Em 1ª entrevista após eleição, Dr. Furlan afirma que Estado não abrirá mão das “bases” de exploração de petróleo na região

Em 1ª entrevista após eleição, Dr. Furlan afirma que Estado não abrirá mão das “bases” de exploração de petróleo na região

Divulgação/Flickr/Dr. Furlan

de Brasília 1.nov.2026 (domingo) - 5h58 Priorize o Poder no Google

O Amapá não vai abrir mão de ser protagonista na futura cadeia produtiva do petróleo na Margem Equatorial, afirma o governador eleito do Estado, Dr. Furlan (PSD), em entrevista ao Poder360, a 1ª concedida pelo médico depois de vencer as eleições para o governo do Amapá no 1º turno, com 62,75% dos votos.

A partir de janeiro de 2027, Dr. Furlan terá o desafio de comandar um dos Estados menos populosos do Brasil, que busca se preparar para receber estruturas de apoio à possível exploração de petróleo na Margem Equatorial.

O petróleo descoberto pela Petrobras em agosto está a 175 quilômetros do Oiapoque, no litoral amapaense, no extremo Norte do país. O material foi encontrado na porção brasileira da Margem Equatorial.

Embora a estatal ainda esteja analisando a viabilidade comercial da descoberta, já há confirmação de óleo em pelo menos 3 camadas do Poço Morpho, na Bacia da Foz do Amazonas. Há expectativa de que a produção na região possa começar nos próximos 7 anos, caso os estudos confirmem sua viabilidade e sejam obtidas as autorizações necessárias. Tratada como um possível “novo pré-sal”, a Margem Equatorial tem potencial estimado de até 41 bilhões de barris, volume que, se confirmado e explorado comercialmente, poderia contribuir para prolongar a produção brasileira de petróleo por pelo menos mais 1 século.

Preparar a infraestrutura do Amapá para a movimentação logística e econômica que poderá acompanhar a exploração de petróleo é uma das prioridades do governador eleito.

Dr. Furlan planeja concluir obras de infraestrutura na região, implantar um distrito industrial e oferecer programas de qualificação profissional à população local, com cursos voltados às demandas dos setores de petróleo, gás e energia.

“Não podemos esquecer que o Amapá vai ser o protagonista dessa cadeia produtiva. As obras têm que ocorrer no Amapá, o petróleo tem que sair daqui, as bases têm que ser aqui e nós não vamos abrir mão disso”, disse o governador eleito ao Poder Entrevista.

Embora o início efetivo da produção na região ainda esteja distante e dependa da confirmação de viabilidade comercial, o futuro governador já planeja como aproveitar os possíveis benefícios econômicos da atividade. A ideia é direcionar parte das receitas que o Estado eventualmente receber com a exploração, além dos investimentos atraídos pela indústria, para outras atividades econômicas, como a produção de grãos.

A exploração de petróleo pode transformar as economias dos municípios que recebem instalações e serviços ligados à atividade, além de gerar receitas de royalties e participações especiais, conforme as regras de distribuição. Os resultados, porém, variam de acordo com o papel de cada município na cadeia produtiva.

Macaé e Maricá, por exemplo, passaram por transformações econômicas associadas à indústria petrolífera nas últimas décadas. Macaé consolidou-se como polo de apoio operacional à exploração offshore, enquanto Maricá se destaca pelo volume de receitas provenientes do petróleo.

“Quando o petróleo chegar aqui com a gente, vamos ter os royalties, que serão divididos entre os Estados e municípios, dentro de uma fórmula matemática, mas a gente quer que o Amapá seja o Estado produtor e que tenha aqui as oportunidades de emprego para as pessoas. Com isso, naturalmente, os tributos, os impostos ficarão no nosso Estado, gerando riqueza”, projeta.

Assista a entrevista de Dr. Furlan ao Poder360 (18min):

https://www.youtube.com/watch?v=05gmxO6q8Dk

O novo governo pretende priorizar duas frentes de infraestrutura consideradas estratégicas para o Estado: a conclusão da pavimentação da BR-156 e a modernização do Porto de Santana, principal terminal portuário do Amapá.

A rodovia atravessa grande parte do Estado e faz a ligação entre Macapá e Oiapoque, na fronteira com a Guiana Francesa. Há trechos dos eixos Norte e Sul que ainda estão em obras ou dependem de pavimentação e licitação. Um deles, de cerca de 100 quilômetros, é considerado o mais crítico pelo governador eleito.

Entre os pontos que demandam intervenções está a ligação entre Macapá e Oiapoque, município próximo à área da descoberta anunciada pela Petrobras. Parte da rodovia ainda precisa ser asfaltada, em obra sob responsabilidade do DNIT (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes).

Furlan pretende procurar o governo federal para discutir a conclusão da obra. A equipe do governador eleito avalia duas opções: cobrar do DNIT a conclusão da pavimentação ou negociar a execução pelo governo estadual, mediante um termo de execução descentralizada. “Nós temos interesse em assumir a responsabilidade e executar essa obra”, afirmou.

No caso do Porto de Santana, o objetivo é preparar o terminal e seu entorno para receber atividades relacionadas à cadeia produtiva de petróleo e gás. Atualmente, está em andamento um contrato de arrendamento que prevê investimentos de R$ 150,2 milhões ao longo de 25 anos, com obras de modernização da infraestrutura portuária e ampliação da capacidade de escoamento de grãos pelo Arco Norte.

O contrato está voltado à movimentação e à armazenagem de granéis sólidos vegetais. O porto é um dos principais pontos de escoamento de mercadorias do Amapá e integra o corredor logístico do Arco Norte, utilizado para transportar a produção agrícola do Centro-Oeste até os mercados internacionais.