Etiquetas veteranas de Brasília retornam à passarela no primeiro dia do Metrópoles Catwalk
Zinc Complements, Sacramound e Letícia Gonzaga marcam o retorno de etiquetas veteranas no primeiro dia da terceira edição do Metrópoles Catwalk, realizada na Arena Mané Garrincha, de 14 a 18 de setembro. As três marcas já passaram pela passarela do evento em edições anteriores e chegam com coleções inéditas na segunda-feira (14/9).
Fundada há 37 anos pela designer Flávia Oliveira, a Zinc Complements abre o primeiro bloco da noite com uma trajetória que consolidou o acessório como protagonista do outfit. A marca nasceu como uma loja especializada exclusivamente em acessórios, conceito que, à época, era uma novidade no cenário da moda da capital federal.
Em 2013, aconteceu uma mudança significativa: os acessórios continuaram como foco, mas deixaram de ser exclusivos no catálogo, e a Zinc se tornou uma fusão de roupas e acessórios — sempre com as peças menores como estrelas do visual. “É uma marca que atende a cliente em sua produção toda”, resume Flávia sobre a proposta da etiqueta.
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Para esta edição, com a coleção de Verão 2027, a Zinc explora o clássico ganhando novos contornos, a partir da revisitação do charme do xadrez vichy, da elegância das listras e da irreverência do poá, em propostas leves, confortáveis e descomplicadas. Pensada para mulheres que valorizam autenticidade, personalidade e liberdade, a cartela tem vermelho, preto e branco como protagonistas, pontuados por toques de verde e amarelo que acrescentam frescor e energia às produções. Nos acessórios, o encontro entre materiais naturais e contemporâneos, como madeira, resina e palha, completa a narrativa e leva ainda mais cor e vivacidade à passarela.
Na segunda edição do Metrópoles Catwalk, a Zinc apresentou um desfile maximalista com referências aos anos 2000 — dourado, flores e mix de texturas —, marcando sua estreia no evento. Colares marcantes e peças elaboradas foram criados especialmente para o momento na passarela — “um encontro entre estilo e expressão da nossa marca”, define a designer, que vê no evento uma oportunidade de celebrar seu empreendimento “em um ambiente onde moda e arte se encontram”.
Sobre a trajetória da marca na cidade, Flávia destaca: “Há 37 anos, a Zinc participa da construção da moda criativa de Brasília”. Agora, a etiqueta retorna à passarela para a terceira edição do evento.
Produções maximalistas
Tons terrosos da Zinc Complements
Colares maximalistas
Peças fluidas também estiveram presentes
Várias produções foram acessorizadas com óculos, boinas e chapéus
A coleção fez referências aos anos 2000
Fluidez misturada com peças ousadas
Flores foram parte do desfile da Zinc Complements
Em parceria com a Marry Tecidos — tradicional loja do setor têxtil do Distrito Federal, em atividade desde 1978 —, a Sacramound leva à passarela uma coleção inspirada em Hilda Furacão, personagem marcada pelo conflito entre desejo, fé e moralidade. Mais do que uma colaboração comercial, a parceria coloca em diálogo duas gerações da moda brasiliense: de um lado, uma empresa que há quase 50 anos fornece matéria-prima para costureiros e criadores locais; do outro, uma marca jovem que busca construir uma linguagem própria para a moda autoral produzida na cidade.
A escolha de Hilda Furacão como inspiração não é aleatória. Admirada e condenada, transformada em símbolo de liberdade por alguns e em ameaça moral por outros, a personagem não cabe confortavelmente em nenhuma definição simples — e é justamente essa contradição que a Sacramound leva para a passarela, usando a hipocrisia como matéria-prima central da coleção.
A proposta não é transformar Hilda em heroína nem vilã, mas utilizar a personagem para questionar a sociedade que sente a necessidade de classificá-la, em um momento de intensa polarização política e social no Brasil.
Esteticamente, a década de 1950 aparece como ponto de partida, mas é desconstruída e reinterpretada por uma linguagem contemporânea: silhuetas marcadas, volumes, corseteria, transparências, recortes e elementos de inspiração barroca dialogam com referências da alta-costura.
“Não se trata de transportar os anos 1950 para o presente. É o contrário: é trazer uma personagem dos anos 1950 para perguntar o que ela enxergaria no Brasil de 2026”, resume a marca.
A coleção também fala sobre Brasília — cidade natal da Sacramound e território permeado por contrastes entre política e espiritualidade, modernidade e tradição. A etiqueta retorna ao Metrópoles Catwalk depois de protagonizar, na segunda edição, um desfile aplaudido de pé.




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