Presidente americano enalteceu feitos de sua mandato, criticou democratas e prometeu US$ 5 mil para adultos americanos caso republicanos vençam disputa no Congresso
Compartilhar matériaO presidente dos EUA, Donald Trump, e seu Partido Republicano encerraram, nesta quinta-feira (11), uma convenção atípica em Dallas, na esperança de fortalecer suas perspectivas para as eleições de Meio de Mandato.
A aposta é que uma demonstração de unidade partidária de grande repercussão mobilize os apoiadores e ajude os republicanos a contrariar a tendência histórica de derrotas nessas eleições.
Aqui estão cinco pontos principais da convenção de dois dias.
O Comitê Nacional Republicano havia apresentado a convenção como uma oportunidade para voltar a atrair a atenção dos eleitores para a agenda política de Trump e destacar os sucessos do partido em termos de políticas públicas.
No entanto, Trump e muitos outros oradores no palco da convenção dedicaram a maior parte do tempo a atacar os democratas, rotulando-os como extremistas de esquerda e perigosamente antiamericanos. O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, acusou os democratas de quererem transformar o país em um "cenário infernal socialista".
A tática de atacar adversários políticos e incutir medo em uma campanha eleitoral é uma estratégia utilizada por ambos os partidos há décadas. Trump há muito tempo faz de questões como criminalidade e imigração pontos centrais de seu apelo político.
O foco nos democratas ressaltou os desafios políticos que os republicanos enfrentam ao tentar defender suas maiorias no Congresso.
Com a insatisfação em relação aos preços elevados e à guerra no Irã pesando sobre Trump, os oradores argumentaram repetidamente que o controle democrata do Congresso representaria um risco maior.
O encontro ocorreu em um contexto de crescente descontentamento com a gestão da economia por parte de Trump e sua incapacidade de reduzir os preços elevados da gasolina e dos alimentos.
Trump tem sofrido pressão de assessores da Casa Branca desde o ano passado para falar mais sobre economia. No entanto, assim como tem feito há meses, Trump falou pouco sobre as dificuldades que os americanos enfrentam devido ao alto custo de vida.
Em vez disso, ele afirmou que as preocupações com a inflação eram exageradas, após um verão em que, segundo seus opositores, ele pareceu mais focado em reformas e projetos de legado em Washington — incluindo o salão de baile da Casa Branca.
Em seu discurso na noite de quarta-feira, Trump reiterou que a palavra "acessível" (em termos de preços) era "falsa" e que foram os democratas os responsáveis pelos preços altos.
"Estou reduzindo drasticamente os preços", disse Trump — uma afirmação que destoa dos dados econômicos do governo.
Trump e outros oradores destacaram seus cortes de impostos de 2025 — que resultaram em restituições maiores por parte da Receita Federal (IRS) para muitas famílias este ano — e seus esforços para reduzir os preços de medicamentos.
Trump e muitos republicanos acreditam que seus apoiadores do movimento Maga (Make America Great Again) são menos propensos a votar quando ele não está na cédula eleitoral, como ocorrerá em novembro.
"Façam de conta que estou na cédula", disse Trump, sob aplausos.
No entanto, estrategistas democratas podem ter tido mais motivos para comemorar, vendo a determinação dele em se colocar no centro da campanha como um reforço aos esforços deles para transformar a eleição em um referendo sobre um presidente impopular.
A estratégia de Trump é uma aposta arriscada que pode afastar eleitores indecisos cruciais — necessários para vencer as disputas legislativas —, mas que se distanciaram de Trump e de seu partido devido a diversas questões, incluindo a economia, a guerra e as operações de imigração.
Trump aproveitou o discurso para fazer várias promessas ambiciosas, algumas das quais podem ser difíceis de cumprir.
A mais extraordinária foi a proposta de pagar a cada adulto norte-americano um "dividendo Trump" de US$ 5 mil, caso os republicanos vençam as eleições e mantenham o controle de ambas as casas do Congresso.




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