Organização pede a Moscou dados transparentes para esclarecer causa de pneumonia de origem não determinada em funcionária de instituto sobre peste
Compartilhar matériaA OMS (Organização Mundial da Saúde) informou nesta quarta-feira (7) que solicitou à Rússia mais informações sobre a causa da morte de uma funcionária de um instituto sobre peste na Sibéria, mas o Kremlin disse que Moscou compartilhou tudo o que sabia e acusou a mídia de espalhar mentiras.
As autoridades russas afirmam que a funcionária do laboratório, de 28 anos, morreu na sexta-feira (2) devido a uma pneumonia de origem ainda não determinada, em um caso que gerou preocupação internacional, inclusive por parte do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e que levou à colocação inicial de cerca de 200 pessoas em quarentena.
O órgão regulador de saúde da Rússia informou na terça-feira (6) que nenhum caso de peste havia sido detectado entre as pessoas que entraram em contato com a funcionária falecida, Darya Shipilova, e uma autoridade local disse que 60% dos indivíduos colocados em quarentena já tinham sido liberados.
Mas Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da OMS em Genebra, afirmou em uma declaração no X que sua organização precisava de mais informações da Rússia para compreender plenamente o que havia acontecido.
Since the first media reports, @WHO has been actively following up on the reported death of a laboratory worker at the Irkutsk Antiplague Research Institute in Irkutsk oblast, Russian Federation. The individual died on 2 October 2026 after being hospitalised with severe pneumonia. Initial media reports suggested pneumonic plague following an alleged accidental laboratory exposure. In response to WHO’s verification request under the International Health Regulations, the Russian health authorities reported that no case of plague had recently been registered in Irkutsk oblast. They informed WHO that an epidemiological investigation had been conducted, preventive and control measures implemented, and identified contacts placed under medical observation and tested. They reported that no high-threat pathogens had been detected among the contacts and that medical observation of all identified contacts had been completed. WHO has remained in contact with the Russian health authorities and has offered technical support. WHO has requested further information to clarify the cause of the severe pneumonia, the pathogen that prompted the public health measures, and media reports of a second employee with pneumonia of undetermined cause. Timely, complete and transparent information sharing under the International Health Regulations is essential to clarify conflicting reports and enable an accurate assessment of potential public health risks.
— Tedros Adhanom Ghebreyesus (@DrTedros) October 6, 2026
“A OMS solicitou mais informações para esclarecer a causa da pneumonia grave, o patógeno que motivou as medidas de saúde pública e as notícias da mídia sobre um segundo funcionário com pneumonia de causa indeterminada”, disse ele.
“O compartilhamento oportuno, completo e transparente de informações, nos termos do Regulamento Sanitário Internacional, é essencial para esclarecer relatos conflitantes e permitir uma avaliação precisa dos possíveis riscos à saúde pública", completou o diretor.
O Kremlin afirmou que a Rússia havia informado adequadamente a OMS sobre o incidente, de acordo com os procedimentos estabelecidos.
Quando questionado sobre o pedido da OMS para que se pronunciasse sobre as notícias de que uma segunda pessoa na Sibéria teria adoecido, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, pediu cautela ao usar as reportagens da mídia como referência para o que estava acontecendo.
“Há uma grande cobertura da mídia, e a grande maioria do que a mídia está divulgando sobre essa situação são informações falsas”, disse Peskov.
Ele aconselhou a mídia e outras partes interessadas a se basearem nas informações fornecidas pela Rospotrebnadzor, órgão regulador de saúde da Rússia.
O órgão não respondeu imediatamente a um pedido de comentário da agência de notícias Reuters nesta quarta-feira (7) sobre as perguntas da OMS.
Alguns veículos de comunicação ocidentais noticiaram — citando “mídia russa” não identificada — que uma segunda pessoa na Sibéria havia morrido, alegando que a morte teria sido causada pela peste.
A Reuters não conseguiu encontrar nenhuma notícia desse tipo na mídia russa nem qualquer evidência de que uma segunda pessoa na Sibéria tivesse morrido, embora alguns blogueiros nas redes sociais estivessem fazendo — sem evidências — tais afirmações.
Contatada pela Reuters, a OMS afirmou não ter nada a acrescentar sobre o assunto além do que Tedros já havia postado no X.
O apelo de Tedros por mais informações ecoou o do secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, que afirmou que Moscou precisa compartilhar mais informações sobre o caso.
Embora o órgão regulador de saúde da Rússia tenha afirmado que Shipilova morreu após contrair pneumonia, ele não explicou publicamente o que causou a doença nem como ela adoeceu.
A pneumonia, uma infecção pulmonar, pode ter diversas causas, incluindo a peste, bem como outras infecções bacterianas ou doenças respiratórias virais, como a gripe ou a Covid-19.




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