O governador do Banco de Portugal (que fez um alerta), José Luís Carneiro (que não quer mudanças) e a nossa esquerda (que acha curta a descida do IRS) são ...

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Começa agora uma nova edição do "O Bom, o Mau e o Vilão". Olá, Miguel Pinheiro, bom dia.

Bom dia, Miguel. O teu bom é o Governador do Banco de Portugal.

Sim, Álvaro Santos Pereira avisou ontem que nem o Governo, nem as autarquias, nem o setor privado perceberam a urgência do problema da habitação. Segundo ele, os níveis previstos para o investimento em construção não são nem de perto, nem de longe suficientes. Ele lembrou que faltam pelo menos 300 mil casas e usou até a imagem de que isto equivale a uma Lisboa inteira. E ele disse-nos isto, eu vou citá-lo: "As coisas estão a melhorar um pouco nos licenciamentos, mas não estamos a construir o suficiente para enfrentar o problema que temos em mãos." E nestes momentos convém sempre lembrar duas verdades universais. A primeira é que, infelizmente, as casas não se constroem sozinhas. É uma pena, isso resolveria muitos dos nossos problemas, mas não se constroem sozinhas. E a segunda é que quanto mais difícil e arriscado for construir uma casa, mais escassas e caras elas serão. Não há volta a dar, não há outra maneira. E por isso, ou o poder político torna menos difícil e menos arriscado construir uma casa, ou então vamos andar nisto.

Mas é para ontem, isso. Não é para daqui a 10 anos.

Mas não estou a ver.

Por isso, não vai correr bem.

Temos assunto para décadas.

O bom é o Governador do Banco de Portugal. E quem é o teu mau?

Olha, nem de propósito, Maria João. Essa é a pergunta para a qual urge dar a resposta. E o mau é José Luís Carneiro. Cá está o exemplo de alguém que, para citar o Governador do Banco de Portugal, não percebeu a urgência do problema da habitação. O líder do PS voltou a falar sobre a intenção do Governo de alterar a lei das rendas e, que remédio tenho eu, tenho que voltar a falar sobre o que ele diz. Segundo ele, está em causa apenas uma teimosia e uma disputa partidária. Ele prometeu fazer tudo no Parlamento para limitar os impactos das medidas que o Governo quer implementar. Eu não percebi muito bem como, porque também ontem os socialistas anunciaram que não vão apresentar nenhuma proposta na discussão do tema, na especialidade. Portanto, vão simplesmente votar contra. Estou a imaginar. Vai ser essa a forma de limitar os impactos. De qualquer forma, já sabemos. O PS olha para o problema da habitação como sempre olhou, ou seja, faz de conta que não vê aquilo que está à frente de toda a gente. Nós tivemos oito anos do governo de António Costa. Basta olhar para o que aconteceu na habitação naquela altura e o PS continuou na mesma.

Sim, a insistir na mesma receita. Enfim, o resultado foi muito bom.

Certo, para quê mudar, não é, Paulo?

Se está tudo a correr bem.

Para quê mudar? Se a carne queimou no forno, para quê estar a mudar?

Miguel, o teu vilão falou sobre impostos.

Sim, foi até uma alegria inesperada, porque a nossa esquerda ontem falou sobre impostos, o Parlamento discutiu a proposta de descida do IRS apresentada pelo Governo e eu fiquei banzado ao ouvir aquilo, porque afinal, então não é que a nossa esquerda queria mais, acha pouco aquilo que aconteceu e, portanto, sendo assim, eu só posso concluir que eles queriam uma descida ainda maior do IRS. Miguel Costa Matos, do PS, agitou uma nota no Hemiciclo e disse isto: "10 €. Para chegar a este valor, com a sua proposta de descida do IRS, é preciso ter um salário superior a 3.000 €. Esta proposta, de facto, não vai aliviar as famílias em relação ao custo de vida." E depois disse: "Só nos 10% mais ricos é que esta descida do IRS vale mais do que o IVA zero." Isabel Mendes Lopes, do LIVRE, santo Deus, afirmou o seguinte: "São 12,10 € por ano. Isso significa 1 € por mês, senhor ministro. É preciso, sim", disse Isabel Mendes Lopes do LIVRE, "é preciso, sim, baixar os impostos sobre o trabalho. É preciso baixar o IRS às famílias, mas mais do que o Governo faz e de uma forma muito mais justa e mais eficaz." E até Fabian Figueiredo, do Bloco de Esquerda, se indignou, eu vou citá-lo: "Para quem ganha 1.000 € ao preço a que está o combustível, dá para meio litro de combustível por mês. É isto que significa a redução que o senhor ministro aqui veio apresentar." Portanto, a esquerda, que está sempre a inventar mil argumentos para evitar descidas ou reduzir descidas do IRS, pelos vistos, afinal, estamos todos de acordo. E se estamos todos de acordo, então vamos a isso. Acho que o Governo já não tem desculpas. Pode apresentar uma descida substancial do IRS e terá seguramente os votos de que precisa no Parlamento. Acho que agora é só fazer.

Agora só falta também ver qual é a parte da despesa que vai compensar o corte da despesa.

Paulo, sempre desagradável.

Não, mas pronto, está bem.

Estás sempre com essas coisas, dizes: "Manico, percebes destas coisas de economia?" Sempre a incomodar com isto. Eu tenho a certeza de que as pessoas que defendem isto, e nas quais eu me incluo, depois estarão de acordo que naturalmente o Estado não pode continuar a gastar o mesmo que gasta. Mas eu acho que nós até já temos um ministro para resolver isso, não temos? Um ministro da Reforma do Estado, não está a tratar disso.