Durante os últimos dois anos, multiplicaram-se as previsões de que a Inteligência Artificial iria eliminar milhares de postos de trabalho na engenharia de software/programadores. Mas será mesmo tempo? Os dados mais recentes mostram um...
27 Jun 2026 · Notícias 15 Comentários
Durante os últimos dois anos, multiplicaram-se as previsões de que a Inteligência Artificial iria eliminar milhares de postos de trabalho na engenharia de software/programadores. Mas será mesmo tempo?
Os dados mais recentes mostram um cenário bastante diferente: os engenheiros continuam a ser dos profissionais mais procurados pela indústria tecnológica.
Um relatório da SignalFire, empresa especializada em análise do mercado de trabalho tecnológico, revela que, apesar da desaceleração das contratações no setor, a engenharia continua a destacar-se como a área mais resistente ao impacto da IA.
Segundo o estudo, as grandes empresas tecnológicas contrataram menos 25% de trabalhadores em comparação com 2019. Contudo, quando se analisam apenas os cargos de engenharia, a quebra foi de apenas 11%. Mais impressionante ainda é o facto de os engenheiros representarem agora 55% de todas as novas contratações nas principais empresas tecnológicas, quando em 2019 esse valor era de 46%.
A tendência também é visível nas startups. As empresas em fase inicial contrataram mais 7% de engenheiros em 2025 do que em 2019, contrariando a ideia de que a IA estaria a substituir programadores e outros profissionais técnicos.
Os especialistas apontam que a Inteligência Artificial está, sobretudo, a aumentar a produtividade dos engenheiros. Ferramentas como assistentes de programação permitem automatizar tarefas repetitivas, libertando tempo para atividades de maior valor acrescentado, como arquitetura de software, desenho de sistemas complexos e resolução de problemas.
Esta visão é também defendida por líderes da indústria. O CEO da Nvidia, Jensen Huang, afirmou recentemente que, desde que todos os engenheiros da empresa passaram a utilizar ferramentas de IA generativa, estão "mais ocupados do que nunca", precisamente porque conseguem desenvolver mais projetos e responder a novos desafios.
Embora as notícias sobre despedimentos no setor tecnológico continuem frequentes, vários indicadores mostram que a procura por talento técnico permanece elevada. Dados recentes da TrueUp revelam que as ofertas de emprego em empresas tecnológicas cresceram cerca de 14% desde o início do ano, com destaque para áreas ligadas à infraestrutura de IA e hardware.
Isto não significa que a profissão esteja imune às mudanças. A IA está a alterar profundamente a forma como os engenheiros trabalham, exigindo novas competências e maior capacidade para colaborar com ferramentas inteligentes. O perfil do engenheiro do futuro será provavelmente menos focado na escrita manual de código e mais orientado para o desenho de soluções, validação, supervisão e integração de sistemas baseados em IA.
Para quem receava que a Inteligência Artificial viesse substituir rapidamente os engenheiros, os dados atuais sugerem precisamente o contrário: a tecnologia está a transformar a profissão, mas continua a aumentar a necessidade de profissionais qualificados para desenvolver, supervisionar e tirar partido destas novas ferramentas.


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