Pesquisas apontam possível derrota do atual primeiro-ministro, em meio a um cenário conturbado no Oriente Médio
Compartilhar matériaIsrael realizará eleições nacionais no dia 27 de outubro. Esse será o primeiro pleito desde o ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023, que abalou o país e mergulhou o Oriente Médio em turbulência.
Embora as pesquisas prevejam derrota do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, as eleições podem ser complexas devido a um sistema político fragmentado, no qual qualquer um pode emergir como uma figura decisiva na formação de coalizões.
Pesquisas indicam que Netanyahu caminha para a derrota nas eleições.
Os ataques de 7 de outubro abalaram sua reputação de "guardião da segurança". Embora a população tenha apoiado amplamente as guerras contra o Hamas, o Hezbollah e o Irã, as pesquisas mostram baixa confiança na liderança de Netanyahu.
As políticas de seu governo sobre questões de religião e Estado também são impopulares entre muitos israelenses.
No entanto, o líder que está há mais tempo no poder em Israel é um sobrevivente político nato, e os levantamentos, até o momento, também não apontam um caminho claro para o poder para seus rivais.
Quem são os principais rivais de Netanyahu? O ex-chefe militar Gadi Eisenkot, que perdeu um filho na Faixa de Gaza, tem crescido nas pesquisas.
Eisenkot projetou uma imagem de alguém de fora da política tradicional — um soldado e defensor de uma linha dura em segurança —, cuja origem humilde e sacrifícios familiares contrastam fortemente com as décadas de Netanyahu em altos cargos e com as acusações de corrupção contra ele.
Há também os ex-primeiros-ministros Naftali Bennett e Yair Lapid, cuja aliança, apesar de estarem em lados opostos do espectro político, tirou Netanyahu do poder nas eleições de 2021.
Eles formaram um governo heterogêneo composto por partidos liberais e conservadores e, pela primeira vez na história de Israel, por um partido árabe islâmico. A administração durou 18 meses.
O ex-ministro da Defesa Avigdor Lieberman já foi assessor e aliado de Netanyahu e também aparece como possível rival.
Com uma postura ainda mais linha-dura que a de seu antigo chefe, Lieberman deixou o governo em 2018, acusando o primeiro-ministro de ser brando demais com combatentes palestinos em Gaza. Desde então, tornou-se um dos críticos mais ferrenhos de Netanyahu.
As eleições em Israel são parlamentares. A votação para o Parlamento, o Knesset, com 120 cadeiras, ocorre a cada quatro anos. Porém, na prática, poucas legislaturas do Knesset cumpriram o mandato completo.
Israel ficou preso em um ciclo de governos de curta duração e eleições que começou em 2019 e terminou em 2022, quando Netanyahu garantiu uma maioria parlamentar sólida e retornou ao poder à frente do governo.
A próxima eleição marcará um dos raros casos em que uma legislatura do Knesset completou o mandato integral.
As cadeiras do Knesset são distribuídas por meio de representação proporcional a listas partidárias nacionais que atingem a cláusula de barreira de 3,25% dos votos nacionais, o que equivale a quatro cadeiras.
Nenhum partido em Israel jamais conquistou a maioria absoluta; por isso, os governos são formados por coalizões de partidos. Quando surgem divergências, as coalizões podem se desfazer rapidamente.
Isso confere aos partidos pequenos grande influência sobre quem será nomeado primeiro-ministro e por quanto tempo ele permanecerá no cargo. Frequentemente, os premiês precisam lidar com demandas de grupos específicos para manter seus governos no poder.
Netanyahu tem dependido de partidos judaicos ultraortodoxos para sua sobrevivência política.
As exigências desses partidos para que sua comunidade fique, em grande parte, isenta do serviço militar obrigatório têm sido um tema de intenso debate em Israel, especialmente em tempos de guerra.


0 Comentário(s)
Deixe seu comentário