Mesmo diante do caos e da falta de informações, não demorou para israelenses compreenderem que o trauma provocado pelos atentados do grupo terrorista Hamas no dia 7 de outubro de 2023 se estenderia muito além das várias horas de barbaridade daquele dia, que marcou o pior ataque da história de Israel . Leia mais (10/07/2026 - 00h33)
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Mesmo diante do caos e da falta de informações, não demorou para israelenses compreenderem que o trauma provocado pelos atentados do grupo terrorista Hamas no dia 7 de outubro de 2023 se estenderia muito além das várias horas de barbaridade daquele dia, que marcou o pior ataque da história de Israel.
Naquela manhã, milhares de homens armados do Hamas e de outras facções palestinas cruzaram da Faixa de Gaza e atacaram locais até 22 km distantes da fronteira. O grupo terrorista lançou cerca de 5.000 foguetes, e seu comandante militar, Mohammad Deif, convocou palestinos de todo o mundo a lutar. "Este é o dia da maior batalha para acabar com a última ocupação na Terra", afirmou.
Foram 1.200 mortos, entre civis e funcionários de segurança, israelenses e estrangeiros, que estavam naquele dia em suas casas em kibutzim próximos à fronteira, que trafegavam por estradas da região ou participavam de eventos como o festival de música eletrônica Nova, próximo ao kibutz de Re'im, local que registrou o maior número de assassinados, 351. Entre eles estava o brasileiro Ranani Glazer.
Desse e de outros locais alvo do Hamas também não demoraram a surgir os relatos de atrocidades cometidas pelos agressores, muitas delas descritas em relatórios como o divulgado pelas Nações Unidas, em junho de 2024, e o de uma comissão israelense que investigou o uso de violência sexual na ofensiva e durante o período em que 251 reféns levados pelo grupo terrorista para Gaza estiveram sequestrados.
Foram registrados casos de tortura, vilipêndio de cadáver, estupros e abusos contra mulheres de maneira sistemática, entre outras violências.
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No relatório da comissão israelense, que se baseia em depoimentos de sobreviventes, testemunhas, entrevistas, material audiovisual e processos judiciais, os autores afirmam que os crimes "foram caracterizados por uma crueldade extrema e um profundo sofrimento humano, muitas vezes infligidos com o objetivo de intensificar o terror e a humilhação".
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Em locais como o kibutz Nir Oz e a área em que ocorria o festival Nova em Re'im, visitados pela Folha quase dois anos após os ataques, as marcas do terrorismo —casas queimadas, buracos de tiros nas paredes, e elementos de vidas congeladas no tempo pela violência— foram preservadas ao lado de cartazes com fotos dos mortos e, à epoca, dos que ainda estavam sob poder do Hamas.
Segundo a Eran, ONG israelense que trabalha com assistência emergencial de saúde mental, desde o ataque foram realizados 928 mil atendimentos —Israel tem cerca de 10 milhões de habitantes. O percentual de jovens auxiliados, segundo a organização, quase dobrou desde o 7 de Outubro, de 2,6% a 4,4%; os dados completos e desagregados não estão disponíveis.
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A sociedade israelense revive o trauma diariamente, três anos após a ofensiva, também sob os efeitos políticos do ataque. Duramente criticado pela demora na reação inicial ao ataque, o premiê Binyamin Netanyahu inicialmente culpou chefes militares e de inteligência, mas depois recuou.




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