No ano passado, o Instituto da Segurança Social contabilizou 162.252 cessações de atividade de imigrantes que trabalhavam por conta de outrem e que não volt...
No ano passado, o Instituto da Segurança Social contabilizou 162.252 cessações de atividade de imigrantes que trabalhavam por conta de outrem e que não voltaram a ter registo ativo.
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O número de trabalhadores estrangeiros que deixaram de ter inscrição ativa na Segurança Social disparou em 2025. No ano passado, o Instituto da Segurança Social contabilizou 162.252 cessações de atividade de imigrantes que trabalhavam por conta de outrem e que não voltaram a ter registo ativo.
De acordo com o Expresso, este número representa um aumento de 66% face a 2024. Em termos diários, o ritmo passou de 267 contribuintes estrangeiros perdidos por dia, há dois anos, para 455 em 2025.
A cessação da inscrição pode significar que estes trabalhadores abandonaram Portugal ou que permanecem no país em situação irregular. Apesar da subida expressiva das saídas, as novas inscrições continuam a ser superiores às cessações.
A dimensão do fenómeno impressiona Pedro Góis, diretor do Observatório das Migrações, que defende a realização urgente de uma reunião da concertação social.
Para o responsável, o aumento acentuado deste indicador aponta para duas realidades: por um lado, um crescimento das saídas do país; por outro, a passagem de muitos trabalhadores estrangeiros para a economia informal.
O fenómeno é particularmente relevante porque os imigrantes representam um quinto do total de contribuintes da Segurança Social. Nos últimos dez anos, os descontos destes trabalhadores deram aos cofres do Estado um saldo positivo de 16,3 mil milhões de euros.
Brasileiros lideram em número absoluto
Em termos absolutos, os brasileiros foram o grupo que mais desapareceu da lista de inscritos na Segurança Social. Segundo o Expresso, quase 60 mil cidadãos brasileiros deixaram de ter inscrição ativa em 2025. No conjunto dos últimos dois anos, o total aproxima-se dos 100 mil.
Ainda assim, representantes da comunidade brasileira não interpretam necessariamente estes números como uma saída em massa do país.
Ana Paula Costa, presidente da Casa do Brasil, admite que há pessoas que deixaram Portugal após o fim da manifestação de interesse e que continuam a sair, mas considera que a maioria permaneceu no país.
Segundo a responsável, a falta de oportunidades de legalização, o aumento dos custos da habitação e a maior hostilidade sentida com discursos anti-imigração estão a levar algumas pessoas a partir. No entanto, alerta que muitos brasileiros continuam em Portugal, mas passaram para situações laborais irregulares.
A Casa do Brasil assinala um aumento da informalidade nas relações laborais. Ana Paula Costa explica que há pessoas que tinham autorização de residência, não conseguiram renová-la, viram os contratos de trabalho cancelados e acabaram por entrar na economia paralela.
“Mantêm-se em Portugal, e a trabalhar, mas de forma irregular, sem vínculo nenhum”, afirma.
Esta realidade ajuda a explicar por que motivo parte das cessações na Segurança Social pode não corresponder a uma saída efetiva do território nacional, mas antes à perda de vínculo laboral formal.
Êxodo de indostânicos quase triplica
O aumento mais acentuado registou-se entre naturais do subcontinente indiano. As saídas de trabalhadores da Índia, Bangladesh, Paquistão e Nepal quase triplicaram em 2025.
No caso dos cidadãos indianos, as cessações passaram de 5540 em 2024 para 14.477 no ano passado. Juntando os vários países indostânicos, o sistema nacional de pensões perdeu 57.290 contribuintes em dois anos.
Shiv Kumar Singh, presidente da Casa da Índia, diz que os números não o surpreendem. Segundo o responsável, milhares de pessoas da Índia saíram recentemente de Portugal, apesar de terem situação regularizada, trabalho e descontos ativos.
Muitos terão partido para Espanha, Países Baixos, França, Alemanha e Itália, procurando emprego na agricultura, restauração e hotelaria.



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