Se saúde, e não dinheiro, é o que importa, como se diz, os moradores da Saúde não têm muito do que se queixar. A longevidade deles, de fato, é alta, média de 80 anos ao morrer, segundo o Mapa da Desigualdade da Rede Nossa São Paulo . Mas como o nome nem sempre corresponde inteiramente ao nomeado, o distrito é o 15o na média dos vários indicadores de saúde, ainda segundo o Mapa. Leia mais (07/24/2026 - 23h00)

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24.jul.2026 às 23h00

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Se saúde, e não dinheiro, é o que importa, como se diz, os moradores da Saúde não têm muito do que se queixar. A longevidade deles, de fato, é alta, média de 80 anos ao morrer, segundo o Mapa da Desigualdade da Rede Nossa São Paulo. Mas como o nome nem sempre corresponde inteiramente ao nomeado, o distrito é o 15º na média dos vários indicadores de saúde, ainda segundo o Mapa.

A marca é bastante aceitável: são 96 os distritos da capital. Limitada pela rua Loefgren, pelo aeroporto de Congonhas, pelas avenidas Rubem Berta e Ricardo Jafet e todos os seus prolongamentos, a Saúde também exibe boa musculatura imobiliária.

Entre maio de 2025 e abril deste ano foram 3.408 lançamentos, 63% mais do que nos 12 meses anteriores, segundo o Secovi.

É uma região de perfis distintos —e de perfis de distinção, como em Mirandópolis, Planalto Paulista e Chácara Inglesa. Lançamentos de alto padrão, entre R$ 1 milhão e R$ 5 milhões, foram 29% nos últimos 12 meses até abril, percentual quase idêntico ao da faixa intermediária, de imóveis entre R$ 400 mil e R$ 1 milhão, muito comuns principalmente no entorno da avenida Jabaquara, eixo principal de urbanização da região, por onde passa desde os anos 1970 a mais antiga linha do metrô paulistano, a Azul.

Na Ibituruna, uma travessa da Jabaquara entre as estações Saúde e São Judas, fica o Today Saúde, da Canopus, incorporadora decana mineira que desembarcou há 15 anos em São Paulo. A linha Today, espalhada por toda a cidade, é composta de apartamentos compactos, muitos deles comercializados segundo os instrumentos de habitação social HIS e HMP, mas no bairro inclui unidades maiores, de até 63 m², e garagem.

Para Hubert Carvalho, diretor de Inteligência de Produto da Canopus, a Saúde é uma região de "moradia por excelência", dando a entender que os habitantes de lá "têm fortes vínculos com o lugar", tal qual, quem sabe, o moquense ou o morador do Ipiranga. Hubert ainda destaca os preços acessíveis quando comparados aos da Vila Mariana, distrito limítrofe a norte. "A Saúde oferece a mesma coisa com valor de metro quadrado 20% a 30% menor."

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Segundo o índice FipeZap de junho, o metro quadrado do distrito vale R$ 10.866 para venda e R$ 49,30 para locação, ambos abaixo da média da cidade. Economista do Grupo OLX, que calcula o índice, Gabriela Domingos vê a Saúde a se "beneficiar desses preços mais acessíveis e da demanda que migra dos bairros vizinhos mais caros". "Isso sustenta tanto a valorização na venda, de 3,2% nos últimos meses até junho, quanto na locação, de 8,8% no mesmo período."

Ainda no mercado secundário, a startup imobiliária Loft registrou valorização de 4% no tíquete médio de venda de imóveis na Saúde de janeiro a maio de 2026 em comparação com o mesmo período do ano anterior. A média paulistana ficou acima, em 5,9%. Já o volume de vendas caiu 10,8% para os mesmos períodos. Os números da Loft são compilados a partir do pagamento do Imposto sobre Transmissões de Bens Imóveis feito à prefeitura.

A presença massiva de japoneses e seus descendentes é outra marca do distrito, embora restaurantes da especialidade não figurem nos compêndios mais festejados do gênero, inclusive os desta Folha.

Se os pendores gastronômicos deste repórter valem um dólar furado, fica a indicação para o pitoresco e sempre concorrido Omoide Sakaba, no fervo da Luís Góis, em Mirandópolis, com seu cardápio extenso, as muitas e preciosas robatas, como a de coração de frango e a de quiabo, o bolinho de polvo do carrinho da fila de espera, e, Izanagi e Izanami preservem, o matador okonomiyaki, cada vez menos comum nos pé-sujos orientais da cidade.