Base de dados mostra perfil do brasileiro apreendido pela agência de imigração nos governos Biden e Trump
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13.out.2026 às 18h06
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Seis em cada dez brasileiros detidos pelo ICE, a polícia de imigração dos Estados Unidos, são deportados. Dois terços deles não são acusados de nenhum crime —o status imigratório irregular, por si só, não é considerado crime no país. Em média, esperam 37 dias entre a apreensão e a decisão judicial sobre seus casos.
Os dados, inéditos, foram organizados pelo Observatório das Deportações, projeto ligado à Universidade Estadual de Montes Claros, em Minas Gerais, e obtidos pelo Deportation Data Project em um pedido feito ao ICE por meio da lei de acesso à informação americana.
As informações se referem a 2023 e 2024, os dois últimos anos do governo de Joe Biden, e 2025 e 2026, os dois primeiros do segundo mandato de Donald Trump. Para o último ano, os números estão disponíveis até agosto, mas ainda incompletos.
O número de pessoas detidas nos dois primeiros anos do governo republicano é mais do que o dobro das apreendidas nos últimos dois anos da gestão democrata. Até agosto de 2026, 3.650 brasileiros foram presos, a maior quantidade em julho passado (709). O ICE não informa quantos desses imigrantes entraram no país de forma irregular, cruzando a fronteira com o México, por exemplo.
As detenções estão concentradas na Costa Leste dos EUA, onde vive a maior parte da comunidade brasileira no país, em especial nos estados de Massachusetts, Flórida, Nova Jersey, Pensilvânia e Nova York, nesta ordem. A média de idade dos brasileiros presos é 34 anos.
Quase 60% dos detidos pelo ICE nos últimos dois anos não foram acusados formalmente de nenhum crime. Em sua maioria, os brasileiros são detidos por estarem no país em situação irregular, sem um visto válido, o que constitui uma infração civil, não penal.
Outros 30% são acusados de algum crime, mas ainda não tiveram a sentença emitida pelo juiz. Os 10% restantes já foram considerados culpados.
A base de dados pública não especifica de quais crimes são acusados esses brasileiros, mas a reportagem ouviu de pessoas que acompanham esses casos que delitos ligados a tráfico de drogas e violência contra a mulher costumam ser os mais comuns.
Fruto do aumento exponencial no número de detenções, que exigiu maior celeridade do sistema judicial, o tempo médio para a emissão de uma sentença judicial, no caso dos acusados de crime, ou uma ordem de deportação, no caso dos que cometeram infrações civis, caiu. Neste ano, a média é de 37 dias. No último ano de Biden, em 2024, era de 161 dias. Em geral, o imigrante pode pedir um habeas corpus para responder em liberdade ou também pedir para retornar voluntariamente ao seu país.
Grande parte dos detidos neste ano, em torno de 30%, fica em liberdade condicional, o que inclui as possibilidades de ser monitorado por meio de tornozeleira eletrônica ou de se apresentar uma vez por mês à Justiça enquanto se espera uma decisão judicial. Essa porcentagem cresceu em 2026, o ano recorde de detenções de imigrantes, o que desafia a capacidade do sistema prisional.
Ainda que a maioria dos detidos seja maior de idade, há também 569 crianças que foram presas nos dois primeiros anos do governo Trump 2. Neste aspecto, a administração não se difere do que era feito na gestão democrata, dado que nos últimos dois anos de Biden foram presos 625 menores de idade do Brasil.
Em geral, as crianças são levadas com os pais, sob a justificativa de que ficariam sozinhas, e liberadas poucas horas ou dias depois, sem serem levadas para as prisões de longa estadia do ICE.
Em média, nos últimos quatro anos, 75% dos brasileiros presos eram homens, um perfil que cresceu ligeiramente (para 80%) durante o governo Trump.
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