Candidata ao Senado por São Paulo pela Rede e ex-ministra do Meio Ambiente foi a última entrevistada da série de sabatinas de RivoNews

O RivoTalks, programa de entrevistas de RivoNews e GZH, encerrou nesta semana a série de sabatinas com os candidatos ao Senado por São Paulo nas eleições de 2026. A última entrevistada foi Marina Silva (Rede), ex-ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima do governo Lula.

Os convites foram enviados em 10 de agosto, mesma data da divulgação da pesquisa do Instituto Ideia, aos cinco primeiros colocados no levantamento: Simone Tebet (PSB), Marina Silva (Rede), Guilherme Derrite (PP), André do Prado (PL) e Ricardo Salles (Novo).

Cada campanha recebeu três opções de data para a gravação, e a ordem de exibição dos programas seguiu a ordem de aceite. André do Prado não conseguiu encaixar sua participação na agenda do programa, e Guilherme Derrite desmarcou a sua.

Nascida no Acre, seringueira até os 16 anos, quando aprendeu a ler no Mobral, Maria Osmarina Silva Vaz de Lima construiu uma das trajetórias mais marcantes da política brasileira: foi a senadora mais jovem da história do país, ministra do Meio Ambiente em dois governos Lula e candidata à Presidência da República por três vezes.

Fundadora da Rede, partido pelo qual disputa agora uma das duas vagas paulistas no Senado na chapa apoiada pelo PT, ela também sobreviveu a cinco episódios de malária, duas hepatites e uma leishmaniose ao longo da vida.

Na entrevista, Marina defendeu uma reforma política com foco em transparência e rastreabilidade de emendas parlamentares, um código de ética para ministros do Supremo Tribunal Federal e o afastamento temporário do ministro Alexandre de Moraes.

— Os indícios são muito fortes para a abertura de um processo. Eu, inclusive, sugeri que o ministro Alexandre de Moraes se afastasse de modo próprio para se defender — afirmou.

Questionada sobre a mudança de domicílio eleitoral para concorrer por São Paulo, ela lembra que é casada com um paulista há 40 anos e cita votações expressivas que obteve no Estado quando foi candidata à Presidência:

— Acho que a causa que eu defendo do desenvolvimento sustentável, do enfrentamento da mudança do clima, ela não tem fronteira. E quando você é candidata a presidente da República por três vezes, o teu domicílio eleitoral passa a ser o país inteiro.

A conversa também abordou conflitos históricos com o PT e o presidente Lula. Em 2008, por exemplo, a ministra deixou o governo Lula por divergências sobre o plano de prevenção e controle do desmatamento. Segundo ela, sua saída acabou criando um fato político que respaldou a posição que defendia sobre o tema e pressionou o governo a recuar.

— A única pessoa que não voltava atrás em relação à agenda indígena, ambiental, de direitos humanos se chama Jair Bolsonaro, que fez um mal enorme quando estimulou garimpeiros, madeireiros, desmatadores e incendiários para acabar com as florestas brasileiras — afirmou Marina.

Ao ser questionada sobre qual manchete gostaria de ler ao fim de um eventual mandato de oito anos como senadora, ela cita o projeto que pretende apresentar caso eleita:

— Serei autora de um marco legal para a emergência climática, olhando para os 2.095 municípios que estão suscetíveis a eventos climáticos extremos, 177 deles aqui no estado de São Paulo.