Comunicado divulgado governo revelou o paradeiro de autoridades que estavam desaparecidas há meses, sem nenhuma explicação oficial
Priorize VEJA no Google
O Partido Comunista chinês expulsou 33 altos funcionários, incluindo 16 militares, em uma massiva campanha anticorrupção liderada pelo presidente Xi Jinping. Considerada a maior purga da história, a ação visa consolidar o poder de Xi antes de seu provável quarto mandato em 2027, revelando o paradeiro de autoridades desaparecidas e reforçando a disciplina partidária.
Este resumo foi útil?
Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação da Editora Abril.
O Partido Comunista chinês, que governa a China, anunciou nesta quinta-feira, 29, a expulsão formal de 33 funcionários do alto escalão depois de uma reunião de quatro dias do Comitê Central em Pequim, capital do país.
As demissões, que já haviam sido decididas anteriormente pelo Politburo — conselho composto por mais de 20 altos dirigentes do governo —, revelam a extensão dos expurgos anticorrupção promovidos pelo presidente chinês Xi Jinping, enquanto ele se prepara para assegurar um quarto mandato no próximo ano.
O comunicado divulgado pelo Comitê Central revelou o paradeiro de autoridades que estavam desaparecidas há meses, sem nenhuma explicação oficial.
Entre os alvos confirmados estão Liu Jianchao, ex-diplomata de destaque que chefiava o departamento internacional do partido, cargo que deixou no ano passado; Zhong Shaojun, secretário sênior de Xi que atuou por mais de uma década como seus olhos e ouvidos na Comissão Militar Central, órgão que controla o Exército de Libertação Popular; e Zhang Youxia, que já foi o general de maior patente da China, até ser detido para investigação em janeiro deste ano.
Dos 33 membros do Comitê Central expulsos, 16 eram integrantes das Forças Armadas.
A dimensão do expurgo ficou visível nos bancos quase vazios do Comitê Central, órgão responsável pela definição de políticas que se reúne uma vez por ano. Apenas 279 funcionários compareceram ao encontro desta vez, em contraste com os 376 membros que constituíam o comitê quando foi formado no congresso do partido em 2022. Esse cenário indica que quase 100 funcionários foram removidos do comitê nos últimos quatro anos.
Desde que chegou ao poder, há quase 14 anos, Xi tem promovido campanhas para erradicar a corrupção e a deslealdade no partido, nas Forças Armadas e nos serviços de segurança. Recentemente, porém, ele reclamou que ainda há muitos funcionários desleais e tentados por subornos.
A reunião do Comitê Central buscou incentivar uma disciplina mais rigorosa nos dirigentes do partido. O comunicado oficial declarou que a legenda deve “manter uma postura firme no combate à corrupção e fortalecer os mecanismos de controle e equilíbrio do poder”, embora a liderança já tenha feito promessas semelhantes no passado, inclusive em uma reunião sobre o mesmo tema há uma década.
Em meio às demissões, a reunião aprovou apenas uma promoção importante: a do general Zhang Shengmin, que supervisionou amplas investigações e expulsões por corrupção e deslealdade nas Forças Armadas. Ele foi promovido ao Politburo.
O partido também confirmou que realizará seu próximo congresso no segundo semestre de 2027. Na ocasião, é praticamente certo que Xi Jinping conquistará um quarto mandato de cinco anos como secretário-geral do partido, o que estenderá seu governo para pelo menos 20 anos e consolidará seu status como o líder mais poderoso da China em muito tempo.




0 Comentário(s)
Deixe seu comentário