Corrente comercial agrícola dos dois países somou US$ 64 bilhões no ano passado

A coluna é assinada pelo jornalista Mauro Zafalon, formado em jornalismo e ciências sociais, com MBA em derivativos na USP

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Donald Trump continua levando problemas para os produtores agrícolas americanos. Após perder boa parte do mercado da China, o principal no mundo nesse setor, deve embaralhar as negociações com o Canadá, o segundo maior parceiro comercial dos Estados Unidos, atrás apenas do México.

Em 2025, a corrente comercial agrícola, incluídos os demais produtos relacionados ao setor, como os florestais, somou US$ 64 bilhões (R$ 327 bilhões), praticamente equilibrada, com US$ 32 bilhões (R$ 163 bilhões) para cada. Já, se considerados apenas os produtos agrícolas, o volume financeiro da relação comercial entre os dois países fica em US$ 51 bilhões (R$ 260 bilhões), com ganho das exportações dos americanos, que somaram US$ 28,7 bilhões (R$ 146 bilhões).

Nem todos os produtos agropecuários estão na relação dessa disputa tarifária, mas essa amarra nas negociações mina toda a estrutura produtiva, logística e comercial, construída pelos dois países ao longo das últimas décadas. Se durar, é um caminho para a busca de novos parceiros por parte de ambos. E o Brasil, assim como ocorreu na briga dos Estados Unidos com a China, tende a ganhar espaço.

Na lista das compras dos dois países estão as carnes, onde o Brasil se destaca no cenário mundial. A corrente comercial entre eles atingiu US$ 4,9 bilhões (R$ 25 bilhões) no ano passado nesse setor, considerando as proteínas bovina, suína e de frango. Os Estados Unidos importaram o correspondente a US$ 1,6 bilhão (R$ 8,1 bilhões) de carne bovina do Canadá. Os americanos vêm com um déficit no setor e aumentam as compras externas ano a ano, principalmente do mercado brasileiro.

De janeiro a agosto, os Estados Unidos compraram 269 mil toneladas de carne bovina no Brasil, no valor de US$ 1,8 bilhão (R$ 9,2 bilhões), segundo dados da Abiec (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne). Essa falta de produto no mercado interno americano e a elevação dos preços em período de eleições fizeram Trump anunciar que vai isentar o produto brasileiro por um período.

O mercado de frutas e de legumes entre os dois países também é importante, mas o Brasil ainda não se desenvolveu suficientemente para fazer frente a outros competidores nesse setor. O mesmo ocorre com lácteos, cuja corrente comercial entre canadenses e americanos somou US$ 1,6 bilhão (R$ 8,1 bilhões) em 2025.

O comércio de etanol, produto que o Brasil está entre os líderes em produção, atingiu US$ 1,75 bilhão (R$ 8,9 bilhões) no ano passado entre os dois países, com domínio dos americanos. As exportações dos Estados Unidos para o Canadá somaram US$ 1,7 bilhão (R$ 8,7 bilhões). Outro setor importante na relação comercial entre os dois é o de rações para cães e gatos. Os americanos exportaram US$ 1,2 bilhão (R$ 6,1 bilhões) e importaram US$ 125 milhões (R$ 638 milhões). Esse é um setor com bom desenvolvimento no Brasil.

Na área de farelo de soja, óleo e grãos, o domínio das exportações é dos Estados Unidos, o mesmo ocorrendo com o de suco de frutas.

As exportações brasileiras da agropecuária e de produtos relacionados ao agronegócio para Estados Unidos e Canadá tiveram rápida evolução nos últimos anos. Em 2020, os brasileiros exportavam US$ 6,5 bilhões (R$ 33 bilhões) para os americanos e US$ 578 milhões (R$ 2,9 bilhões) para os canadenses. No ano passado, os valores subiram para US$ 11 bilhões (R$ 56 bilhões) e US$ 1,3 bilhão (R$ 6,64 bilhões), respectivamente.

Com relação às importações brasileiras, o Brasil gasta mais no Canadá do que nos Estados Unidos. Em 2025, devido ao peso dos fertilizantes, as importações brasileiras dos canadenses somaram US$ 1,7 bilhão (R$ 8,9 bilhões), um pouco acima do US$ 1,5 bilhão (R$ 7,7 bilhões) de compras dos americanos.

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