Flávio Bolsonaro entra nas últimas semanas da campanha isolado em 2º lugar e aposta em TV, ruas e viagens para encurtar distância de Lula
A um mês do primeiro turno, o candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, mantém-se como o adversário mais próximo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Na última pesquisa Datafolha, o senador aparece cinco pontos atrás do petista no primeiro turno, mas os dois estão tecnicamente empatados num eventual segundo turno.
A campanha conta com as próximas semanas de horário eleitoral e inserções no rádio e na televisão, além de uma agenda mais intensa pelo país, para tentar reduzir a distância. Ao mesmo tempo, as revelações envolvendo o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, abriram uma nova frente de ataque para o bolsonarismo às vésperas do 7 de Setembro.
O episódio ocorre enquanto Flávio ainda tenta administrar o desgaste provocado por sua própria relação com Vorcaro. A Polícia Federal investiga os recursos destinados a Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro (PL), cujo financiamento foi negociado pelo senador com o banqueiro.
A Datafolha divulgada nessa quinta-feira (3/9) mostrou Lula com 38% das intenções de voto no primeiro turno e Flávio com 33%. Augusto Cury (Avante), terceiro colocado, tem 8%. No segundo turno, o presidente marca 46%, contra 44% do candidato do PL, empate dentro da margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou menos.
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Flávio Bolsonaro passou os meses seguintes tentando ampliar as alianças e alcançar eleitores de fora do bolsonarismo. No caminho, enfrentou algumas crises, como o desentendimento público com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) e as primeiras revelações sobre a busca de recursos de Vorcaro para o filme sobre o pai.
Mesmo sem atrair parte dos partidos que estavam no radar do PL, o senador chegou à campanha isolado como o segundo colocado e assim permanece nas pesquisas mais recentes.
A campanha aposta na maior exposição proporcionada pela propaganda eleitoral para apresentar o candidato também a eleitores de fora do bolsonarismo. Flávio tem 4 minutos e 20 segundos no bloco destinado aos presidenciáveis, contra 5 minutos e 31 segundos de Lula, além das inserções espalhadas pela programação de rádio e televisão.
Nos primeiros programas, o candidato falou de família, economia e segurança pública e dedicou espaço ao eleitorado feminino, segmento no qual enfrenta mais dificuldades. Os ataques a Lula apareceram, mas não dominaram as peças.
A equipe também preparou conteúdos sobre custo de vida, endividamento das famílias e dificuldades de empresas e comerciantes. Ao longo da campanha, pretende explorar as investigações que alcançam Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente.
O entorno do candidato tenta dosar esses ataques para sustentar uma imagem menos agressiva do que a adotada por Jair Bolsonaro em diferentes momentos de sua trajetória política.
A ligação com o ex-presidente, porém, continua presente tanto na propaganda quanto na mobilização de apoiadores.
Flávio Bolsonaro abriu a campanha com um ato em Copacabana, no Rio de Janeiro, palco recorrente de atos do pai. Aliados avaliam, contudo, que o senador ainda não conseguiu mobilizar o bolsonarismo e simpatizantes na mesma proporção alcançada por Bolsonaro em eleições anteriores.
O principal teste até agora deve ocorrer no 7 de Setembro, na Avenida Paulista. A data e o local foram usados repetidamente pelo ex-presidente em manifestações políticas.
As mensagens entre Moraes e Vorcaro, reveladas a poucos dias do ato, passaram a ocupar espaço na convocação. Aliados de Flávio avaliam que o caso pode estimular a participação de apoiadores e dar mais força às críticas ao ministro e ao governo Lula.
Alexandre de Moraes é considerado um dos principais “antagonistas” do bolsonarismo. O ministro esteve à frente de processos e investigações que atingiram Jair Bolsonaro e aliados e foi relator da ação que resultou na condenação e na prisão do ex-presidente por tentativa de golpe de Estado.
Depois da retirada do sigilo do relatório da Polícia Federal sobre as conversas entre Moraes e Vorcaro, Flávio aumentou o tom contra o ministro. O senador passou a defender explicitamente a renúncia do magistrado e a abertura de investigações sobre sua atuação.
Flávio Bolsonaro em Porto Alegre (RS)
Senador e candidato a presidência Flávio Bolsonaro (PL)
Flávio Bolsonaro e Renato Araújo em Angra dos Reis (RJ)


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