Vacina MenQuadfi, indicada para a prevenção da meningite causada pelos sorogrupos A, C, W e Y, poderá ser usada a partir de 6 semanas de idade na rede privada
Priorizar nos meus resultados Google A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou a ampliação do uso da vacina MenQuadfi, indicada para a prevenção da meningite causada pelos sorogrupos A, C, W e Y. Com a nova resolução, publicada na terça-feira, 8, o imunizante poderá ser administrado a partir de 6 semanas de idade.
Até então, a vacina era indicada a partir de 1 ano, segundo o calendário básico de vacinação do Programa Nacional de Imunização (PNI). Especialistas consideram a mudança relevante por ampliar a possibilidade de proteção dos bebês nos primeiros meses de vida, período em que a meningite pode evoluir rapidamente e de forma grave, com risco de sequelas e morte.
A aprovação da Anvisa tem caráter regulatório, ou seja, autoriza o uso da vacina em uma faixa etária mais ampla, mas não significa que o imunizante passará a ser imediatamente oferecido na rede pública. Por enquanto, a MendQuadfi (ACWY) pode ser administrada a partir de 6 semanas de idade apenas na rede privada.
VEJA procurou o Ministério da Saúde para saber se a ampliação da indicação também será incorporada ao calendário público infantil.
Desde 2025, o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece a vacina meningocócica ACWY para crianças de 1 ano de idade como dose de reforço. O imunizante também é recomendado para adolescentes de 11 a 14 anos.
Em nota, a pasta afirmou que “a expectativa é que essa vacina passe a ser ofertada também a partir dos três meses de idade no ano que vem“.
Atualmente, o esquema de imunização contra a meningite para bebês previsto no Calendário Nacional de Vacinação é:
“Agora, a vacina que protege contra os sorogrupos A, C, W e Y pode ser usada a partir de 6 semanas de idade, com esquema de quatro doses ou, dependendo da idade do início da primeira dose, com um esquema reduzido, permitindo iniciar a proteção muito mais cedo do que antes”, avalia Daniel Prestes, membro da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI).
O infectologista destaca que a meningite pode evoluir muito rapidamente, com quadro grave em poucas horas, e está associada a até 20% de sequelas graves ou óbito. “Isso torna essa antecipação da proteção clinicamente relevante, principalmente em termos de saúde pública“, acrescenta o médico, que atua nos hospitais Israelita Albert Einstein e Sírio Libanês.
Entre os sintomas mais comuns da meningite estão febre, dor de cabeça intensa, rigidez na nuca, náuseas, vômitos, sensibilidade à luz e alteração do estado mental, como confusão, sonolência excessiva ou dificuldade para despertar. Em bebês, os sinais podem ser menos específicos, como irritabilidade, recusa alimentar, choro persistente, sonolência, vômitos e abaulamento da moleira, que é quando essa parte da cabeça fica estufada.
Em casos graves, a doença pode evoluir para convulsões e choque séptico, com queda da pressão arterial e comprometimento de órgãos. Mesmo com tratamento adequado, a letalidade gira em torno de 10%, e até 20% dos sobreviventes podem desenvolver sequelas permanentes e incapacitantes.
Segundo a Anvisa, a ampliação do uso da vacina ACWY se deu após avaliação de segurança que incluiu dados de 6.060 bebês vacinados entre 6 semanas e menos de 12 meses, expostos a pelo menos uma dose da vacina em esquemas primários de uma, duas ou três doses, além de 5.373 crianças que receberam uma dose de reforço a partir dos 12 meses de idade.
A MenQuadfi é uma vacina meningocócica conjugada, ou seja, que oferece proteção contra mais de um patógeno. Neste caso, contra quatro tipos da bactéria meningococo, que causa a doença: A, C, W e Y. Ela é administrada por via intramuscular. “Os resultados evidenciaram um perfil de segurança consistente com o esperado para vacinas meningocócicas conjugadas, sem identificação de novas preocupações relevantes de segurança”, afirmou o órgão, em nota.
Segundo Prestes, da SBI, a expectativa é que também seja reproduzido no Brasil o cenário observado em outros países que também ampliaram a vacinação infantil contra a meningite, como a redução da incidência da doença nos grupos vacinados. “A experiência americana, por exemplo, mostrou queda expressiva de casos em faixas etárias plenamente vacinadas”, diz o infectologista.
Prestes afirma que o impacto real no país, porém, depende de como e se a vacina passará a ser usada de forma mais ampla. Ele também destaca que o esquema vacinal recomendado para cada criança deve continuar sendo definido em conversa com o pediatra ou com o serviço de vacinação.
Vale lembrar que a vacina meningocócica ACWY não protege contra o sorotipo B da meningite, que respondeu por 55% dos casos de doença meningocócica com identificação do sorogrupo no país em 2025. Entre os bebês menores de um ano, faixa etária mais vulnerável às formas graves da infecção, esse percentual chegou a 73% dos casos identificados.
Os dados são de uma nota técnica publicada pela Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), que atualiza o cenário epidemiológico da meningite no país e reúne as principais evidências científicas sobre a vacina contra a meningite do tipo B em bebês, reacendendo o debate sobre a inclusão do imunizante no SUS. Atualmente, ele está disponível somente na rede privada.
Em maio, o Ministério da Saúde decidiu não incorporar a vacina meningocócica B recombinante (4CMenB) para crianças menores de 1 ano no SUS. Na época, o órgão afirmou que o produto não atende a critérios como capacidade de oferta a todo o público-alvo e um preço sustentável para a saúde pública.
Em reportagem publicada no início de setembro, VEJA procurou o Ministério da Saúde para saber se a pasta pretende reavaliar a incorporação do imunizante ao Programa Nacional de Imunizações.
Em nota, o órgão reafirmou que a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec) decidiu pela não incorporação da tecnologia ao SUS neste momento, “considerando, entre outros fatores, o alto custo, a existência de um único fornecedor e a ausência de comprovação de impacto na imunidade de rebanho”.




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