Liner siliconado não deve ir para a coleta seletiva comum e pode ser reaproveitado na produção de embalagens e outros papéis

Montar o álbum da Copa do Mundo é tradição em muitas famílias brasileiras, mas o que sobra da brincadeira costuma levantar uma dúvida. Como o papel emplastificado da parte de trás das figurinhas deve ser descartado? Chamado de liner, o material parece papel comum, mas tem uma camada de silicone e exige um descarte diferente para não virar rejeito e comprometer a reciclagem.

A boa notícia é que o liner pode, sim, voltar para a cadeia produtiva. No Brasil, é possível reaproveitar o material e transformá-lo em novos produtos, como embalagens, papel toalha e até papel sulfite. O desafio, segundo especialistas ouvidos pelo Metrópoles, está menos na tecnologia e mais em fazer o resíduo chegar ao destino correto.

O papel que fica atrás da figurinha é o suporte que protege o adesivo até o momento da colagem. Apesar da aparência semelhante à de um papel comum, ele tem uma composição diferente e recebe uma camada de silicone para permitir que a figurinha seja destacada sem grudar.

É justamente essa característica que atrapalha a reciclagem tradicional. Segundo a engenheira ambiental Beatriz Rodrigues de Barcelos, da Universidade Católica de Brasília (UCB), o silicone impede que o material se comporte como um papel comum no processo industrial feito por cooperativas e recicladoras convencionais.

Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles “Por causa da resina de silicone, ele não se dissolve na água durante o processo padrão de reciclagem de papel, agindo como um contaminante que estraga o lote de papel reciclado” explica Beatriz. Na prática, isso significa que jogar o liner na lixeira de recicláveis nem sempre ajuda. Em vez de ser reaproveitado, o material pode acabar separado como rejeito no meio do processo, aumentando o trabalho das cooperativas e dificultando a triagem.