O pedido de vista do ministro Flávio Dino que interrompeu o julgamento sobre o colega Alexandre de Moraes foi construído com um grupo de ministros como um ant...
Ouvir1×0.5×0.75×1×1.25×1.5×1.75×2×O pedido de vista do ministro Flávio Dino que interrompeu o julgamento sobre o colega Alexandre de Moraes foi construído com um grupo de ministros como um antídoto, após essa ala do STF (Supremo Tribunal Federal) ser contrariada com decisões do presidente Edson Fachin.
A paralisação do julgamento atendia a dois objetivos centrais, segundo relatos de ministros e auxiliares ouvidos pelo UOL. O primeiro seria de ganhar tempo para articular uma análise conjunta da abertura de investigação contra Moraes e o ministro André Mendonça.
As vistas também atendem ao interesse de um grupo de ministros mais próximos de Moraes de evitar que a discussão se dê tão próxima das eleições gerais de 4 de outubro. Eles argumentam que Mendonça determinou a produção de relatório da Polícia Federal contra o colega com fins político-eleitorais, para prejudicar a campanha de reeleição de Lula (PT) e favorecer Flávio Bolsonaro (PL).
Com o pedido de vista, Dino terá até 90 dias para devolver o processo para julgamento. O ministro não deu sinais públicos sobre quando deverá autorizar a retomada da análise do caso.
O pedido de vista passou a ser articulado na semana passada por um grupo informal que reúne Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin e Flávio Dino. O assunto foi tratado por alguns desses ministros com Edson Fachin, em reuniões no gabinete da Presidência e por ligações telefônicas.
O argumento usado sugeria que Mendonça atuaria com interesses políticos no caso e que o julgamento às vésperas das eleições atenderia aos objetivos escusos do relator das investigações do Banco Master e das fraudes do INSS.
André Mendonça, por outro lado, já vinha relatando há meses a Fachin o que considerava uma atuação da Polícia Federal para blindar aliados do governo Lula nas duas investigações mais rumorosas sob sua supervisão, como nos casos Moraes e Lulinha.
As acusações feitas nos bastidores do Supremo na última semana se tornaram públicas durante a sessão de julgamento de ontem, com transmissão ao vivo na TV Justiça.
Gilmar Mendes afirmou que Mendonça agiu de forma premeditada ao solicitar o relatório que levantaria suspeitas contra Moraes antes das manifestações de 7 de Setembro. "Há um inequívoco viés político-eleitoral na forma como os autos foram conduzidos", disse.
O decano do Supremo chamou o relator das investigações de "pixuleco, boneco eleitoral" e disse que "pessoas decentes não fazem isso".
Mendonça interrompeu o ministro: "Não seja leviano, não aponte o dedo para mim".
O conflito entre os dois ministros se estendeu durante toda a sessão. O ápice foi quando Mendonça afirmou que pediu o relatório da Polícia Federal para verificar se citações ao procurador-geral Paulo Gonet em mensagens demandariam uma apuração aprofundada.
"É impressionante, presidente, que uma pessoa da estatura do Paulo Gonet sofra esse tipo de ilação. Isso sim é leviandade. Um sujeito investido de um sentimento policialesco. É impressionante a desfaçatez desse sujeito", disse Gilmar.
Mendonça rebateu, aos gritos: "A desfaçatez de vossa excelência! Me respeite! Me respeite". Em meio ao embate, Dino anunciou o pedido de vista.
Ministros do Supremo foram informados ainda na noite de segunda-feira (14) sobre o vazamento de mensagens que implicariam filhos dos ministros Nunes Marques e Luiz Fux na relação com Daniel Vorcaro. As conversas foram reveladas ao longo da manhã de ontem.
As publicações das conversas do celular do banqueiro movimentaram as horas que antecederam o julgamento.
Um dos citados, Nunes Marques foi convencido por colegas a declarar seu impedimento. Havia expectativa de que o ministro acompanhasse o relator André Mendonça, e sua saída do julgamento foi interpretada como um movimento favorável a Alexandre de Moraes.
As conversas se estenderam até a hora do julgamento. Os ministros ficaram por cerca de 40 minutos na antessala que leva ao plenário do tribunal, quando todos foram comunicados da decisão de Nunes Marques. Esse foi um dos motivos para o atraso de cerca de 30 minutos do início da sessão.
Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.
O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL.




0 Comentário(s)
Deixe seu comentário