O presidente do conselho de administração e sócio sênior do BTG Pactual, André Esteves, afirmou que a busca do equilíbrio fiscal não é uma política econômica de direita nem de esquerda, mas uma responsabilidade com a sociedade. Segundo ele, o ajuste fiscal ne…
O presidente do conselho de administração e sócio sênior do BTG Pactual, André Esteves, afirmou que a busca do equilíbrio fiscal não é uma política econômica de direita nem de esquerda, mas uma responsabilidade com a sociedade. Segundo ele, o ajuste fiscal necessário é fácil de fazer e "não é partidário, não é ideológico".
Em painel durante evento promovido nesta segunda-feira (14) pelo Esfera Brasil, Esteves explicou que, principalmente em momentos de disputa política, sempre existe alguma ideologia em termos de políticas econômicas, mas argumentou que a necessidade de buscar um equilíbrio fiscal já é algo bastante consolidado.
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"Se você gasta mais que do que ganha, isso vai virar um problema. A direção é clara. Com um grau de crescimento que tivemos no gasto público, está facil de fazer. Temos uns 50 economistas no Brasil qualificados para adotar três ou quatro medidas que precisam ser feitas."
Questionado se, em caso de vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o ajuste viria pelo lado da despesa ou da receita, ele comentou que é preciso pensar dos dois lados. Na despesa, disse que o ritmo de crescimento dos gastos atualmente é insustentável. Na receita, admitiu que o volume de títulos isentos no Brasil é completamente absurdo. "E olha que eu sou detentor e emissor desses títulos, mas está errado. E isso é algo no lado da receita."
Segundo ele, “nós não somos condenados a viver com juros altos porque somos brasileiros”. "Seja Lula ou seja Flávio (Bolsonaro, do PL), existe um último passo a ser dado para a consolidação da estabilidade da economia brasileira, que é trazer o Brasil para juros civilizatórios. Uma taxa de 14% é sufocante para qualquer empresa, incluindo os bancos. [...] Se levar o juro de 14% para 7%, o que é perfeitamente possível, isso é uma mudança de patamar que tem enorme impacto na sociedade. Vale muito mais do que qualquer progama social, políticas de governo, aumentar um pouquinho os investimentos."
Já quando perguntando se, em um eventual governo Flávio Bolsonaro, ele espera um "tesouraço" ou um "bisturi" nos cortes de gastos, Esteves disse que não é preciso nenhum dos dois. "Basta simplesmente aumentar a eficiência do gasto público."
Com essa visão de que o ajuste fiscal é "fácil" de resolver, inclusive politicamente - ele acredita que há clima para aprovar medidas nesse sentido no Congresso -, o chairman do BTG chamou atenção para uma possível crise institucional.
"O aspecto institucional é o que me preocupa mais. A batalha econômica está mais fácil, a institucional é a guerra que a gente não pode perder. Como a gente olha um segmento regulado da economia que, de repente, se torna 20% informal? Como você olha empresas inexpressivas criando rombos de dezenas de bilhões?", disse, sem entrar em detalhes.
Segundo ele, a guerra para salvar o "Brasil institucional" não está vencida e não se pode descansar. "Se a gente perder essa guerra, vai para algum lugar entre México e Rússia, e nós não estamos ali. Somos melhores do que isso."
Sobre o pleito presidencial em si, ele afirmou que as pesquisas apontam para um empate técnico. "A eleição vai ser 51% a 49%, a gente só não sabe para quem". Para ele, uma série de fatores pode influenciar o segundo turno, incluindo os resultados nas disputas de governador no primeiro turno, que afetam os índices de comparecimento do eleitor. "Neste momento, esse chamado 'likely voter' [quem de fato vai votar no dia], parece ligeiramente favorável à direita."




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