Ensaios com desportistas profissionais mostraram que não há diferenças entre usar proteína vegetal e animal, revela Alexandre Pitta de Abreu, CEO da Bettery, empresa de suplementos 100% vegetais.

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A nutrição do futuro tem que ter conveniência, tem que ser conveniente, formatos convenientes, tem que ter sabor, porque senão há uma porcentagem muito pequena das pessoas que compram pelo tema da sustentabilidade. E vamos ser muito claros.

Sim, claro. Eu percebo isso.

É verdade. Eu ligo imenso a isso.

Portanto, é super relevante não só aliar a ciência, mas também à indulgência, ao sabor, ao prazer de consumir.

Suplementos alimentares. Eis um setor que há anos está em franco crescimento em todo o mundo ocidental, sem sinais de abrandamento. Só em Portugal, onde metade da população os consome, nos primeiros nove meses do ano passado, as vendas ultrapassaram 223 milhões de euros. E só nas farmácias, sem contar com o mercado online. Alexandre Pita de Abreu é gestor, consultor, coach e mentor, mas tem também um lado empreendedor que o levou, depois de uma espécie de epifania num trekking nos Himalaias, a fundar, em plena pandemia, a Batterii, com dois Es, uma startup portuguesa de biotecnologia dedicada ao desenvolvimento de soluções nutricionais 100% vegetais, com base científica, pensadas para ajudar as pessoas a sentirem-se e a funcionarem melhor. Olá, Alexandre, e bem-hajas por teres aceitado o meu convite. Bem-vindo à Rádio Observador.

Eu é que agradeço, é um prazer estar aqui.

Não é a tua estreia na rádio, mas quase.

Digamos que chegaste ao topo de carreira. Muito bem, já uma semana antes do Natal, acolhi aqui o Tiago Ferreira, da Supleni, também um bocadinho a falar deste tema, que é uma coisa muito curiosa. Tu, só para situar-te aqui no teu percurso académico, estudaste num colégio maravilhoso, São João de Brito, onde tu dizes: "Aprendi a servir". É bonitinho, porque é o lema do colégio, educar para servir, os jesuítas. Tem alguns valores importantes que tu lembras que tenha vindo dessa formação?

Sem dúvida. A começar por aquilo que é o chavão do colégio, de educar para servir. Claramente, procuro pautar toda a minha vida pessoal, familiar e profissional com essa diretriz, porque para mim é a única forma de estar na vida. E outros valores como camaradagem, o esforço, o rigor, a procura pela verdade, seja ela mais espiritual ou mais científica.

Que eu sei que é uma coisa que te atrai muito, e gostas muito dessas coisas, também dessas leituras. Procura da verdade é uma coisa que tu-- és um homem inquieto, em geral.

Não diria inquieto, mas mais curioso e com muita vontade de ser melhor e melhor todos os dias.

Gostas de fazer perguntas e aprender com os outros. Percebo que viajas também e gostas.

Sim, gosto muito porque ajuda-me a alargar o meu campo de visão, literalmente. E é dessa forma que acho que me enriqueço e que de alguma forma posso refletir essa riqueza nos outros.

Tu divulgas, também gostas de espiritualidade, o que é curioso. E tudo que é, como tu dizes, ou tudo que parece ser alternativo. Na espiritualidade, também, isto tem a ver com New Age e coisas dessas novas, ou meditação.

Não gosto de colocar muito chavões New Age ou o caminho A, o caminho B. Eu acho que cada um tem que encontrar o seu caminho.

Exatamente, o seu caminho. E sempre com muita humildade e com muito sentido de abertura, sem dogmas. Eu acho que tem que fazer sentido, e o sentir é o barômetro ou o termômetro ou o instrumento que entendermos que nos vai permitir, no fundo, dando passo a passo.

A emoção também pode nos guiar um bocadinho nesse caminho.

As emoções, claramente. Eu acho que sentir, ou seja, a parte da intenção do pensamento sem a emoção, acho que é uma visão coxa da vida.

Tem uma lacuna aí, claro.