A economia da Venezuela começou a entrar em colapso de forma tão grave há mais de uma década que hospitais ficaram desmantelados, apagões se tornaram onipresentes e até mesmo os produtos mais básicos desapareceram das prateleiras das lojas. Leia mais (06/28/2026 - 04h00)

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Simon Romero Emma Bubola

Cidade do México e Buenos Aires | The New York Times

A economia da Venezuela começou a entrar em colapso de forma tão grave há mais de uma década que hospitais ficaram desmantelados, apagões se tornaram onipresentes e até mesmo os produtos mais básicos desapareceram das prateleiras das lojas.

Logo, milhões de venezuelanos fugiram do país, muitas vezes a pé, espalhando-se pelo hemisfério e além. Diante do declínio acentuado da nação, o governo repressivo da Venezuela endureceu ainda mais o controle, fraudando uma eleição e roubando as esperanças de mudança da população.

Em seguida, vieram ataques militares dos EUA contra embarcações na costa do país, um bloqueio parcial de seu petróleo e uma intervenção surpreendente: o governo Trump invadiu a capital, Caracas, capturou o líder autoritário da Venezuela e declarou que os Estados Unidos administrariam o país, transformando-o, na prática, em um Estado vassalo.

Após tantas crises avassaladoras, a Venezuela finalmente parecia estar prestes a viver um renascimento econômico neste ano. O petróleo voltava a fluir, seus líderes restabeleciam laços com credores globais e executivos do setor de energia afluíam a Caracas para explorar possíveis negócios.

Então, os dois terremotos ocorridos na semana passada viraram tudo de cabeça para baixo.

O regime venezuelano, com escassez de recursos e já lutando para controlar a maior taxa de inflação do mundo, precisa agora, de alguma forma, organizar uma resposta gigantesca ao desastre: remover enormes quantidades de escombros, localizar e cuidar de inúmeros sobreviventes recém-desabrigados e restaurar serviços básicos para uma nação em crise.

"Este é um país que já tinha enormes necessidades de reconstrução", disse Francisco Rodríguez, um importante economista venezuelano. "Agora, além disso, eles precisam reconstruir sem ter acesso imediato a recursos."

É provável que a tragédia aumente as expectativas em relação aos EUA, especialmente porque o governo Trump assumiu o controle da indústria petrolífera da Venezuela após deter o líder do país, Nicolás Maduro, em janeiro.

Trump descreveu a transformação da Venezuela em um Estado cliente rico em recursos, liderado por Delcy Rodríguez —a sucessora de Maduro escolhida por Washington—, como um sucesso tremendo. Mas, mesmo antes dos terremotos, crescia no país a frustração com a falta de melhoria nas condições de vida sob o novo regime apoiado pelos EUA.

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Trump afirma que os EUA estão "prontos, dispostos e aptos a ajudar" o país após os terremotos. No entanto, os venezuelanos já criticam a resposta de seu governo ao desastre, apontando que civis têm liderado muitos dos esforços de resgate nas áreas mais atingidas.

"Isso definitivamente aumenta a pressão sobre o governo de Delcy Rodríguez e seu patrocinador, o governo dos EUA, para começarem a apresentar mais resultados", diz Omar Zambrano, economista da Universidade Católica Andrés Bello, em Caracas.

Enquanto os venezuelanos vasculham os escombros, o choque causado pelos terremotos é avassalador. O número de mortos é de 1.430 e certamente aumentará.