A Justiça de São Paulo manteve nesta sexta-feira (26), em audiência de custódia, a prisão do vereador Senival Moura (PT). Leia mais (06/26/2026 - 14h16)

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26.jun.2026 às 14h16

A Justiça de São Paulo manteve nesta sexta-feira (26), em audiência de custódia, a prisão do vereador Senival Moura (PT).

Ele foi detido na quinta-feira (25) sob a suspeita de integrar um esquema de lavagem de dinheiro para o PCC (Primeiro Comando da Capital) por meio da concessionária Transunião, que opera dois lotes do transporte público na capital paulista.

O petista, segundo a Polícia Civil e o Ministério Público, era controlador oculto e "o verdadeiro detentor do poder de condução da estrutura paralela de gestão financeira" da Transunião. Horas depois da prisão, na tarde de quinta, o prefeito Ricardo Nunes (MDB) decretou intervenção sobre a gestão da empresa.

A defesa do petista declarou na quinta ter recebido a prisão "com profunda indignação" e disse que a medida causa "enorme surpresa" porque "foi determinada em um momento extremamente sensível, às vésperas do período eleitoral, circunstância que inevitavelmente desperta questionamentos".

Disse também que o vereador "reafirma que confia na Justiça e tem absoluta convicção de que, ao longo da investigação, ficará demonstrada a inexistência de qualquer conduta ilícita de sua parte".

A Folha voltou a procurar a assessoria do parlamentar nesta sexta, mas não obteve retorno até a publicação deste texto.

Outros dois detidos na operação também passaram por audiência de custódia e tiveram a prisão mantida: Jair Ramos de Freitas, o Cachorrão, apontado como diretor informal da empresa de ônibus, e Devanil de Souza Nascimento, o Sapo, homem de confiança do vereador.

A defesa de Cachorrão afirmou à reportagem que ainda não teve acesso aos autos, mas que a decisão que decretou a prisão —único documento disponível até aqui, segundo o advogado Anderson Minichillo— não traz fundamentos novos.

"São argumentos e fundamentos de outras operações e processos já existentes, ainda em andamento, que já possuem diversos documentos e depoimentos que afastam toda e qualquer acusação de lavagem de dinheiro ou ligação com o crime organizado", disse Minichillo.

Já o advogado José Miguel da Silva Júnior, que representa Devanil, afirmou considerar desnecessária a detenção de seu cliente. Ele pediu ainda na quinta a revogação da prisão temporária, pleito sobre o qual a Justiça ainda não deliberou.

A audiência de custódia é uma checagem inicial sobre a regularidade da prisão. A pessoa deve ser apresentada a um juiz em até 24 horas, acompanhada de advogado ou da Defensoria Pública, e o magistrado avalia as circunstâncias da detenção para decidir se ela será mantida ou não, ou se decreta outras medidas restritivas, como comparecimento em juízo.

A investigação que deu origem à operação realizada nesta quinta começou após o assassinato de Adauto Soares Jorge, então presidente da Transunião, em 2020.

Segundo o Ministério Público, foram encontrados indícios de que um aumento do capital social da empresa, de R$ 100 mil para R$ 50 milhões entre os anos de 2015 e 2019, teria sido bancado com dinheiro do crime organizado.

Segundo as investigações, havia um núcleo paralelo que tomava decisões na empresa de transporte, incluindo a transferência de valores para criminosos ligados ao PCC.