Valha-nos o “Santo Diogo Costa” que manteve a baliza a salvo numa exibição muito pobre da seleção nacional. A Croácia vai fazer a vida difícil a Portugal? Ainda a lista completa dos 16 avos de final.

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Uma exibição muito pobre da seleção portuguesa culminou com o nulo frente à Colômbia. Cumpre-se aqui o objetivo mínimo de apuramento, mas o segundo lugar no grupo K dita já aqui um cruzamento de fogo. Portugal vai defrontar a Croácia nos 16 avos de final. Fora deste universo luso, a jornada de ontem e esta madrugada teve mais acerto de contas. A Inglaterra de Kane e Bellingham fez o que lhe competia frente ao Panamá, a Argentina de Messi despachou a Jordânia e houve ainda um festival de gols entre a Argélia e a Áustria. São os destaques desta edição de "O Campeão É". Hoje com a análise do Pedro Henriques, do Luís Pinto Coelho e também do João Pinto. Eu sou o João Costa e Silva e vamos começar, inevitavelmente, por esse nulo. Portugal zero, Colômbia também zero. Um jogo muito amarrado e à hora que foi, trouxe muito sono para qualquer português. Luís, Diogo Costa foi a estrela da companhia e só o facto do guarda-redes português ter sido nomeado o homem do jogo já explica bem a toada deste encontro, ou não?

Olá, bom dia. Sim, mostra um bocadinho do que foi a partida, obviamente. O Diogo Costa esteve muito bem e com exibições assim vai ser difícil continuar no Futebol Clube do Porto. Mas falando da seleção, eu ontem aqui referi que o problema da transição defensiva e do processo defensivo de Portugal preocupava-me e ontem percebeu-se isso. Portugal defende mal e vai ser sempre difícil defender bem quando, por exemplo, temos o Ronaldo em campo. O Ronaldo posiciona-se mal, obriga a constantes correrias o Bruno Fernandes, a equipa depois fica sempre descompensada e anda sempre em busca do prejuízo e está sempre mal posicionada. Obviamente que o trabalho tem que ser melhor, mesmo com o Ronaldo em campo, mas é um handicap, porque quando temos jogadores como o Messi ou como o James Rodríguez, que são débeis no processo defensivo, é fácil de esconder essas debilidades quando os jogadores, por exemplo, encostam a uma ala, defendem numa ala, mas o corredor central está protegido. O problema é que o Ronaldo não defende numa ala, defende na frente e defende completamente distanciado da equipa. E abre um espaço enorme, que depois tenta ser compensado com o Bruno Fernandes ou com o Vitinha, mas isso depois abre um espaço enorme no meio-campo e cria muitos problemas. E depois contra jogadores como o Jhon Arias, James Rodríguez, Portugal vai sofrer sempre muito. Portugal tinha que defender duas linhas de quatro e uma linha de dois lado a lado. Não pode defender com um jogador completamente isolado na frente e depois outro jogador cinco ou seis metros atrás. Isso é um problema em termos defensivos. E depois o que o Ronaldo dá sem bola, não é compensado com o que ele dá com bola. Eu percebi o que o Roberto Martínez quis com o Rúben Neves, só que depois é logo posto em causa da forma como a gente defende, porque a equipa fica logo completamente toda descompensada. Isso é algo que eu acho que, por exemplo, da Liga das Nações para agora, Portugal piorou. Acho que estava a defender melhor e agora está a defender pior. E antes vejo muitas dificuldades contra o meio-campo, por exemplo, da Croácia, que é um meio-campo muito compacto, bem posicionado. É algo que vamos ter que mudar, senão vamos passar mal.

João Pinto, primeiro perguntar-te se adormeceste ou não a ver este jogo, que já foi assim a partir da meia-noite e meia, e se partilhas também destas críticas aqui do Luís Pinto Coelho em relação ao meio-campo da seleção e este jogo coletivo mais defensivo que de facto não está a funcionar muito bem.

Olá, bom dia. Concordo. Acho que os pontos principais são esses, a maneira como nós não conseguimos jogar como equipa, não é só a defender, mesmo a atacar. Temos alguma dificuldade em nos organizar. E depois dá a ideia que todas as outras seleções, fazendo um trabalho de casa muito básico sobre Portugal, nos conseguem manietar tapando o Nunes, fechando ali à frente do meio-campo, separando, metendo alguém entre o Ronaldo e o resto da equipa. E a equipa realmente fica muito esticada, fica muito comprida, obriga a grandes correrias e, como dizia ontem o Pedro Henriques, e de certeza que ele vai sublinhar isso na opinião dele, quando jogas com esta temperatura, com esta humidade e obrigas a malta a correr o que eles tiveram que correr, naturalmente a coisa não pode correr bem. Eu hoje estava a ver uma notícia em que dizia que fui ver o concerto do Shaggy e não foi bom. Pois, foi mesmo com Portugal. Nós já sabíamos que não ia ser bom, vimos na mesma, porque realmente já estamos a falar de jogos de lendas e os jogos de lendas já são para exibição, já não são para competição. A este nível, os jogos de lendas é difícil terem sucesso.

Pedro Henriques, muito bom dia. Vou aproveitar aqui a deixa do João Pinto e perguntar-te o que correu mal ontem à seleção nacional. Um jogo em que vimos muito pouco.

Sim, o João Pinto está a falar num ponto que eu sei que as temperaturas e as umidades estavam iguais para ambas as seleções e essa é sempre uma questão, mas isso faz muita diferença naquilo que é o rendimento. Não vou estar aqui a falar da fisiologia. Eu acabei de fazer mais uma das minhas provas de 10 km e só por correr, isto é autêntico, com calor na zona do Jamor, com mais seis, sete, oito graus, que normalmente costumo correr nas provas, eu fiz menos cinco minutos. É certo que a seleção também me tirou aqui. Aliás, pirei o meu tempo em cinco minutos de rendimento. Por quê? Porque é se respirar, é se ter um rendimento que o corpo não consegue quando não está adaptado. E só estamos a falar de aumento de temperatura, porque no meu caso concreto tenho mais dificuldade quando é assim com calor. Ontem estavam 29°C, estava uma umidade de 72%. Aquilo que era a sensação térmica é 33°C e não sendo razão nem desculpa, mas estava até a rever aqui um dos meus slides que damos na fisiologia na faculdade, que tem a ver com desidratação acentuada, a questão do suor e dificuldade de evaporação, frequência cardíaca mais elevada, fadigas precoces, exaustão, perda de capacidade de tomar decisão, etc. E sobretudo na questão da afetação do ritmo. Isto para dizer o quê? Que percebia-se claramente que eles quando paravam, estavam a respirar de forma menos normal. Isso não justifica tudo, não justifica aspectos técnico-táticos, não justifica, no meu ponto de vista, sobretudo os discursos que estou a ficar preocupado, porque é a falta de realismo do nosso selecionador depois de ver o jogo. O próprio Rafael Leão é um bom exemplo em termos de discurso, porque parece que estão fora da realidade. Uma coisa é terem jogado melhor ou pior, agora não perceber em termos realísticos. Certo, podíamos ter marcado, é verdade, mas podíamos ter sofrido. E o resultado justo, na minha perspetiva, mais do que o empate, era a derrota ou a vitória da Colômbia. É um fato, por aquilo que aconteceu, tão simples quanto isso. Depois é aquela questão que ficamos com, enfim, é sempre fácil depois fazer o Totoloto ou o Totobola à segunda-feira, como costumamos dizer. Mas é aquela ideia que acho que ontem, claramente, o Gonçalo Ramos por ter entrado depois para substituir o Cristiano Ronaldo. Acho que quando joga João Neves tem que jogar Vitinha, na minha perspetiva, obviamente percebo. O João Félix quando joga com o CR7. Percebo a ideia do Rúben Neves, mas no meu ponto de vista não resultou, pelo menos nessa ideia do refresh. Vamos ver. Eu acho que neste momento é uma sensação de que as coisas não estão assim tão bem quanto isso. E eu olhando para o lado do braço onde nós fomos agora parar e olhando para os adversários, estamos sempre à espera que agora como é o mata-mata e agora é ou vens para casa ou ficas.