Volkswagen enfrenta prejuízo de 5,8 mil milhões de euros no terceiro trimestre, impactada pela concorrência chinesa e desvalorização de ativos da Porsche. ...

CopiedSiga-nosA Volkswagen registou um prejuízo severo de 5,8 mil milhões de euros no terceiro trimestre do ano. O resultado negativo, fortemente pressionado pela concorrência das marcas chinesas, é mais de cinco vezes superior ao prejuízo contabilizado no mesmo período do ano anterior.

Em comunicado divulgado esta quinta-feira (29 de outubro), o grupo automóvel alemão explicou que este desempenho foi penalizado por encargos extraordinários no valor de 7,8 mil milhões de euros, decorrentes sobretudo da desvalorização de ativos associados à Porsche.

A marca de veículos desportivos de luxo do grupo atravessa um período de forte instabilidade operacional, cenário que motivou uma perda de valor contabilístico na ordem dos 6,4 mil milhões de euros.

A construtora automóvel alemã, que atravessa um período de forte instabilidade, registou também uma perda de valor contabilístico de mil milhões de euros nos seus ativos no mercado chinês, motivada pela concorrência agressiva dos fabricantes locais.

A Volkswagen detalhou que o impacto acumulado deste conjunto de encargos extraordinários e imparidades atingiu os 8,7 mil milhões de euros no cômputo dos primeiros nove meses do ano.

O balanço financeiro foi ainda penalizado por outros eventos extraordinários. Entre eles destacam-se os prejuízos causados pela paragem na linha de montagem do modelo elétrico ID.4 em território norte-americano, os encargos associados aos planos de reestruturação interna e os custos relacionados com a alienação projetada da unidade industrial de Osnabrück, localizada no oeste da Alemanha, cujo plano prevê a reconversão da infraestrutura para a indústria de defesa.

O diretor financeiro da companhia, Arno Antlitz, sublinhou na nota de imprensa que a Volkswagen está a ser penalizada pelo impacto das "tarifas aduaneiras" aplicadas pelos Estados Unidos, a par de uma contração na procura do "mercado chinês" e do aumento da "pressão competitiva" no espaço europeu.

Em termos operacionais, o volume de vendas em território chinês sofreu uma quebra acentuada de 38,5% no terceiro trimestre, fixando-se nas 405.800 viaturas entregues, de acordo com os indicadores comerciais avançados previamente pela construtora alemã.

Nesta conjuntura, o consórcio germânico — que gere um portefólio de 10 insígnias, incluindo a VW, Audi, Porsche e Seat — contabilizou um prejuízo operacional de aproximadamente 5,9 mil milhões de euros entre julho e setembro, resultando numa rentabilidade operacional negativa de 7,8%.

Analisando o acumulado dos primeiros nove meses do ano, e excluindo os impactos extraordinários, a margem operacional situou-se nos 3,8%.

Sob a forte pressão dos construtores chineses, a Volkswagen reviu em baixa as suas metas financeiras para este ano em meados de setembro. O grupo projeta agora uma margem operacional máxima de 1%, um corte severo face à estimativa anterior que apontava para um intervalo entre 4% e 5%.

No âmbito de um plano de reestruturação global negociado com os sindicatos, que contempla a redução de até 100 mil postos de trabalho, o consórcio alemão — que emprega aproximadamente 648 mil profissionais à escala global — tem como meta alcançar uma poupança total de 31 mil milhões de euros.

No plano comercial, a faturação da Volkswagen fixou-se nos 75,3 mil milhões de euros entre julho e setembro, o que representa um recuo homólogo de 6,3% no volume de negócios trimestral.