsos alarmes e aumentar a eficácia na deteção de alvos que, até agora, passavam despercebidos aos radares convencionais.
Ainda é cedo para tirar essa conclusão. A história da aviação militar mostra que existe uma constante corrida tecnológica entre quem desenvolve sistemas de defesa e quem procura contorná-los. Mesmo que este radar consiga localizar uma aeronave furtiva, isso não significa automaticamente que seja capaz de a seguir com a precisão necessária para um sistema de defesa a intercetar.
Por outro lado, os fabricantes não ficarão parados e deverão continuar a desenvolver novas soluções para reduzir ainda mais a assinatura radar e manter a vantagem das aeronaves stealth.
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