Leite, ovo, frutos do mar e castanhas estão entre os alimentos mais associados a reações; especialista explica diferenças e sinais de alerta
Uma coceira que aparece depois de uma refeição, dor abdominal, diarreia ou até mesmo dificuldade para respirar podem ter relação com o que foi colocado no prato. As reações variam de acordo com o alimento e com o organismo de cada pessoa. No Brasil, estimativas da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI) apontam que a alergia alimentar pode atingir cerca de 8% das crianças e entre 2% e 3,5% dos adultos .
Para entender os principais tipos de reação, os sintomas e os cuidados necessários, o iG ouviu Lucélia Paula Cabral Schmidt, professora da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) e gastropediatra do Hospital Universitário (HU-UFJF) .
Segundo a especialista, entre as crianças, a alergia à proteína do leite de vaca (APLV) é a mais frequente nos primeiros anos de vida, seguida por reações a ovo, soja, trigo, amendoim e castanhas. Entre os adultos, frutos do mar, peixes, amendoim e castanhas estão entre as alergias mais comuns.
A intolerância à lactose, por sua vez, é muito frequente na vida adulta e também pode aparecer em crianças, principalmente a partir dos 6 anos.
Os sintomas dependem do tipo de reação. Algumas alergias, chamadas mediadas por IgE, quando o sistema imunológico produz anticorpos chamados imunoglobulina E (IgE) contra uma determinada proteína do alimento, provocam manifestações poucos minutos depois da ingestão do alimento.
Entre os sinais estão:
Também existem reações que aparecem horas ou até dias depois, principalmente em bebês. Nesses casos, sangue nas fezes, diarreia persistente, refluxo importante, irritabilidade e dificuldade para ganhar peso podem ser sinais de uma reação alimentar.
Lucélia explica que uma das pistas mais importantes para a investigação é observar se os sintomas aparecem repetidamente depois do consumo de determinado alimento.
A anafilaxia é uma reação alérgica grave e potencialmente fatal. Ela pode surgir rapidamente após o contato com o alimento e provocar dificuldade para respirar, queda da pressão arterial, inchaço na garganta, conhecido como edema de glote, além de desmaio e comprometimento de diferentes órgãos.
O edema de glote ocorre quando há um inchaço na região da garganta que pode estreitar ou bloquear a passagem de ar. Por isso, diante de sinais de uma reação alérgica grave, é necessário procurar atendimento médico de emergência imediatamente. Sem tratamento rápido, a anafilaxia pode evoluir para parada respiratória, choque e morte.
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Os alimentos associados às alergias mudam conforme a idade.
Nas crianças, a proteína do leite de vaca é a principal causa de alergia nos primeiros anos de vida. Depois aparecem, entre outros, ovo, soja, trigo, amendoim e castanhas.
Nos adultos, as reações a frutos do mar, peixes, amendoim e castanhas são mais comuns.
No entanto, a presença de sintomas depois de comer um desses alimentos não significa automaticamente que exista uma alergia. A confirmação depende de avaliação médica, principalmente através de testes.
A alergia à proteína do leite de vaca (APLV) é uma reação do sistema imunológico contra as proteínas presentes no leite.
Em bebês, alguns sinais que podem chamar a atenção são:
Segundo Lucélia, esses sintomas também podem ter outras causas. Por isso, o diagnóstico precisa ser feito por meio de avaliação médica, evitando a retirada desnecessária de alimentos.
Alguns bebês ainda podem apresentar uma reação mediada por IgE, com urticária e, em casos graves, anafilaxia após o consumo da proteína do leite.
Na maioria dos casos, sim. Grande parte das crianças desenvolve tolerância ao longo da infância, principalmente nas formas que não são mediadas por IgE.




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