Os apoiadores de Lula celebram, com razão, a mobilização do segundo turno nas ruas e nas redes sociais. O medo da eleição do senador Flávio Bolsonaro (PL-...

Não é o caso de dizer que as pesquisas estão erradas, mas não se pode encará-las da mesma forma após os resultados do primeiro turno

Foto: Ricardo Stuckert Whastapp Facebook Linkedin Twitter COMPARTILHAR

Os apoiadores de Lula celebram, com razão, a mobilização do segundo turno nas ruas e nas redes sociais. O medo da eleição do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para presidente reenergizou a esquerda brasileira, que, aparentemente, segue sem enxergar motivos para defender o presidente petista, mas resolveu sair de casa para tentar impedir a volta da família Bolsonaro ao poder.

Esses lulistas apoiam sua confiança nas pesquisas eleitorais, em especial as da PoderData, que indicaram uma queda de seis pontos percentuais na distância de Flávio para Lula desde o fim do primeiro turno, sinalizando um empate em 50% dos votos válidos entre os dois.

É provável que essa pesquisa esteja correta — e não há qualquer motivo para desconfiar das intenções do instituto —, mas é preciso definir o que seria estar correto.

Outros institutos indicaram que há de fato uma onda favorável para Lula, pelo menos do ponto de vista anímico, mas isso não quer dizer que ela se manifestará na urna. A distância entre o resultado do primeiro turno e o que as pesquisas indicavam, aliás, não é animadora para os lulistas.

Andrei Roman, CEO da AtlasIntel, foi o único que elaborou de forma mais clara uma tentativa de entender a surpresa das urnas no primeiro turno, já que poucas pesquisas davam Flávio à frente, apesar de boa parte delas poder alegar que o resultado ficou dentro da margem de erro.

A pesquisa CNT/MDA, que tinha apontado vitória de Lula no segundo turno por 47% a 43% na última pesquisa divulgada antes do primeiro turno, anunciou uma nova ponderação dos números ao divulgar sua primeira pesquisa deste segundo turno, que indicou 47% para Flávio e 46% para Lula.

Há outros pontos de atenção, como o voto envergonhado dos bolsonaristas, que vem afetando as pesquisas em favor dos petistas desde 2018, e as abstenções, mais difíceis de medir e que tendem a afetar mais o eleitorado de Lula, mais pobre e com menos tendência a ir votar.

Diretor da Quaest, Felipe Nunes explicou por que o instituto só pública os resultados de sua pesquisa com os votos válidos, levando em conta a provável abstenção, na última pesquisa.

Além disso, a mobilização dos eleitores de Lula pode interferir nas pesquisas, especialmente as online e por telefone, como as da AtlasIntel e da PoderData, por conta da disposição do eleitorado de participar delas — as intenções de voto para Renan Santos (Missão) no primeiro turno parecem ter sido distorcidas pela disposição da militância do MBL para participar das consultas.

Em meio a todos esses elementos que dificultam a vida dos pesquisadores eleitorais, é preciso levar em conta outros sinais, além das pesquisas, para interpretar o que está ocorrendo na corrida eleitoral.

Também chama a atenção a discrição dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes e Flávio Dino no segundo turno, após a atuação de ambos a favor de Lula ter sido interpretada como parte da derrota colhida pelo petista no primeiro turno.

O fato é que Flávio terminou dois milhões de votos à frente de Lula, com 56,1 milhões a 53,8 milhões. Cerca de 9 milhões de eleitores escolheram algum outro candidato e cerca de 6 milhões votaram branco ou nulo. Outros 33 milhões de eleitores nem sequer foram votar.

Calcula-se que o filho 01 de Bolsonaro fique com a maioria dos votos dos outros candidatos mais relevantes, portanto restaria a Lula convencer seus potenciais eleitores que ficaram em casa (e eles existem) no primeiro turno a ir votar no segundo.

O Datafolha ouviu que 96% dos eleitores pretendem votar em 25 de outubro. No primeiro turno, a abstenção foi de 21,08%, pouco maior do que em 2022 (20,95%), 2018 (20,33%) e 2014 (19,39%).

Nessas últimas eleições, apenas em 2022 a abstenção caiu no segundo turno, e muito pouco, para 20,59%. O desafio da virada lulista é praticamente impossível, quase do tamanho do desafio dos institutos de pesquisa para adivinhar quem exatamente vai votar, independente do que diga.

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