Do piso de caquinho ao ladrilho hidráulico, conheça alguns pisos nostálgicos clássicos do morar brasileiro
Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação da Editora Abril.
A casa brasileira é repleta de símbolos que refletem a cultura e histórias do nosso país, atravessando gerações e se tornando clássicos do morar brasileiro, desde os cobogós até os azulejos coloridos.
Nu “lar raiz”, um dos elementos que se destaca na decoração é o piso, priorizando não apenas sua durabilidade, mas também sua imponência, ganhando protagonismo visual.
Do piso de caquinho à cerâmica estampada, relembramos 5 pisos de casa brasileira raiz para você ficar nostálgico e se inspirar:
É impossível pensar nos pisos clássicos do morar brasileiro sem lembrar do piso de caquinhos, marcante pelos seus pedaços irregulares e charmosos.
“É feito a partir de pedaços irregulares de pedra, geralmente reaproveitados, o que explica muito da sua popularização no Brasil. Surgiu como uma solução econômica, aproveitando sobras de materiais, e acabou se tornando muito usado, principalmente em áreas externas”, explica a arquiteta Claudia Passarini, do escritório Paiva e Passarini Arquitetura e Design.
Ele surgiu entre as décadas de 1940 e 1950 por acaso. Na época, o setor industrial da capital paulista tinha as peças de cerâmica como destaque e, no caso dos pisos, estas representavam uma produção de baixo custo.
Porém, devido à sua fragilidade e a baixa qualidade no sistema de produção, havia um grande volume de peças trincadas e descartadas durante a fabricação.
Um dos operários da empresa Cerâmica São Caetano, uma das mais reconhecidas do setor, aproveitou a oportunidade para reformar sua casa, pedindo autorização para levar os cacos não utilizados.
Este usou as peças quebradas em todo o piso de seu quintal, mesclando as diferentes tonalidades e criando um mosaico charmoso e chamativo. Com o tempo, a criação chamou a atenção de pedestres e levou a empresa a comercializar os ‘caquinhos’, que rapidamente se tornaram clássicos da arquitetura brasileira.
Apesar de ainda existirem residências como o piso, a difícil manutenção e preservação fez com que o item fosse substituído por outros materiais.
“Tem como pontos positivos a durabilidade, o preço mais baixo e o fato de não ser tão escorregadio por conta dos rejuntes. Por outro lado, se a instalação não for bem feita, o resultado pode ficar desorganizado visualmente, e a manutenção pode exigir mais atenção por causa do acúmulo de sujeira entre as peças”, acrescenta a arquiteta Isabella Nalon.
Os pisos amadeirados são clássicos das residências brasileiras, mas o piso de taco se destaca pela sua organização e encaixe diferenciado, criando uma composição elegante e contemporânea.
Com origem entre os séculos XVI e XVII, na Europa, o piso de taco surgiu como uma alternativa confortável e estética aos pisos de pedra, ganhando atenção, principalmente, pelas cortes francesas.
Já no Brasil, o revestimento se popularizou a partir das décadas de 1950 e 1960, marcando o imaginário arquitetônico nacional devido à sua versatilidade.
Feito a partir de peças menores de madeira nobre, este se estabeleceu como clássico devido à possibilidade de criação de diferentes padrões geométricos, como o espinha de peixe, chevron, amarração, diagonal e dama.
“Traz uma sensação imediata de acolhimento e, ao mesmo tempo, uma elegância discreta. Além disso, permite paginações diferentes que enriquecem muito o desenho do ambiente. Entre os pontos fortes estão o conforto térmico e a possibilidade de renovação ao longo dos anos, o que prolonga a vida útil”, pontua Isabella.
Porém, o custo inicial de pisos de taco costuma ser mais alto do que opções laminadas e porcelanatos. Por se tratar de um item de madeira, é necessário tomar maiores cuidados, podendo riscar com facilidade, ressecar e absorver umidade.
Com acabamento cru e ideal para espaços com estética industrial, o piso de cimento queimado é outro que ainda é bastante encontrado em lares brasileiros.
“O cimento queimado se popularizou principalmente pelo baixo custo e pela facilidade de execução. Era muito comum em casas mais simples e depois voltou com força por conta do estilo industrial. É basicamente uma mistura de cimento, areia e água aplicada diretamente no piso”, explica a arquiteta Vanessa Paiva, do escritório Paiva e Passarini Arquitetura e Design.


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