Ulrich Siegmund, líder do partido na Saxônia-Anhalt, defende fabricação bélica para política de "repatriação"
Compartilhar matériaUlrich Siegmund, provável futuro líder do partido de extrema-direita AfD (Alternativa para a Alemanha) no estado da Saxônia-Anhalt, no leste da Alemanha, sugeriu que uma fabricante de armas poderia ser autorizada a operar no estado para fornecer recursos destinados a futuras ofensivas de deportação.
A Afd, que mantém laços com a Rússia e se autodenomina um "partido da paz", opõe-se aos gastos recordes da Alemanha com defesa sob a liderança do chanceler Friedrich Merz e ao apoio militar à Ucrânia, levantando dúvidas sobre o futuro de um investimento planejado na indústria de defesa na cidade de Sangerhausen.
Em entrevista coletiva na quinta-feira (10), Siegmund indicou que o partido não se opõe à produção de armamentos para fins domésticos.
"Não condenamos a produção de equipamentos militares de forma generalizada, pois naturalmente precisaremos dos recursos adequados para futuras campanhas de repatriação e deportação", afirmou ele.
"Isso também é do interesse da segurança interna, da nossa própria estabilidade e da defesa nacional", acrescentou Siegmund.
A emissora local MDR informou que a empresa israelense Elbit Systems está em negociações para construir uma fábrica no local, destinada à produção de componentes para outras empresas alemãs.
Autoridades municipais afirmam que não seriam fabricados sistemas de armas completos, drones ou projéteis de artilharia na unidade, que poderia gerar até 400 empregos.
Um porta-voz da Elbit não respondeu imediatamente a um pedido de comentário nesta sexta-feira (11), feriado em Israel.
A AfD, partido anti-imigração que busca formar um governo estadual após uma vitória eleitoral histórica — embora sem alcançar a maioria absoluta —, prometeu uma ofensiva de deportação desde o "primeiro dia", além de patrulhas cidadãs e salas de aula separadas para crianças refugiadas.
Siegmund disse que o partido está acompanhando os desdobramentos em Sangerhausen e examinará mais de perto quais produtos seriam fabricados no local.
Qualquer apoio ao projeto poderia complicar as negociações com o partido populista de esquerda BSW, a única legenda que não descartou uma cooperação com a AfD.
O BSW, que assim como a AfD se opõe ao apoio militar alemão à Ucrânia, fez campanha contra o projeto de Sangerhausen, rejeitando os argumentos econômicos a favor da atração de fabricantes estrangeiros do setor de defesa.
Ulrich Siegmund, do partido de extrema direita AfD (Alternativa para a Alemanha), é o provável próximo líder do parlamento estadual da Saxônia-Anhalt, no leste do país, após uma vitória eleitoral histórica.
O ex-vendedor de perfumes, de 35 anos, apresentou pontos que pretende concretizar nos primeiros 100 dias de mandato, como parte de seu manifesto eleitoral "Visão 2026".
O AfD conquistou quase 44% dos votos no domingo (6), mas não alcançou a maioria absoluta na legislatura estadual. O partido espera atrair parlamentares conservadores individualmente para conseguir governar.
As emissoras públicas têm sido um dos principais alvos da campanha de Siegmund; ele as considera parciais e inchadas.
Sua primeira medida seria retirar-se de um acordo entre os estados federados da Alemanha que regula as práticas de mídia.
Ele afirmou que esse seria o primeiro passo para abolir a taxa de radiodifusão pública de € 18,36 (cerca de R$ 109,14) mensais, que as residências são obrigadas a pagar para financiar canais como a ARD e a ZDF, independentemente de possuírem televisão ou rádio.
Em seu lugar, o partido instituiria um modelo financiado por impostos.
Outras propostas incluem hastear a bandeira da Alemanha em prédios públicos e iniciar uma campanha de "pensar como alemão", visando reacender o orgulho nacional.




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