Marcos Tadeu Orlando, representante da Ufes no Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) de Terras Raras, disse que mineradores que atuam no Estado têm procurado a Ufes para identificar a presença de terras raras. | Foto: Reprodução / Jornal A Tribuna Essenciais para a produção de celulares, computadores, carros elétricos e equipamentos de alta tecnologia, as terras raras e os minerais críticos podem ser chamados de “minérios da era digital”.E o Espírito Santo e
Essenciais para a produção de celulares, computadores, carros elétricos e equipamentos de alta tecnologia, as terras raras e os minerais críticos podem ser chamados de “minérios da era digital”.
E o Espírito Santo está incluído na corrida mundial por esses materiais, com 70 empresas interessadas na exploração dessas substâncias no Estado.
O dado se refere a 171 processos minerários relacionados a terras raras — grupo formado por 17 elementos químicos — registrados no Estado, segundo a Agência Nacional de Mineração (ANM). Isso, segundo especialistas, já criará empregos.
Entre as empresas estão a Vale, a estatal Indústrias Nucleares do Brasil (INB) e a Vidy Terras Raras do Brasil. Por cidades, Linhares e São Mateus, no Norte capixaba, concentram o maior número de processos, com 40 cada, seguidas por Jaguaré, na mesma região, com 15 processos.
Os minérios da era digital são elementos químicos e minerais essenciais para fabricar celulares, computadores, chips, satélites, data centers e carros elétricos, por exemplo.
Algumas empresas de mineração que atuam no Estado têm procurado a academia para identificar a presença desses elementos em áreas onde já desenvolvem atividades de extração.
A informação é do físico nuclear, professor do Departamento de Física da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) e representante da Ufes no Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) de Terras Raras, Marcos Tadeu Orlando.
“As empresas de mineração do Espírito Santo estão vindo conversar, mas elas não sabem exatamente o que há. Então, é preciso fazer uma análise físico-química bem apurada para mostrar as possíveis potencialidades”, explicou.
O Estado tem vantagem nessa discussão por já ter parte de uma estrutura. Há portos, corredores logísticos, siderurgia, metalurgia, energia, capacidade de processamento e uma economia historicamente conectada às cadeias minerais, pontua Jaques Paes, executivo da indústria de mineração e professor na Fundação Getúlio Vargas (FGV).
“Essa estrutura reduz a distância entre uma eventual disponibilidade mineral e a possibilidade de desenvolver atividades industriais em torno dela”, disse.
Os minerais críticos podem representar uma nova fronteira de desenvolvimento para o Estado, avaliou Marcelo Loyola, economista e diretor da Faculdade Capixaba de Negócios (Facan).
“Se o Estado aproveitar sua infraestrutura, tradição industrial e proximidade com mercados para atrair novas indústrias, poderá transformar a corrida por minerais estratégicos em investimentos, negócios, arrecadação e empregos qualificados.”
Para o economista mineral Gilberto Dias Calaes, o número de processos é um indicador importante. “O potencial em termos de terras raras e titânio é significativo. Ressalto que a monazita, mineral presente nessas areias, contém tório e urânio, elementos radioativos cujo potencial econômico é relevante”, enfatizou.
Há potencial para uso industrial de terras raras encontradas no Estado, segundo o físico nuclear, professor do Departamento de Física da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) e representante da Ufes no Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) de Terras Raras, Marcos Tadeu Orlando.
Já foram identificados cério, samário e neodímio — três dos 17 elementos químicos que formam o grupo de terras raras —, elementos fundamentais para fabricar tecnologias avançadas, eletrônicos e energias renováveis, além da monazita.
O cério possui propriedades interessantes para ser usado como catalisador ou na captura de CO2 (dióxido de carbono). O samário é estratégico, usado em radares, aviões de guerra, sensores de mísseis, tecnologias stealth (blindagem eletromagnética) e supercondutores (como nos limitadores de corrente), explicou Orlando.
Já o neodímio é excelente para a fabricação de ímãs, usados em motores de bicicletas elétricas, por exemplo. O Brasil domina essa tecnologia e há um grupo em Belo Horizonte especializado em ímãs com o qual o grupo de pesquisa da Ufes mantém contato através da rede do INCT.
“O Espírito Santo tem potencialidades já reconhecidas pela agência nacional. A questão é como utilizá-las e potencializá-las. Além das terras raras, o escoamento do lítio, usado nas baterias dos carros elétricos, passa pelos portos do Estado. Mas precisa focar em ser uma indústria de transformação”, disse o professor.
171 Processos minerários
Relacionados a terras raras estão registrados atualmente no Espirito Santo. As atividades envolvem 70 empresas distintas e abrangem a área total de 71.079,86 hectares.




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