Após perder o título mundial por apenas 0,03 segundo em 2025, corredor nascido na Eritreia e ...

Após perder o título mundial por apenas 0,03 segundo em 2025, corredor nascido na Eritreia e refugiado na Alemanha supera obstáculos pessoais e conquista seu primeiro grande título internacional na maratona.Na Praça Victoria, em Birmingham, envolto em uma bandeira da Alemanha, Amanal Petros exibia com orgulho sua medalha de ouro. Onze meses após perder por uma diferença mínima o título mundial em Tóquio, o corredor de 31 anos natural da Eritreia conquistou o primeiro grande título internacional da carreira.

O atleta sagrou-se campeão da maratona no Campeonato Europeu de 2026 em Birmingham, no domingo (16/08). Depois de cerca de 25 quilômetros de prova, Petros aumentou o ritmo em uma subida e deixou para trás o grupo de líderes. Nenhum adversário conseguiu acompanhá-lo. Nos dois quilômetros finais, ele já podia saborear a vitória.

Com o tempo de 2h09min11s, cruzou a linha de chegada estabelecendo o melhor desempenho já registrado por um maratonista em um Campeonato Europeu.

"Meu objetivo era definir a prova cedo, e funcionou perfeitamente", afirmou Petros.

Embora Pietro Riva tenha terminado apenas sete segundos atrás, o resultado final não traduz o amplo domínio de Petros ao longo da prova. "Eu tinha tudo sob controle", comemorou Petros.

Problemas antes da corrida

A vitória teve um sabor ainda mais especial tendo em vista os problemas enfrentados antes da competição. Por causa de dificuldades com a autorização eletrônica de entrada no Reino Unido, Petros só chegou a Birmingham no sábado, um dia antes da maratona. Segundo relatos da imprensa, houve entraves burocráticos relacionados ao visto eletrônico.

"Demorou muito, foi horrível. Ficamos dois dias viajando de um lado para o outro", contou.

A Federação Alemã de Atletismo ajudou a resolver a situação. No dia seguinte, o atleta encarou um percurso exigente, composto por oito voltas com subidas e inúmeras curvas.

Durante meses, Petros treinou em altitude no Quênia para se preparar para a competição.

"As 120 curvas e as subidas foram um enorme desafio", admitiu.

Apesar da vitória, a prova deixou marcas físicas. "Dói tudo. Acho que preciso ir direto ao fisioterapeuta. Minhas articulações estão realmente doloridas".

Após a conquista, Petros dedicou o ouro à mãe, que vive na região etíope de Tigré, a mais de 5 mil quilômetros de distância.

"Ela é minha rainha e minha fonte de força. Quando penso nela, ganho nova energia e motivação. Ela é simplesmente a melhor".

Da guerra à Alemanha

Petros nasceu em 1995 na cidade portuária de Assab, na Eritreia. Ainda criança, fugiu com a família da guerra entre Eritreia e Etiópia e cresceu em Tigré, no norte etíope.

Desde os cinco anos trabalhava no campo e cuidava de animais. Aos 16 anos, deixou a Etiópia sozinho em busca de uma vida melhor. Chegou à Alemanha no início de 2012 como solicitante de asilo e foi acolhido inicialmente em Bielefeld. A mãe e as duas irmãs permaneceram em Tigré.

No fim de 2021, durante os conflitos na região, ele ficou mais de dois meses sem conseguir contato com os familiares.

"É muito difícil. Às vezes durmo mal e tenho pesadelos. Mas tento não perder a esperança", disse à DW na época.

A corrida tornou-se um refúgio. "Se eu abandonasse o esporte, teria perdido tudo. Já perdi minha família e perderia também a última coisa que ainda tenho".