Relatórios da Polícia Federal mostram mensagens do ex-banqueiro Daniel Vorcaro a telefone atribuído ao ministro; documentos ainda apontam contratos milionários com o escritório da esposa do magistrado
Compartilhar matériaRelatórios divulgados pela PF (Polícia Federal) indicam proximidade entre Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, e o ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal). A relação está no centro de uma crise sem precedentes que atinge a Corte nos últimos tempos.
A retirada de sigilo dos documentos, formulados a partir de dados obtidos do celular de Vorcaro, ocorreu por decisão do ministro André Mendonça.
Entre o conteúdo divulgado dos relatórios da PF, há mensagens do ex-banqueiro para um telefone atribuído ao ministro, além de contratos milionários do banco com o escritório de advocacia Barci de Moraes, que pertence à família do magistrado.
Veja tudo o que se sabe até o momento:
Mendonça retirou sigilo sobre a ação que apura a troca de mensagens entre Vorcaro e Moraes em 1° de fevereiro.
Um relatório produzido pela PF revela conversas nas quais o ex-banqueiro pedia ao ministro que atuasse junto ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, para conter o avanço das investigações sobre o banco.
Diante das informações, Mendonça pediu à PGR (Procuradoria-Geral da República) esclarecimentos.
Com a quebra de sigilo, supostas conversas entre Vorcaro e Moraes foram a público. A PF reuniu ao menos 52 mensagens entre dezembro de 2023 e novembro de 2025.
O relatório reúne conteúdos enviados por Vorcaro a um número salvo como “Alexandre de Moraes BRASILIA”. As respostas do ministro não aparecem no material divulgado.
As investigações mostram que o ex-banqueiro usava a função de mensagem temporária e, em certas ocasiões, escrevia nas notas do celular, fazia capturas de tela e enviava como imagens pelo WhatsApp. A PF afirmou ter recuperado parte desse conteúdo a partir de arquivos e registros encontrados no aparelho.
Em uma das conversas de maior repercussão, Vorcaro teria questionado Moraes se deveria sair do país às vésperas de ser preso.
Em mensagem enviada em 15 de novembro de 2025, Vorcaro perguntou a Moraes: “Acha que segunda já tenho que estar fora?”. Na sequência, questionou sobre um juiz identificado como Ricardo, perguntou se o então presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, estava ciente da situação e se seria possível fazer alguma coisa.
No dia seguinte, um dia antes da prisão, Vorcaro voltou a procurar o ministro e perguntou: “Você acha que existe alguma chance disso acontecer amanhã de manhã?”.
Na noite de 17 de novembro daquele ano, minutos antes de ser preso, o ex-banqueiro mandou outra mensagem ao magistrado. "To indo assinar com os investidores de fora e estou online", escreveu, ao informar que estava a caminho de uma viagem ao exterior.
O então do Banco Master foi preso preventivamente pouco depois. Na manhã seguinte, a PF deflagrou a primeira fase da Operação Compliance Zero e o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master.
Além das trocas de mensagem, a investigação ainda mapeou ao menos seis encontros entre eles, que ocorreram entre fevereiro de 2024 e agosto de 2025. A CNN traçou uma linha do tempo dos acontecimentos com base no relatório da PF.
Segundo o material, o primeiro contato foi intermediado ainda em 2023 pelo ex-ministro das Comunicações no governo Bolsonaro, Fábio Faria, que encaminhou a Vorcaro o número de telefone de Moraes.
Em 2 de fevereiro de 2024, segundo as mensagens analisadas, ocorreu um jantar entre Moraes e Vorcaro, com a presença das respectivas esposas. Em novembro de 2024, ocorreram vários outros encontros.
Em março de 2025, Vorcaro informou à esposa que estava com Moraes e, posteriormente, repetiu a mesma informação a um diretor do Banco Central. Em abril de 2025, ele disse que estava indo encontrar Moraes "perto de casa".
O último encontro registrado nas mensagens anexadas ao relatório da investigação ocorreu em 8 de agosto de 2025.




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