Em pouco mais de uma semana tudo mudou na seleção nacional: Jorge Jesus e Cristiano Ronaldo pareciam estar em sintonia, mas tudo se desmoronou e o capitão ba...

"Não queriam fazer disto um caso que não existe. Não há caso nenhum". Foi desta forma que Jorge Jesus abordou, na tarde de quarta-feira, a novela criada em torno da utilização de Cristiano Ronaldo na seleção nacional. O selecionador português dizia estar tudo sanado e que CR7 iria treinar normalmente com a equipa poucos minutos depois. No entanto, isso não aconteceu. O avançado português não gostou daquilo que ouviu, não subiu ao relvado e abandonou o estádio Parken, tomando uma decisão radical: deixar Copenhaga e rumar a Madrid. 

As pazes feitas na véspera, e já com Pedro Proença, presidente da Federação Portuguesa de Futebol, a viajar de emergência para a Dinamarca para limitar os estragos, acabariam por de nada valer e o divórcio seria total. 

Enquanto os restantes jogadores da seleção nacional treinavam no relvado a pensar no jogo com a Dinamarca - que acontece na noite desta quinta-feira - Cristiano Ronaldo entrava numa carrinha para rumar ao hotel, antes de seguir viagem para Madrid, acionando, de imediato, o seu jato particular.

Cristiano Ronaldo precisou de pouco mais de 10 minutos, segundo a RTP, para decidir que não queria continuar no estágio da seleção, após total desagrado com aquilo que ouvira do seu selecionador. 

"Acham que algum jogador de uma seleção se recusa a treinar? Não é de Portugal. É de outra seleção do mundo. Só se se quiser ir embora e tiver outras ideias. Ninguém se recusa a treinar", atirava Jorge Jesus, não imaginando que a seguir CR7 faria mesmo isso: recusaria treinar e bateria com a porta. 

Mais tarde, o avançado português emitiu um comunicado, nas redes sociais, confirmando a sua saída do estágio e fazendo uma promessa aos portugueses: contar, num futuro próximo, as razões que o levaram a tomar tal decisão. 

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Mais contida foi a reação da FPF, que se limitou a informar sobre a saída do capitão da convocatória, apontado o foco para os jogos que faltam nesta pausa para os compromissos da Liga das Nações. 

Depois de ter ajudado o avançado português a conquistar, na temporada passada, o primeiro título interno na Arábia Saudita, ao serviço do Al Nassr, Jesus viu a relação com Cristiano Ronaldo deteriorar-se rapidamente após a chegada à seleção nacional.

Há pouco mais de uma semana, Cristiano Ronaldo e Jorge Jesus protagonizaram uma conferência de imprensa conjunta, em pleno Football Summit, organizado pela FPF, com contornos até inusitados. Desde então, a relação deteriorou-se de forma acelerada até à saída de Ronaldo do estágio. Eis a cronologia dos acontecimentos. 

Cristiano Ronaldo, ao lado de Jorge Jesus, dizia que se sentia apto para continuar a ajudar a seleção, mas que sairia a partir do momento em que Jorge Jesus não contasse com ele. 

"Se o míster não contar comigo, eu posso sair já hoje. Quando não quiserem contar comigo na seleção eu sou o primeiro, em conversa conjunta... Quando eu sentir que não estou aqui a fazer nada dentro de campo, não faça golos, crie um mau ambiente ou que não me querem aqui... Agarro na minha mala e vou-me embora. Se contam comigo e eu com eles, é por isso que sigo na seleção. Eu tenho a certeza que ainda continuo a dar aquilo que precisam de mim na seleção, basta verem os números. Quando não der mais, serei o fã número um da seleção."

Jesus, por seu turno, destacava a importância do estatuto de um jogador como CR7 e garantia a titularidade do capitão no jogo frente ao País de Gales. 

Tudo corre como planeado e Cristiano Ronaldo é titular na estreia de Jorge Jesus no comando técnico da seleção nacional. 

Aos 67 minutos, Ronaldo foi substituído por Gonçalo Ramos, já depois de ter visto um golo ser anulado. O capitão português saiu de forma expedita, agradecendo o carinho vindo das bancadas de Alvalade. 

O nível de exigência sobe na Liga das Nações com visita a Noruega. Jorge Jesus opta por deixar Ronaldo fora do onze titular, num plano que terá sido traçado atempadamente. O plano, de acordo com o próprio JJ, passava por CR7 apenas jogar no primeiro e no último jogo. No entanto, na manhã de domingo disse a CR7 que poderia precisar dele na última meia hora em Oslo. 

Ronaldo esteve no banco, incentivou os colegas de equipa na entrada em campo e festejou os golos de João Félix e Gonçalo Ramos. Durante a segunda parte, realizou exercícios de aquecimento, mas não entrou em campo, dirigindo-se diretamente para o balneário após o apito final. 

Ronaldo falhou o momento de comunhão com os adeptos e Jesus prometeu falar com o jogador sobre o sucedido. A reação não passou despercebida além-fronteiras e depressa se começou a falar em ambiente de "tensão" na seleção portuguesa. 

Cristiano Ronaldo falha o treino da seleção nacional em Malmo, depois de ter subido ao relvado e conversar durante alguns minutos com Jorge Jesus. Os restantes jogadores treinavam enquanto Ronaldo voltava ao hotel para realizar "trabalho de ginásio". 

O ambiente ficou crispado com JJ e os dois falaram depois de jantar, resolvendo o diferendo. O selecionador nacional terá, inclusive, pedido "perdão" a CR7 pela situação que aconteceu na Noruega e prometeu também pedir desculpa publicamente, de acordo com Edu Aguirre, jornalista espanhol e amigo íntimo do avançado de 41 anos.