O exame está chegando, mas ainda dá tempo de aperfeiçoar sua redação e aumentar as chances de conquistar uma ótima nota
Para ajudar os estudantes nesta reta final da preparação, o Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira) selecionou dez redações de destaque escritas no Enem 2025. Na última edição, os candidatos escreveram sobre o tema “Perspectivas acerca do envelhecimento na sociedade brasileira“.
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Entre os textos escolhidos, estão duas redações nota mil que já haviam sido publicadas pelo GUIA DO ESTUDANTE: a redação 3, escrita pelo Caio Braga, e a redação 10, produzida pelo Rodrigo Fortes.
A seguir, confira as dez redações exemplares selecionadas pelo Inep e inspire-se!
O filme “Vitória”, protagonizado pela atriz Fernanda Montenegro, retrata a história, baseada em fatos reais, de uma idosa que, diariamente, é testemunha de diversos crimes cometidos em frente à sua casa. Na trama, dona Vitória enfrenta preconceitos e estereótipos ao tentar denunciar os delitos, constantemente sendo desacreditada devido à sua idade por parte de autoridades. De forma análoga à obra, a terceira idade brasileira é cercada por estigmas e negligências que impedem a sua plena qualidade de vida. Com base nesse contexto, considerando que mais de 10% da população brasileira é idosa, é essencial analisar os entraves, no campo social e na política, para a construção de uma perspectiva inclusiva acerca do envelhecimento na sociedade brasileira.
A partir desse cenário, torna-se imprescindível compreender como uma conjuntura social que busca compulsivamente a produtividade tende a desvalorizar grupos mais velhos. Isso acontece, porque — como apontado pelo filósofo Byung-Chul Han no livro “Sociedade do Cansaço” — com o advento da modernidade, o rendimento constante é priorizado a qualquer custo, mesmo que este seja a inclusão de parcelas minoritárias do Brasil. Em outras palavras, por considerar o trabalho como o elemento mais importante da atualidade, a sociedade percebe os idosos como um grupo não produtivo e, logo, sem valor social, fato evidenciado pela escassez de políticas públicas e atividades socioculturais que tenham como objetivo o bem-estar dessa população. Dessa forma, a terceira idade é abandonada às margens da vida coletiva no Brasil, configurando um sistema excludente.
Ademais, além da exclusão ocasionada pela valorização excessiva da produtividade, o envelhecimento da população brasileira é colocado em risco pela omissão governamental que cerca essa temática. Tal questão pode ser observada na negligência direcionada aos indivíduos com mais de 60 anos por parte do Estado, que, ao entender as vidas dos mais velhos como menos valiosas, caracteriza o conceito de “necropolítica”, proposto pelo filósofo Achille Mbembe — a existência de um poder político que decide quem vive ou morre. Nesse sentido, as instituições que têm a obrigação de proteger e de garantir a integridade de todos os brasileiros falham ao não promover os cuidados necessários (como saúde e segurança na mobilidade urbana) para a manutenção da vida idosa no Brasil. Assim, a ideia de um brasileiro é inversamente proporcional ao valor de sua vida para o governo.
Portanto, essas problemáticas são significativas e impedem a formação de perspectivas mais positivas em relação ao envelhecimento no Brasil, tornando urgente uma intervenção. Para isso, é necessário que o Poder Executivo Federal fomente uma agenda de inclusão e proteção dos idosos. Tal ação ocorrerá por meio da criação de um grupo de trabalho formado por políticos e especialistas na área, para articular medidas e projetos que devem ser implementados pelo governo para garantir os direitos da terceira idade e a sua inserção na vida social. Isso será feito a fim de garantir o bem-estar e uma vivência integral a toda a população brasileira, revertendo cenários como o exposto em “Vitória”.
No filme “Up – Altas Aventuras”, é retratada a vida de um senhor que, após o falecimento de sua esposa, permanece socialmente isolado. Tal narrativa, embora ficcional, representa uma das perspectivas do envelhecimento, as quais são majoritariamente negativas. Com isso, na sociedade brasileira contemporânea, diversos óticos podem ser empregados para analisar a velhice, entre eles: a exclusão familiar e a violência patrimonial, além das dificuldades enfrentadas por grupos marginalizados para atingir essa idade.
Sob esse viés, a população com mais de 60 anos é comumente excluída do núcleo familiar. Tal situação ocorre pois, por exemplo, muitos idosos necessitam de cuidados extras, decorrentes da saúde fragilizada, o que ocasiona em seu alojamento em casas de repouso, permanecendo sozinhos e nostálgicos. Isso é exemplificado no livro “Eremos Seis”, no qual a personagem principal, no final da narrativa, é deixada em um convento, onde vive toda sua velhice sem a presença dos filhos. Ademais, a violência patrimonial é frequentemente vivenciada pelos idosos, os quais têm os sentimentos menos prezados enquanto são abordados por familiares em busca de dinheiro ou testemunham brigas pela herança de uma pessoa ainda viva. Desse modo, a velhice, no Brasil, é marcada por situações adversas.
Por outro lado, grande parte da população marginalizada possui dificuldades para envelhecer. Isso é evidente, uma vez que moradores de comunidades e populações ribeirinhas, por exemplo, não possuem acesso a condições básicas de saúde, o que, consequentemente, diminui a expectativa de vida. Além disso, os idosos pertencentes a esses grupos sociais possuem condições financeiras precárias, implicando na necessidade de trabalhar, mesmo que debilitado, para permanecer vivo. Tal situação é evidenciada pelo filósofo camaronês Achille Mbembe, que, ao abordar o conceito de “necropolítica”, afirma que o Estado tem o poder de decidir quem tem o direito de viver, ocasionando a precariedade da vida da fração marginalizada socialmente. Assim, o envelhecimento é uma perspectiva onírica para essa população brasileira em vulnerabilidade socioeconômica.
Portanto, é notável a necessidade de medidas para reduzir as situações citadas. Para isso, cabe às famílias a inclusão dos idosos em atividades sociais, podendo ser realizado por meio de visitas frequentes, visando evitar a “solidão etária”. Além disso, é dever do Ministério dos Direitos Humanos, aliado ao Ministério da Saúde, estabelecer o “Plano Nacional de Apoio ao Envelhecimento”, o qual deve combater a violência patrimonial e visar, mediante a construção de hospitais em comunidades destinados ao tratamento básico e geriátrico, seguida da concessão de benefícios financeiros aos idosos em situação de vulnerabilidade, condições seguras para a velhice. Com isso, as perspectivas negativas que permeiam o ato de envelhecer serão gradualmente eliminadas do contexto brasileiro.
Em “O Karaíba”, o autor indígena Daniel Munduruku traz narrativas dos povos originários no Brasil pré-cabralino. Nessa obra, ele retrata elementos característicos das culturas e dos costumes das comunidades tradicionais, como o respeito aos mais velhos e à sua sabedoria. Nesse contexto, é nítido que a perspectiva das personagens do livro não reflete a forma como a sociedade brasileira enxergou o envelhecimento ao longo do tempo, tampouco as tendências mais modernas disso.
Historicamente, no Brasil, envelhecer é um privilégio, não um direito. Isso é evidenciado por estratégias de manutenção da ordem social implementadas pelas elites, como a promulgação da Lei do Sexagenário – uma das leis pré-abolicionistas, que libertava escravizados maiores de sessenta anos. Ao contrário do senso comum, que vê essa medida como uma conquista para eles, a historiografia entende que essa medida não tinha intenções reais de oferecer liberdade a essas pessoas, pois suas expectativas de vida eram baixíssimas. Nesse cenário, portanto, envelhecer não era uma oportunidade para todos os brasileiros, mas um privilégio de alguns.
Por outro lado, correntes contemporâneas de pensamento colocam os idosos e o envelhecimento em outras posições: de enfrentamento ao etarismo, de atividade física e econômica e de engajamento político e social. Um exemplo disso é o filme estrelado por Fernanda Montenegro, em 2025, “Vitória”, em que a atriz interpreta uma senhora em uma comunidade periférica no Rio de Janeiro e expõe suas denúncias contra a violência e o tráfico onde vive. Sob essa óptica, a figura do idoso deixa um espaço de fragilidade e impotência e passa a assumir protagonismo de sua própria vida.
Dessa forma, tendo em vista as múltiplas perspectivas acerca do envelhecimento na sociedade brasileira, é necessário que o Ministério da Educação, por meio de iniciativas de capacitação e autonomia para idosos – como o “projeto envelhecer” do Cin-UFPE, que os ensina a conviver no ambiente digital – atue na formação dessas pessoas para que resgatem sua independência bem.
O conceito de transição demográfica refere-se ao processo pelo qual a expectativa de vida em determinado local cresce exponencialmente, mediante o desenvolvimento da medicina e de tecnologias da saúde. Contudo, esse processo nem sempre ocorre de forma ideal, haja vista a existência, no Brasil, de diferentes perspectivas acerca do envelhecimento, usualmente carregadas de preconceitos. Assim sendo, a desvalorização de saberes antigos e de experiências do passado é uma infeliz realidade na nação brasileira, a qual deve ser combatida para a obtenção da justiça. Nesse prisma, contribuem para a referida configuração o advento de preconceitos etários e a falta de destaque conferida ao assunto.
Em primeira análise: faz-se crucial perceber a negativa presença do etarismo — preconceito conferido à população idosa — na hodierna conjuntura do país. Nesse cenário, o conto “O Burrinho Pedrês”, presente na obra “Sagarana”, do célebre escritor Guimarães Rosa, denuncia a existência de tal discriminação por meio do tratamento dado a Sete-de-Ouros, animal frequentemente evitado e desconsiderado pelo vaqueiro devido unicamente a sua idade. De forma análoga à ficção, muitos cidadãos brasileiros com mais de sessenta anos, os quais por longas décadas contribuíram efetivamente no desenvolvimento e prosperidade do país, percebem suas opiniões e desejos desvalorizados à proporção que sua idade avança. Nessa conjuntura, há o aumento da exclusão social e a diminuição gradativa do senso de pertencimento pela pessoa idosa.
Ademais, a falta de destaque dada ao problema em âmbito nacional atua como perpetuador de visões preconceituosas e, aliada à inação estatal, diminui a justiça e aumenta desigualdades. Concomitantemente, por meio da frase “Aquilo sobre o que ninguém fala ou escreve não existe”, o autor Érico Veríssimo ressalta a importância da discussão pública na solução de questões sociais adversas, tais como a discriminação das pessoas pertencentes a terceira idade. Nesse ínterim, enquanto o envelhecimento populacional não for devidamente observado, abordado e acompanhado, não serão concretizadas medidas efetivas no que concerne a melhora da qualidade de vida, inclusão e respeito destinados a esse público, e impedir-se-á a superação do triste cenário.
Portanto, a existência do etarismo e o silenciamento acerca do envelhecimento populacional do Brasil configuram a base de uma sociedade desfavorável a um público cada vez maior. Nesse viés, cabe ao Ministério da Educação promover a mudança na mentalidade dos jovens, por meio da implantação de palestras nas escolas, cujos palestrantes sejam idosos, os quais teriam por objetivo apresentar a importância da sabedoria cultivada ao longo dos anos vividos e integrar os mais velhos na formação da consciência cidadã. Além disso, o Poder Legislativo deve garantir a inclusão dessa porcentagem na sociedade, ao criar leis que penalizem atos de etarismo. Dessa forma, somente, a transição demográfica concretizar-se-á da melhor maneira possível.




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