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Várias instituições e figuras do setor cultural mostraram hoje solidariedade e apoio à acampada no Porto, que esta madrugada foi alvo de uma carga policial que deixou 39 feridos, dois dos quais graves.
A Livraria Trama apela à participação na nova concentração de hoje, pelas 19:00, assim como o Túnel e o Sismógrafo, que repudiam a violência policial que ocorreu de madrugada, quanto a polícia carregou sobre os manifestantes pelas 03:00.
“A resposta à crise da habitação não pode ser a repressão de quem a denuncia”, critica A Piscina, que não quer estar “desligada” das lutas da cidade enquanto projeto artístico da Secção Cultural de Artes Performativas do Sport Club do Porto.
Também a Rampa condena a violência policial, a Livraria Flâneur antecipa a hora de fecho para as 18:30 para poder marcar presença na nova concentração e defender o Porto como “uma cidade para pessoas que defendam a liberdade, os direitos humanos, a dignidade”.
Os escritores Judite Canha Fernandes e Samuel F. Pimenta também se posicionaram, assim como Anabela Mota Ribeiro, que considera o que se passou “gravíssimo, inaceitável, prenúncio e rememoração de um tempo de chumbo”.
Entre os apoios estão a Casa da Horta, uma associação despejada do local onde exercia atividade há 17 anos, e a associação de estudantes da Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto, além de posicionamentos de outros artistas, como Jubilant ou Mariana a miserável, entre atores, músicos e outros profissionais ligados à arte e à cultura.
Já hoje, os cantores Capicua e Pedro Abrunhosa se tinham posicionado, defendendo a primeira que “o Porto sempre se bateu pela Liberdade” e o segundo o diálogo após “décadas de negligência” quanto ao direito à habitação no país.
A Cassandra, estrutura de criação que também tem um espaço e livraria, na Avenida de Camilo, manifestou apoio e dedicou o mostrador à entrada da livraria à crise da habitação.
Já a apresentadora Filomena Cautela também sinalizou o apoio ao movimento, numa publicação instantânea no Instagram: “convosco”, a rede social em que Aldina Duarte assinalou também solidariedade.
“A casa é a construção da dignidade humana, de que é que estão à espera? As pessoas não são o lixo que se varre para debaixo do tapete”, escreveu.
O movimento pela habitação que tem protestado no Porto desde sábado, com uma acampada que ali começou nesse dia, denunciou uma carga policial esta madrugada que causou ferimentos em 39 dos participantes, dois dos quais ficaram em estado grave.
“Na madrugada desta quinta-feira, às 02:56, as forças policiais intervieram na acampada pela habitação na Praça D. João I, no Porto, numa operação destinada a pôr termo ao protesto”, refere o movimento em comunicado.
De acordo com o movimento, entre os feridos está uma pessoa com deficiência e vários participantes na concentração foram hospitalizados.
Os participantes voltaram a instalar tendas durante a noite, que foram retiradas pela polícia, depois de o presidente da Câmara do Porto, Pedro Duarte, ter dito na quarta-feira que seria “absolutamente implacável com qualquer tentativa de colocação de tendas” na Praça D. João I.
O movimento apresenta seis reivindicações principais: “abaixo a lei das rendas; fim dos despejos; fim da compra de imóveis por fundos abutres; mais habitação pública; recuperação de imóveis devolutos para habitação; tetos às rendas”.
Na nota de hoje, o movimento “denuncia veementemente o uso de força extrema, desproporcional e injustificada durante a intervenção policial na acampada, que se manteve, desde o primeiro momento, pacífica, sem nunca incitar à violência”, considerando a carga “inaceitável” e pedindo responsabilidades.
A PSP confirmou entretanto um polícia ferido e a existência de feridos entre os manifestantes, sem precisar quantos, atribuindo a razão da intervenção a “comportamentos de resistência”.
O presidente da Câmara do Porto, Pedro Duarte, disse hoje que a PSP se viu “forçada” a atuar perante a atitude dos manifestantes, tendo lamentado o incidente.
Na quarta-feira, numa assembleia popular, as pessoas votaram por manter o protesto e voltar a dormir em tendas, manifestando o grupo vontade de “continuar a crescer e não só no Porto”, apelando a outras cidades, como o que já está convocado para Lisboa no sábado.
Na segunda-feira, a Polícia Municipal retirou cerca de 50 tendas que estavam armadas na praça, fundamentando a câmara que o acampamento ocupava indevidamente o espaço público, levando os manifestantes a dormir ao relento, mantendo o protesto mesmo sem isso.




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