Ações das gestões do Recife e do estado são questionadas em debate com candidatos ao governo de PE - Ricardo Fernandes/Folha de Pernambuco Aditivos em contratos públicos, salário acima do teto constitucional, concessão da Companhia Pernambucana de Saneamento (Compesa), creches e câmeras corporais para policiais militares foram alguns dos temas debatidos no terceiro bloco do debate entre os candidatos ao governo de Pernambuco, promovido pela TV Guararapes, nesta segunda-feira (21).
João Campos respondeu que os aditivos são regulamentados pela legislação. Em seguida, questionou a governadora sobre o salário recebido por ela, que, de acordo com o postulante, ultrapassa o teto constitucional.
“Candidata, você sabe que aditivo é regulamentado em lei e eu sigo a lei. Falando em aditivo, como primeira medida do seu governo, você aditivou o seu salário, quase três vezes o valor de um salário de governador, de governadora. Essa lei é inconstitucional, inclusive a Justiça está questionando sobre essa lei”, afirmou.
O candidato também citou outras obras e contratos do governo estadual que têm aditivos.
“Sobre aditivo, o Arco Metropolitano tem aditivo. Você sabia que tem um aditivo de mais de R$ 40 milhões em obras da restauração, do seu governo?”, disse.
Ao retomar a palavra, Raquel Lyra rebateu a afirmação de que a legislação referente ao salário dela seria inconstitucional.
“Governar exige maturidade e experiência. O senhor falta com a verdade quando diz que a lei é inconstitucional, afinal de contas o senhor nem é do Supremo Tribunal Federal. Qualquer um sabe que só pode declarar inconstitucional se um ministro do Supremo dizer que o é."
“Existem outros contratos da orla para banheiro, para quiosque, para centralidades. Então, o debate que você está fazendo é um debate errado para correr de questionamentos."
O candidato também respondeu à declaração de Raquel Lyra de que ele não seria ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) para afirmar que a legislação seria inconstitucional.
“De fato, não sou ministro do Supremo, mas o ex-ministro Ricardo Lewandowski deu um parecer falando sobre isso. Inclusive, falou da imoralidade, um termo técnico quando um chefe de Executivo é proibido de aumentar o seu salário”, disse.
Educação Em outro momento do terceiro bloco do debate, a governadora questionou João Campos sobre o reajuste concedido aos professores durante a gestão do ex-prefeito do Recife.
“O senhor deixou a Prefeitura do Recife com dificuldade financeira e uma das áreas que mais sofreu foi a própria educação. O senhor ofereceu um reajuste de R$ 1 para professor e isso fez o professorado do Recife entrar em greve. É assim que o senhor trata o servidor público do município? Como o servidor público do estado, vendo a referência do município sem concurso, sem respeito, sem diálogo, vai acreditar que o senhor pode fazer diferente no governo do estado de Pernambuco, se eleito fosse?”.
Em resposta, o candidato mencionou que a governadora estaria confundindo o valor do reajuste com uma informação apresentada por ela à Justiça Eleitoral.
“Governadora, eu acho que você está confundindo as coisas. R$ 1 foi o que foi declarado na sua conta corrente para a Justiça Eleitoral. A gente nomeou mais de 2,5 mil professores na rede, fizemos reajuste ano a ano, acumulados, a valores sempre superiores a esses percentuais, inclusive citados, porque a gente faz de verdade, diferente do seu governo, que demitiu 1,5 mil professores na véspera do Enem acontecer”, afirmou.
Na sequência, João Campos questionou a governadora sobre a promessa de construção de creches.
“Eu queria dar a oportunidade para a candidata explicar por que prometeu 250 creches e não fez nem 15”, disse.
A governadora não respondeu diretamente a pergunta sobre as creches e voltou a criticar João Campos pelo reajuste concedido aos professores.
“Ele não desmentiu a história de que é R$ 1 que ele ofereceu de reajuste no ticket para professor e o professor entrou em greve. Era de maneira sistemática servidores públicos da Prefeitura fazendo protestos na frente da Prefeitura, inclusive no que diz respeito ao pagamento de precatórios."
Compesa Outro tema abordado foi a concessão de parte dos serviços da Compesa. O ex-prefeito do Recife João Campos questionou o ex-vereador do Recife Ivan Moraes (PSOL) sobre o assunto.
“O serviço de distribuição da Compesa foi concedido e há uma tabela de reajuste dos preços aprovada na Arpe (Agência de Regulação de Pernambuco) nesta semana que fala em reajuste de mais de 500% de determinados serviços, como a ligação de água pela primeira vez, saindo de R$ 90 para R$ 590 a ligação de água de uma casa. O que você acha disso?”, perguntou.




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