Apesar das notícias sobre o encerramento de cursos na China, o português continua em expansão. Marco Neves resolve ainda um diferendo entre ouvintes e desvenda os gentílicos mais curiosos de Portugal.
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Este é o Português Suave na Rádio Observador, sempre ao domingo e também à quarta-feira, comigo, João Costa e Silva, e claro, com o ninja que a língua já consagrou e os muitos ouvintes que nos ouvem. Marco Neves, bem-vindo.
Olá, está tudo bem? Obrigado. Olá, João. Eu vou te dizer já que descobri que temos um ouvinte famoso, mas não vou revelar hoje.
Muito importante, mas vou ficar aqui um cumprimento. Ele provavelmente sabe quem eu estou a falar, mas na quarta-feira nós revelamos quem é, porque tem que ver com dúvidas que nós já resolvemos e não resolvemos, e por isso fica pra quarta-feira, também pra levar as pessoas a ouvir o episódio de quarta-feira sobre dúvidas.
Mas digamos que é uma pessoa assim com, não queria dizer poder, mas com uma tarefa muito importante no país. É verdade.
Revelamos tudo na quarta-feira.
Na quarta-feira, fica prometido. E hoje vamos falar da China e vamos falar de uma discussão. Pela primeira vez, conseguimos aquele objetivo que nós tínhamos de ter alguém a discutir ao vivo e nós a tentar resolver a discussão. O problema, eu percebi que o nosso pedido era genuíno, mas agora percebi que caímos aqui numa pequena armadilha, mas já falamos disso. Vamos avançar para a língua nas notícias. Então, João, andei à procura de notícias que tivessem a ver com a língua e cheguei à China.
Andei muito, é verdade. Cheguei à China virtualmente. Já lá fui ao vivo, aliás, já falamos disso nessa altura, mas a notícia que apareceu aqui foi do encerramento de vários cursos de português. Apareceu a notícia, e bem, foi aliás um aviso de pessoas relacionadas com o IPOR, que é o instituto que ensina português em Macau. Nós temos o Instituto de Camões, que está responsável pelo ensino de português na maior parte do mundo, e depois temos o IPOR, que trata desse ensino, em particular em Macau, ali centrado na China. Nós sabemos que Macau é hoje parte da China. E o que se passa é que, de facto, a China, ou melhor, certas instituições do ensino superior na China estão a encerrar ou suspender as inscrições de alguns cursos de português. Isto pode preocupar-nos, mas eu gostava aqui de dizer duas coisas. Primeiro, eu acho que cá em Portugal, a notícia a que poucas pessoas têm acesso, e não sei se concordas comigo, João, é a própria notícia de que há muitos cursos de português na China. Portanto, eu gostava de enquadrar isto.
Eu acho que muitos de nós, portugueses, temos essa percepção, não é?
Tem, pronto. Ainda bem, mas eu não sei se temos percepção dos milhares de pessoas que aprendem português na China.
Sim. E, portanto, este encerramento é mau, claro, pelo menos na perspectiva de quem gosta que a nossa língua seja mais estudada e mais conhecida, mas é uma pequena alteração que depois tem explicações relacionadas com a diminuição, em geral, dos cursos de línguas naquelas instituições, não é do português em particular, de questões demográficas. Portanto, é uma preocupação, mas eu gostava aqui só de sublinhar o fato de termos mesmo assim muitos alunos de português na China, e é também continuando a ter essa relação com esses alunos que se interessam por nós e pela nossa língua. Eu posso só dar um exemplo. Ainda há uns anos, conversei com uma professora que ensina português na Áustria. E ela disse-me: "Nós temos muitas pessoas interessadas, mas varia muito. Às vezes basta haver uma alteração política no Brasil, vamos imaginar, que já vão ter menos pessoas interessadas, porque tem que ver com a forma como as pessoas se relacionam com aquele país." Portugal, nesse aspeto, se calhar, não muda tanto no que toca à questão política, mas o que eu quero dizer é que há certas flutuações relacionadas com a língua, o país, o que está nas notícias ou não, mas há este interesse contínuo pelo português, também na China e noutros países, como nós já aqui dissemos várias vezes. Só na Espanha há mais de 50 mil pessoas a aprender português. No Senegal há mais de 50 mil pessoas, ou quase 50 mil pessoas, à volta desse número. Portanto, temos este interesse pela nossa língua, que eu gostava muito de deixar aqui sublinhado e deixar também aqui um agradecimento a todos os professores de português por esse mundo fora, que têm esse trabalho de ensinar a nossa língua a pessoas que a querem aprender.
Marco, só aqui uma coisa, porque eu sou de São João da Madeira, no norte do país, fica muito perto do Porto, a 20 minutos, pertence ao distrito de Aveiro, e há esta questão do mandarim. Sei que em São João da Madeira, o mandarim começou por lá num projeto em 2012, depois foi alargado a outros conselhos, e entretanto há cerca de duas, três semanas, soube-se, e foi notícia, que o ensino de mandarim deixou de ser regular no primeiro ciclo nas escolas em São João da Madeira. Será que há aqui uma quebra de adesão que está a acontecer neste momento?
Aqui estamos a ver ao contrário. Estamos a ver o interesse do mandarim cá em Portugal. Mais uma vez, houve um pico a certa altura. Parece-me haver uma quebra, eu não sou especialista nisto. Há professores de mandarim em Portugal. Olhe, se algum deles nos estiver a ouvir e quiser enviar algumas informações, alguma impressão que têm sobre isto. O que me parece é que, de facto, houve essa quebra. Eu não sei explicar, mas imagino que tenha também.
Na notícia diz isso mesmo, ou seja, que o ensino regular de mandarim chega ao fim no primeiro ciclo. Falam da quebra de adesão, mas ainda assim vão manter o projeto através de outras modalidades de formação.
Pois. Parece-me que houve também, a certa altura, uma certa ideia, que também não sei se é verdadeira ou falsa, e mais uma vez, se houver algum professor de mandarim aqui que queira dizer o que acha sobre isto. O mandarim já não é assim tão importante, mesmo para a China, porque nós vamos à China e eles também têm muito conhecimento de inglês. Esta é uma ideia geral e que me parece um bocadinho falsa, para dizer a verdade. Mas há esta ideia de que o inglês basta, que não é preciso aprender outras línguas mesmo para conseguir ir à China. Não sei até que ponto é que isso é interessante. É que é verdade. Eu também devo dizer que podemos estar a assistir a um momento em que há um menor interesse em aprender outras línguas, porque as pessoas têm a impressão que com inteligência artificial conseguimos comunicar bem.
Mas é uma falsa ilusão.
É sim, exatamente. Mas, por outro lado, também é verdade que há muito mais produção hoje em muitas línguas para lá do inglês. Não sei se depois não vai haver um acerto e a certa altura nós percebemos que é bom que conhecemos mais línguas, porque há muita coisa que está a ser feita noutras línguas e que não passa pelo inglês e a inteligência artificial pode não chegar. Portanto, vamos ver o que é que vai acontecer, mas o que estás a dizer prova precisamente que estas questões passam por flutuações que são, por vezes, todas as línguas, não só do português ou não são do mandarim. Mas fica aqui o convite, se algum professor de mandarim ou alguém que conheça esta questão mais a fundo quiser enviar uma mensagem, pode enviar. E agora, João, vou te pedir ajuda para dizeres.
Em português e não em mandarim.
910 002 41 85. Também em mandarim não iam ter sorte, porque eu não ia conseguir.
E pode ser para o portuguesdosova@observador.pt. Estávamos muito a ouvir o que têm a dizer. E pronto, vamos sair da China e vamos avançar para o mapa da língua em Portugal. Vamos ao Língua no Mapa.




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