Ilária Lindalva da Silva é suspeita de chamar menino de "macaco". Ela estava em liberdade condicional pelo mesmo crime, cometido em 2024.
Uma mulher de 40 anos foi presa em flagrante por suspeita de injúria racial contra um menino de 11 anos, vizinho dela, em Caruaru (PE). Ela já havia sido presa em 2024 após ameaçar e ofender verbalmente a mesma criança, então com 8 anos.
Ilária Lindalva da Silva é suspeita de ir à casa do menino e chamá-la de "macaco" na manhã de ontem. A Polícia Civil de Pernambuco afirma que ela usava tornozeleira eletrônica e estava em liberdade condicional pelo crime cometido em 2024.
A Polícia Civil informou que foi instaurado um inquérito para esclarecimento dos fatos. A presa foi encaminhada para audiência de custódia na Central Especializada das Garantias de Caruaru, nesta sexta-feira (17), e teve a prisão em flagrante convertida em preventiva.
Ela será encaminhada para a Colônia Penal Feminina de Buíque. A reportagem tenta localizar a defesa da mulher, e o espaço está aberto para manifestação.
A família da criança afirmou que os crimes cometidos por ela não são recentes e vêm acontecendo há cerca de três anos. Segundo eles, não apenas a criança, mas todos os integrantes da família também já foram alvo de ofensas racistas e intimidações por parte da suspeita.
Pelo crime cometido em 2024, a Justiça de Pernambuco condenou Ilária a 10 anos e seis meses de reclusão. A família não sabia que ela havia sido colocada em liberdade condicional.
Denúncia do Ministério Público de Pernambuco relata crimes ocorridos em julho de 2023 contra quatro integrantes da família. Em depoimentos, as vítimas são unânimes em afirmar que sofreram com injúrias em razão da raça e cor da pele, pois a vizinha os atacava com termos como "bando de macacos", "família de macacos", "depois que esses macacos vieram morar aqui, não tenho mais sossego", entre outros. Ela individualizava cada integrante da família por nomes que remetiam a primatas.
O texto da ação penal também cita que criança ficou com muito medo dela. Ele não saía para brincar com amigos da vizinhança, nem mesmo no quintal da sua própria casa. A mulher também foi acusada de atirar fezes de cachorro na residência da família, assim como bananas, pedras, paus, garrafas e tijolos no telhado e quintal das vítimas e ainda ameaçou incendiar o carro da família.
O crime de racismo está previsto na Lei nº 7.716/1989. Ele ocorre quando há discriminação contra uma coletividade indeterminada de pessoas em razão de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional. É considerado crime inafiançável e imprescritível.
A Lei nº 14.532, de 11 de janeiro de 2023, equiparou o crime de racismo ao de injúria racial, que consiste em ofender a honra de alguém com base em elementos relacionados à raça, cor, etnia, religião ou origem.
A nova lei também prevê que as penas podem ser aumentadas de um terço até a metade quando o crime ocorrer em contexto ou com intenção de descontração, diversão ou recreação.
Saiba como denunciar
O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL.




0 Comentário(s)
Deixe seu comentário