Quando Willian Boelcke perdeu o pai para um câncer de pele diagnosticado tardiamente, decidiu mudar de carreira. Abandonou a ideia de cursar Economia, formou-se em Odontologia na Unicamp, mergulhou na pesquisa em oncologia e, anos depois, fundou a AI Pathology, uma healthtech que usa inteligência artificial para identificar lesões suspeitas de câncer de pele a [...] The post Uma startup brasileira quer liderar a AI contra o câncer de pele. A Nvidia aposta nisso appeared first on Brazil

Quando Willian Boelcke perdeu o pai para um câncer de pele diagnosticado tardiamente, decidiu mudar de carreira.

Abandonou a ideia de cursar Economia, formou-se em Odontologia na Unicamp, mergulhou na pesquisa em oncologia e, anos depois, fundou a AI Pathology, uma healthtech que usa inteligência artificial para identificar lesões suspeitas de câncer de pele a partir de uma simples foto feita pelo celular.

Agora, a startup fundada em Limeira, no interior de São Paulo, acaba de dar mais um passo em sua estratégia de expansão ao ingressar no programa Inception, da Nvidia, que oferece acesso à infraestrutura computacional, treinamento e mentoria para startups de AI.

O objetivo é ambicioso: construir o maior banco de imagens de lesões de pele do mundo e transformar uma característica tipicamente brasileira – a enorme diversidade de tons de pele – em vantagem competitiva.

“Como o Brasil reúne uma das maiores variabilidades de pele do mundo, conseguimos treinar uma inteligência artificial que pode ser exportada para qualquer país,” disse Boelcke, que fundou a startup em 2024 com Lucas Souza, também dentista e que se especializou em AI para diagnóstico em oncologia. 

Hoje, a base da empresa reúne cerca de 90 mil imagens coletadas em parceria com instituições de todos os estados. A meta é chegar a 4 milhões de imagens, formando um dos maiores datasets globais para treinamento de AI em dermatologia.

O aplicativo da Pathology, o Nevo (termo médico dado às pintas), permite que qualquer pessoa fotografe uma lesão pelo celular e receba, em poucos segundos, uma classificação de risco. 

O sistema funciona em qualquer celular com câmera, inclusive nos aparelhos mais simples e baratos do mercado. Segundo Boelcke, a taxa de acurácia da AI foi de 93%. Com 230 mil novos casos por ano, o câncer de pele é o tipo mais comum de tumor no Brasil. 

O principal caso de uso até agora foi desenvolvido em parceria com o Senar, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural, de Goiás. A Pathology avaliou pintas de 2.058 trabalhadores rurais, uma das populações mais vulneráveis ao câncer de pele devido à exposição solar crônica. 

A tecnologia classificou como prioritários cerca de 10% deles e identificou 75 casos de câncer de pele em estágio inicial, encaminhados para tratamento emergencial. 

No ano passado, o estudo com os trabalhadores rurais de Goiás foi premiado por um Hackathon da Escola de Saúde Pública de Harvard. Hoje a startup brasileira faz parte do Harvard Innovation Labs.

Boelcke acredita que o modelo pode ajudar a reduzir um dos maiores gargalos do sistema de saúde brasileiro: a fila para consultas com dermatologistas. 

São 12 mil profissionais registrados no Brasil — o que equivale a uma proporção média de um dermatologista para 17 mil habitantes — e a maioria está concentrada no Sul e Sudeste.