Destaque no jornal The Kyiv Independent. Zelensky alertou companhias aéreas, seguradoras e governos estrangeiros de que os céus da Rússia estão perigosos devido à atividade de drones ucranianos
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Guerra traduzida na Rádio Observador, espaço em que trazemos os destaques da imprensa ucraniana e da imprensa russa. Hoje com o jornalista Martim Madeira. Martim, boa noite. Começamos pela imprensa ucraniana. O espaço aéreo russo vai ficar fechado por causa dos drones ucranianos.
Boa noite. Este aviso está em destaque hoje nas páginas do jornal The Kyiv Independent. O presidente Volodymyr Zelensky alertou várias companhias aéreas, seguradoras e governos estrangeiros de que os céus da Rússia se estão a tornar perigosos devido à atividade constante de drones ucranianos. Zelensky sublinhou que, embora as autoridades russas tentem ocultar a realidade, o espaço aéreo russo vai ficar de facto fechado para a aviação civil devido aos riscos crescentes. O líder ucraniano explicou que esta situação é uma consequência direta da própria guerra que Moscovo iniciou e mantém contra a Ucrânia. Kiev garante que não pretende visar a aviação comercial civil, mas avisa que os operadores que mantêm voos para Moscovo, São Petersburgo ou outros grandes aeroportos russos devem ter em consideração o perigo iminente nos céus. Zelensky referiu ainda que a Ucrânia está disponível para abrir janelas de trégua temporárias e garantir corredores seguros para voos diplomáticos de parceiros internacionais, tal como aconteceu recentemente, por exemplo, com a deslocação do diretor da CIA a Moscovo. No entanto, fora destas exceções pontuais, o objetivo estratégico de perturbar as operações aéreas russas mantém-se firme para trazer o impacto real do conflito diretamente ao quotidiano da população russa.
Martim, os seis dias seguidos de bombardeamentos sobre Kiev fazem pelo menos 12 mortos.
É o balanço descrito hoje pelo The Kyiv Independent. A capital ucraniana e os subúrbios enfrentaram a sexta noite consecutiva de ataques pesados com mísseis e drones por parte das forças russas. O registo das equipas de socorro aponta para pelo menos 12 vítimas mortais e 21 feridos resultantes destas explosões e incêndios que atingiram edifícios residenciais. Entre as vítimas mortais confirmadas encontram-se seis trabalhadores do setor ferroviário ucraniano, atingidos enquanto cumpriam o serviço na linha. Volodymyr Zelensky já veio a público condenar estes ataques, classificando-os como atos deliberados de terror contra a população civil, que coincidem precisamente com o início do ano novo letivo. A intensidade e constância destes bombardeamentos têm obrigado diplomatas e residentes a adaptarem-se a condições extremas. O jornal relata mesmo o caso da embaixadora da União Europeia em Kiev, que passou a noite a dormir na casa de banho da residência para se proteger do perigo de estilhaços provocados pelas explosões na zona urbana.
E a Ucrânia abate mais de 80 drones russos, a maioria com propulsão a jato.
De acordo com o jornal Ukrainska Pravda, as forças de defesa aéreas ucranianas conseguiram neutralizar uma vaga de 82 drones de ataque num único dia. O dado mais relevante deste relatório operacional é que 57 destes dispositivos eram drones movidos a propulsão a jato, uma tecnologia mais recente e consideravelmente mais rápida. Esta alteração técnica confirma que a Rússia está a mudar de estratégia nas incursões aéreas, utilizando drones rápidos para tentar saturar e esgotar as munições de defesas ucranianas antes do inverno. Os militares ucranianos enfrentam uma pressão enorme para responder a estas incursões diárias que estão a visar infraestruturas civis. A tática de manter alertas de ataque aéreo prolongados nas cidades está também a provocar um impacto económico severo. O jornal destaca que as constantes interrupções forçadas pelos alarmes retiraram um tempo recorde de funcionamento aos centros comerciais e às empresas no mês de agosto e estrangularam assim a atividade comercial diária.
Antigo ministro da Defesa ucraniano vai criar a própria empresa de armamento.
É o que diz o jornal Ukrainska Pravda. O antigo ministro da Transição Digital e figura central na inovação militar da Ucrânia, Mykhailo Fedorov, anunciou que está a trabalhar ativamente na criação da própria empresa privada de defesa. Esta iniciativa surge após o afastamento de Fedorov do governo Zelensky, na sequência de fortes debates políticos em Kiev sobre a convocação de eleições presidenciais e legislativas durante o estado da guerra, uma proposta que o antigo governante tinha apoiado publicamente. Fedorov liderou a revolução tecnológica dos drones na Ucrânia e pretende agora usar a experiência que tem no setor privado para acelerar a produção de sistemas autónomos de combate. A decisão de avançar para uma empresa própria reflete também o crescimento da indústria militar ucraniana, que tem procurado parcerias e financiamento externo para desenvolver armas inteligentes capazes de fazer face à superioridade numérica russa.
E por fim, o governo ucraniano desvia mais de 1.500 milhões de dólares para as Forças Armadas Ucranianas.
É uma decisão financeira anunciada pelo The New Voice of Ukraine. O primeiro-ministro Sergiy Koretskyi anunciou que o governo ucraniano vai redirecionar cerca de 1,6 mil milhões de dólares de poupanças orçamentais diretamente para o financiamento das necessidades imediatas das Forças Armadas. Koretskyi explicou que este reajuste financeiro se tornou necessário porque a defesa do território contra a invasão russa está significativamente mais cara a cada dia que passa. O redirecionamento de fundos visa garantir que as tropas da linha da frente não sofram com quebras de abastecimento ou de equipamentos críticos. Esta pressão sobre as finanças públicas ocorre no momento em que a estabilidade financeira da Ucrânia está a enfrentar sérias dificuldades. O jornal cita fontes parlamentares que alertam para a falta de margem para otimismo após as recentes negociações com o Fundo Monetário Internacional, o FMI, sublinhando que o país necessita de reformas rigorosas para garantir o apoio internacional.
São estes os principais destaques da imprensa ucraniana. Voltamos já a seguir com os destaques dos jornais russos.




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