Iniciativa em Novo Hamburgo é voltada a crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social; veja como funciona

ENTRE GOLS E OPORTUNIDADES

Iniciativa em Novo Hamburgo é voltada a crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social; veja como funciona

amanda.krohn@gruposinos.com.br

O que começou com a sugestão de um amigo, transformou-se em um marco importante na vida do venezuelano Geremy Nasareal Paredes Marcano, de 16 anos, agora bolsista na Escola de Aplicação Feevale, em Novo Hamburgo. Ele é um dos beneficiados pelo Projeto Futsal Social, voltado a crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade e organizado pela União Jovem do Rincão (UJR), Universidade Feevale e Prefeitura de Novo Hamburgo.

Amanda Krohn/GES-Especial

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A iniciativa atende mais de 600 jovens em seis territórios da cidade, incluindo migrantes estrangeiros, sendo 18 alunos venezuelanos participantes das aulas no contraturno escolar.

“Eu não gostava de jogar futebol, não era atleta, não gostava de muito esporte. Daí um amigo meu da escola que já participava, ele chegou em mim e perguntou ‘ô, por que tu não quer participar?’ e eu falei, ‘sei lá, vou ver’”, lembra Geremy, que participa do Futsal Social desde 2024.

“Fiquei pensando por uns três dias e fui ver como era a experiência. Descobri como me inscrever e na próxima semana comecei a frequentar”, continua.

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Foi por meio do projeto que o estudante conquistou sua bolsa de estudos na Escola de Aplicação Feevale, onde se matriculou neste ano. “No início era uma nova experiência, novos amigos, nem os professores eu conhecia. Pensei que ia ser difícil para eu me acostumar, mas não foi, me acostumei rápido, consegui fazer amigos que já são próximos, tenho uma boa amizade tanto com meus professores como com meus colegas, sou muito grato por isso”, afirma.

“Em questão de notas, mesmo sendo meu primeiro bimestre, estão muito boas. Gostei de conhecer a infraestrutura, os alunos, que se dedicam mesmo ao que fazem, isso é muito motivador para mim”, continua.

O Projeto possui, desde 2012, apoio e patrocínio de empresas por meio da Lei de Incentivo ao Esporte do governo federal, como Banrisul, Sulgás, Unique, Apta, SLC, Tacosola, Rissul, BRDE, Tintas Killing, Dass, Openfield, entre outras.

Geremy conta que mora no Brasil desde 2021, quando sua família precisou buscar melhores condições de vida. “Eu tinha dez anos. Era uma noite normal e minha mãe chega em mim e diz o seguinte: ‘se prepara porque amanhã a gente vai pro Brasil’. Foi algo impressionante, repentino, na época eu não entendia o motivo”, narra.

“Agora que eu estou com a mentalidade mais desenvolvida eu compreendo. Era por uma melhor qualidade de vida, para morarmos em um país com uma economia melhor, na época estava muito ruim. Enquanto aqui a gente se preocupa (e não é muito) com contas de água, luz ou aluguel, no nosso país a gente se preocupava com o que ia comer amanhã”, prossegue.

A assistente social Adriani Faria, que acompanha Geremy e seus dois irmãos Danny Luis Martinez Marcano e Andri Geraldo Cabeza Marcano desde a chegada ao projeto, revela, por meio de nota, que o trabalho busca garantir que esses adolescentes compreendam seus direitos e acessem as políticas públicas disponíveis para eles.

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